e1827153137d25e1efa56dd6a83a73a1

A Mão Imaginária.

Primeiro, eu duvidei de Deus e de toda a criação.
Depois, duvidei tanto do bem quanto do mal.
Duvidei do amor e da saudade.
Duvidei da angústia e da tristeza.
Duvidei do sal e dos sabores.
Duvidei das fragrâncias e do açúcar.
Duvidei do chocolate e do amargo dos remédios.
Duvidei de mim e de minhas emoções.
Duvidei de minha razão e intelecto.
Duvidei de ti e de sua ausência.
Duvidei… Duvidei… e duvidei…

No final, só pude concluir que:
Quanto maior for minha dúvida,
Maior também será minha certeza…
E, talvez, seja por tal motivo,
Que ainda te aguardo e sonho.
E assim, me imagino solitário num deserto;
Esperando o momento certo de você voltar
E segurar fortemente minha mão;
Para que eu não fuja como um pássaro;
Pois me acostumei com a solidão e a beleza do sonho,
Enquanto que a realidade, em verdade, me machuca.
Essa mão imaginária me faz ter muito mais que certezas;
Ela me faz ter esperança.

Nadelson Costa Nogueira Junior

18/03/2006

amantes_escultura

O Evangelho dos Amantes.

Eu queria aprender astronomia.
Compreender os detalhes mínimos de cada corpo celeste.
Indicar cada constelação por nome e localização exata.
Guiar-me, à luz da lua, pela noite…
E ter a certeza de que não me perderia pelo caminho.

Eu queria ser um isótopo…
E ter participação direta na criação e alteração da matéria.
Ser… Ora massa… Ora energia.
E depois de tamanha obediência as leis da natureza,
Quebrá-las uma a uma;
Ocupando dois lugares ao mesmo tempo;
Viajando a velocidade da luz,
E retornando ao útero materno.

Eu queria voltar para casa,
E reconhecer minha figura zigótica como um tolo.
E num ato de regressão,
Simplesmente me desintegrar dessa realidade:
– Descobrir se realmente há vida antes da própria vida.
Voltar ao início duma era pura e sobrenatural.

Entretanto, o tempo é uma via de mão-única;
Enquanto que jamais sentirei tal gosto.
Então, recolho-me à minha insignificância,
E fico-me abstraindo sobre meus batimentos cardíacos.
Viajo pelo sangue e pela arte que correm em minhas artérias.

Respiro a consciência de que estou usurpando algo precioso de outrem;
Pois sou a continuidade dum processo alquímico;
Inspirado no fóton, no carbono, no oxigênio e no hidrogênio.
Sou uma matriz, fadada ao esquecimento.

Não há tristeza maior
Do que se saber parte da verdade:
Todos vêm ao mundo com um prazo de validade.
Todos nascem com o objetivo de desaparecer.
Essa é a regra que define o orgânico e o inorgânico,
O concreto e a essência do abstrato,
A equação matemática e a escrita,
O Criador e a própria criação.

Diante de tamanho questionamento,
Tomei-me a seguinte decisão:
– Quero saber tudo sobre você…
Cada detalhe físico e psicológico.
– Quero compreender sua personalidade e gostos…
Sentir seu perfume e manter aceso o brilho de seus olhos…
Viajar em sua topografia;
Tendo a exatidão de que o fator biológico é o nosso maior inimigo;
Enquanto que sua medida far-se-á com o tempo.

Quero-te olhar todos os dias,
Como que se cada momento fosse o último.
Talvez, o resultado ser-se-ia o aumento de minha ignorância;
Ou a maquiagem maquiavélica de minha solidão.
Outrossim, minha vida passar-se-ia ter mais sentido do que razão,
Mais vontade do que coragem,
Mais destino do que argumentação.

Todavia, no final de nossa fábula,
Teríamos concluído a jornada triunfante de nossas vidas,
Cujo título seria: – O Evangelho dos Amantes,
Que começaria da seguinte forma:
– No início, só havia a luz que vinha do brilho de seus olhos…
O homem deixou de ser o trópico de capricórnio;
Enquanto que a mulher, o de Câncer;
Uma vez que a busca estava concluída nela mesma,
Fundamentada na cumplicidade de dois viajantes.

Nadelson Costa Nogueira Junior

01/05/2006

55776_original

Amnésia.

Sinto saudades de inúmeras coisas…
Como o bolo de fubá, a bomba de creme,
Beijo na testa, cafuné…
Ópera e música clássica.

Sinto falta da época em que contava os dias
Para ver minha família reunida.
E assim via minha avó e tias,
Como as sábias que teciam nossas vidas.

Sinto saudades eternas do sapato vulcabrás,
Da calça de tergal e da meia preta.
Consigo até sentir saudades dos castigos
E dos amigos que estiveram lá comigo.

Sinto saudades do café das quatro,
Do chá das cinco,
Das torradas e da geleia de morango…
E quase que ia me esquecendo do açúcar em cubos!

Tenho saudades da primeira vez que atravessei a rua de mãos dadas à minha mãe,
Da primeira fuga e do primeiro quindim.
Mais saudades contidas tenho, quando me lembro da “santa missa”…
E da enumeração incomensurável dos pecados e da ternura.

Ainda me vejo pegando o telefone pela primeira vez…
Para escutar a voz do meu pai a quilômetros de distância.
Sinto saudades do período em que contava as horas
Para vê-lo chegar em casa, como o herói das revistas em quadrinhos.

Sinto saudades da minha família e infância…
Sinto saudades dos amigos e da escola…
Sinto falta dos diálogos e monólogos do adolescente idealista.
Sinto saudades daquilo que fui e que ficou para trás.

Hoje, só tenho lembranças duma época áurea…
De pessoas cultas e requintadas que sabiam viver…
Ou que aproveitavam a vida sem qualquer planejamento;
Pois planejar era coisa de futuro, enquanto que o negócio era viver o presente.

Tudo aquilo que se tinha de bom,
Foi-se no desuso da norma culta e do pronome oblíquo.
Tornei-me uma peça de museu contemporâneo…
Um biscate do passado!
Minha avó virou poeira.
Minhas tias estão envelhecendo rápido.
Minha mãe não conversa comigo…
Tornei-me um pária dentro do meu próprio mundo.

De fato, tirando minhas lembranças e saudades,
As únicas coisas que tenho de importante em minha existência…
São minha esposa e filha.
O resto, sequer, finge ter importância.

Tathiana é tudo aquilo que me falta para me tornar uma pessoa melhor para o mundo.
Sophia é a verdadeira herança que deixarei para posteridade…
Quanto a mim, tentarei fazer o certo até que se apague o brilho nos meus olhos;
Pois não sei quanta tristeza ou saudade um coração pode suportar.

Quanto minhas mágoas, que eu seja abatido pela amnésia,
Cuja cura se fará através dum doce beijo…
Ou duma esplêndida fatia de bolo de fubá.
No mais, fingirei estar distraído ou desligado.

Nadelson Costa Nogueira Junior

08/03/200

13262445

A Mulher.

A mulher deve ser tratada de igual par igual. Sua função é a maior de todas dentro de nossa espécie; pois é dela que se dá à luz a posteridade. Sem ela, não haveria a humanidade.
A mulher deve ser tratada como um doce caseiro e bem temperado. Sua seiva deve se adocicar como a fava do mel. Ela deve ser amada e respeitada.
A mulher é o começo e o fim das causas de todas as coisas. Quando consciente, ela gera prosperidade ao marido. Quando vingativa e ajuizada, o leva à ruína. Logo, nunca faça uma mulher chorar; pois suas lágrimas são divinas e solicitam providência automática.
Maldito é o homem que machuca ou maltrata sua esposa; pois, sobre ele cairá a ira divina. A mulher deve ser amada e idolatrada como uma obra de arte que amadurece e se torna mais complexa com o tempo. Logo, meu caro amigo, chegue em casa e olhe sua esposa de uma forma diferente que a olhava antes. Chegue-lhe e fale que realmente a ama, beije-a e lhe dê carícias. Converse e faça um bom sexo, sem se preocupar com o número de ejaculações ou com os gemidos; pois, o mais importante na cama é a qualidade e a fidelidade ao ato. Vá e não se arrependa… Só lembre-se que toda ação tem uma reação e que as coisas podem fugir ao controle.

Nadelson Costa Nogueira Junior

19/11/2005

download (9)

O que é ser riobonitense?

Ser riobonitense é acordar todos os dias com a musicalidade natural dos pássaros e sua variedade sinfônica.
É sentir a brisa ou a chuva, tendo a total certeza de que você faz parte delas e de todo o restante da natureza.
É ser cordial com o estranho e sorridente para todos.
É dar bom dia, boa tarde e boa noite para aquele que passa pelas calçadas e pela rua.
É tratar os negócios com cautela, principalmente com os estranhos. É pedir a árvore genealógica na referência de toda compra a prazo ou no cartão de crédito.
É ser educado ao ponto de ser confundido com o acomodado.
É ser inteligente com simplicidade.
É ser sofisticado com humildade.
Por fim, ser riobonitense é ser paciente como se tivesse toda a eternidade,
Reduzindo-se cada expressão facial ao sorriso.
É poder visitar o mundo todo, mas só se sentir à vontade com a lembrança de tudo isso.
Ser Riobonitense é a arte de ter vivido em Rio Bonito,
Independentemente dos ganhos ou prejuízos.

Nadelson Costa Nogueira Junior

22/02/2015

O Sentido da Vida.

Aos olhos de Deus,
Eu posso ser embrião, criança, adulto, idoso,
Moleque, erudito ou preguiçoso.

Diante de sua magnitude magistral,
Posso ser judeu, mulçumano, Budista, ateu ou cristão (…)
E até mesmo cientista.

Diante de sua face proibida e celestina,
Eu posso ser negro, branco, amarelo ou mestiço.
Posso ser xiita, ortodoxo, liberal ou artista.

De fato, posso ser tudo aquilo que me escolheram,
Ou seguir meus próprios passos na analogia da diferença…
Só não posso me esquecer de onde vim e aquilo que sou.

Não importa qual seja sua origem, escolha ou tratado,
Pois D-us fez o homem e o infinito…
O resto organizou-se à vontade limitada da criação.

Daí, acrescentamos nomes e conceitos às coisas…
Criamos línguas e culturas na diversidade humana.
Subvertemos o insubmersível.

Todos vieram de D-us.
Todos são diferentes no Templo de Carne do seu Espírito.
Logo, todos são divinos e dignos do Excelsior amor e respeito.

E assim será…
Até que outrem encontre uma teoria plausível que explique nossa origem,
Ou que dê sentido incondicionável à fé e a existência da vida.

Nadelson Costa Nogueira Junior

16/03/2008

Renascimento.

Eu poderia falar de sua beleza,
E preencher o papel com vocábulos em desuso.
Mas é pouco.

Poderia escrever um épico
Ou quem sabe um belo romance.
Todavia, não te alcançaria.

Talvez, preencheria o vazio duma tela
Com seu semblante e sorriso…
E todo meu esforço não passaria duma mera tentativa.

Digo isso, porque descobri…
Que quero ficar bem aqui, sentadinho, na sua frente…
Enquanto te digo bem baixinho: – Eu te amo.

Nadelson Costa Nogueira Junior

06/06/2006

Ignorância.

O ignorante mede o mundo
e julga as pessoas por si mesmo.

Ele fala em ética,
mas está na lama.

Ele se diz nobre,
mas nunca conheceu a riqueza.

Eles se diz sábio,
mas, se tornou o mestre dos erros.

O maior erro de todo ignorante é se achar importante,
porque, simplesmente, ele resolveu vestir uma fantasia.

Nadelson Costa Nogueira Junior

Imortalidade.

Somos seres compostos de carbono, hidrogênio e oxigênio.

Dizem que a vida é o resultado do acaso da existência da matéria ou de um projeto divino, sem medição.

Simplesmente, a evolução adveio de uma única molécula de aminoácido, que através das condições ambientais do meio, foi se adaptando ao tempo e ao espaço, desmembrando-se em novas formas de vida. Entretanto, com o o ácido desoxirribonucleico (DNA) variando de uma forma de vida para outra. Logo, esse é o resumo da teoria evolucionista, defendida e aplicada até a atualidade pela sociedade científica.

Em contrapartida, os filósofos antigos e contemporâneos sempre comungaram da ideia de um DEMIURGO, uma força natural que está em toda criação, fazendo sua parte no processo criativo no ponto de equilíbrio natural entre a vida e morte conceitual, como as conhecemos.

Todavia, não pretendo me alongar sobre um assunto, cujo conteúdo se estenderia pela eternidade da negação dos envolvidos. Me limitarei à essência humana e sua consciência, que foi programada ao longo de gerações para sobreviver e resistir, na busca pela imortalidade.

O termo imortalidade é simplesmente “não morrer”. Salvo a literatura religiosa, o máximo que um ser humano poderia se aproximar da imortalidade, considerando os padrões físicos e químicos do mundo material, seria através da perpetuação da sua espécie, garantido a continuidade do rio sanguíneo de um lado, e transposição do DNA do outro. Assim, nesse processo de gerações, seriam transferidos, literalmente, conteúdos e programações, que ainda não compreendemos e alcançamos.

Seguindo essa mesma programação natural e inconsciente, o indivíduo já nasce consciente de que morrerá um dia. Todavia, o mesmo fará questão de seguir a programação inconsciente de toda uma espécie, em se considerar imortal, rendendo-se aos padrões da vaidade e do ego. Sem dúvida, se fosse esse conflito existencial entre o indivíduo e o coletivo, talvez, a humanidade não tivesse saído do seu estágio embrionário. Talvez, ela estivesse dentro de um tubo de ensaio, aguardando que seu criador cometesse uma tentativa de acerto ou erro, no intuito de corrigir algo, que não poderia mais ser detido no processo divino ou científico, uma a fusão nuclear ou o surgimento da própria vida.

No final, eu optei em acreditar que existem várias dimensões. Que a vida material é uma espécie de roupagem para uma existência energética e autônoma, chamada de espírito. Com todas as teorias, estando as mesmas em exercício ou em desuso, a que mais me identifico é a do DEMIURGO, pois gosto da ideia de ser parte de algo maior do que eu mesmo. Também gosto da ideia de ser parte de um grande projeto e de um tubo de ensaio chamado realidade. Gosto de acreditar de que sou mais espírito do que carne, que sou mais consciência do que ciência, que sou nada diante de tudo.

Minha imortalidade está em minha filha. Todavia, eu me atrevo a afirmar que nossa existência está além de seu plano, como se colocássemos vários espelhos, um em frente ao outro, gerando um infinito de projeções em si mesmos.

Nadelson Costa Nogueira Junior

 

Liberdade1

Liberdade.

No princípio era o vento.
Depois veio o zumbido do silêncio,
Enfeitando o seu andar.
E nesse ballet de desejos,
Novas forças surgiram
E novos escravos renasceram.

É no flagelo amordaçado
Desta alcova áspera e fria,
Que condecoro minhas súplicas…
As quais, por divinas, talvez
Sejam as últimas.

É com a caneta de pena
E a tinta pura da Índia,
Que começo, aqui e agora,
A desejar tudo aquilo…
O qual jamais me fora permitido:
Tocá-la além do simples lance de olhar.

Os meus dias se vão apagando,
Meu espírito se vai consumindo;
Enquanto que meus olhos são obrigados
A lhe contemplar em provocação
Ou em verdadeiro desdenho.

E, como um idólatra rebuscado,
Desmerecido da misericórdia da adoração,
Fecho meus olhos e…
Desabafo meus sentimentos em pó.
Exaltando sua desconfiança.

Todavia, saliento esses versos
Em quatro movimentos de dom.
Pois para cada Estilo de escrita,
Exaltarei um poema
Como luxúria de minha antífona!!!

O mal do século me atenta
E me contamina por inteiro.
O desespero se faz por partes
E se salienta a cada gole de cerveja.
Pois, até para o menor dos poetas,
A vida se deixa por melhor em certeza.

E por entre as gafieiras,
Abatendo e sucumbindo meus sentimentos,
Surpreendo-me no limite da gentileza,
Proclamando a boêmia como seu altar…
E como o repouso de meu sofrimento.

Envolvido por desejos de Beleza,
Eu me entrego ao sepulcro (…)
Do último momento de desprezo.
Vivendo a tristeza única
De amar-te em sacrilégio.

Nesse cenário de pétalas de rosas
Com o cheiro de flores dos campos,
Confundido com a realidade do Enxofre,
Pego-me em pecado,
Desejando-te setenta vezes.

Desnorteado pelo amor que abala o monte,
Não sei, mais, quanta areia ainda resta
Para me alertar da proximidade da morte,
Ou de libertar-me com o seu último doce beijo.

Mas, numa sui generis de alegria,
Meus batimentos cardíacos soam …
Como instrumentos de aviso em guerra;
Preparando os soldados para o pior dos combates.
Tum… Tum… é a última chance, ou um infarto?

E na alegoria da cruz e da espada,
Como um cavallier nórdico e decente,
Eu gostaria de emanar a cultura e o bom senso;
Trocando a espada pela flor,
E os hinos de glória pelas cantigas.

Todavia, desnorteada se torna em cunho,
Manter a vida com a sensação de morte.
Pois amor de ilusão, assim se faz:
Condenação eterna…
até mesmo para o mais condecorado dos nobres.

Meu escudo é minh’alma.
Minha espada, minha fala.
O meu desejo, meus anseios!!!
Em meus ombros, não carrego estrelas
Ou ostento medalhas de bravura.
Mas seguro o peso do órgão amargo
Que mantém a infelicidade quase eterna em defeito.

Todavia, assim, nessa condenação absurda,
Eu imploro, por cada instante
De lembranças doce como o néctar do açúcar,
Que, na infelicidade, ainda me permitem a enxergar
A esperança entre oportunidades tantas,
Na loucura em ti amar.

E escrevendo uma Cantiga ou uma Trova,
Mediria as palavras em escalas de valores sublimes,
Qualificando a métrica e as rimas;
Esquecendo realmente de ti.

Alexandrino,
Redondilha Maior…
Redondilha Menor…
De que importa a forma sem conteúdo?
De que adianta possuir a beleza sem clareza?

É no despertar dos sinos,
Que desenvolto as Mil e uma noites,
Convidando-a para o casamento.
Mas, por ironia das épocas que virão,
Você não me disse um sim…
Muito menos… um não.

Pois, simplesmente, me ignoraste
Como o açougueiro faz com a carne que corta.
A qual ganha o pão diariamente.

Abandono o suicídio diário.
E abraço a bandeira do nacionalismo.
Edifico, como faria o indianista,
No auge de sua intelectualidade profana
E do amor ordinário.
Minha amada terra patrícia.
Donde o exílio vejo a relembrar!!!
Abarco o meu braço em veredas,
Triste a ti desejar.

Mil talentos me acenam
A admirar-te ao deslizar
Sobre as luxurias desse poema.
Em sermões de sepulcro,
Tendem-me a enterrar.

Assim, no anseio de meu enterro,
As velas chorariam por mim.
Mas, para escravos não há velas…
Somente os informativos nos jornais.
E assim seria o meu fim.

Trovariam sinfonias…
Nas alegorias de meus anseios.
Pois mulheres sorririam,
Enquanto que tu continuarias no desprezo.
Afinal, todos os dias de amor se morre,
Quando não se tem o afago nas mãos
E os cabelos entre os dedos.
Deslizando num carinho imaginário,
Como o abraço que sufoca o peito,
A lembrança se faz por defeito
A legitimar o pacto não consumado.
Espero tocar-te o corpo
E libertar-te dos grilhões oriundos da angústia.
Todavia, em escárnio…
o amor escorre como água entre os dedos.

Nadelson Costa Nogueira Junior