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A imprensa marron e seu reflexo no aquário

Estado do Rio de Janeiro, Rio Bonito, 29 de abril de 2015.

 

Depois de alguns meses de abstinência, a imprensa marron está ganhando consciência, em Rio Bonito. Isso é importante para o amadurecimento da informação e do conhecimento compartilhado.

Tecnicamente, só falta a mesma imprensa se olhar no espelho e deitar no divã, em busca de um propósito legítimo, que leve sua existência além do determinismo econômico e da necessidade de se reinventar.

Infelizmente, a mesma imprensa marron se limitará na busca de si no próximo, porque o ato de acusar é mais fácil do que a reavaliação como dinâmica e finalidade na existência. Por fim, para fazer tamanha análise, deve-se ter a liberdade de expressão e de pensamento como base. Todavia, como se permitir tamanho desafio ético, quando se está preso aos grilhões do materialismo histórico? – E, assim, o escravo continua se olhando no espelho, acreditando que é livre, tendo a censura como grilhões, ora por acomodação ou por consentimento.

Nadelson Costa Nogueira Junior

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A Câmara dos Vereadores e a sabatina para inglês ver

Estado do Rio de Janeiro, 28 de abril de 2015.

A sessão da Câmara Municipal de Rio Bonito nesta terça-feira, 28/04/2015, tinha tudo para ter sido singular, tendo em vista a proposta da sabatina dos secretários do governo, começando pelo secretário municipal de saúde, o médico, Dr. Anselmo Ximenes, com uma caixa de perguntas,  realizadas pela população, instalada na entrada da Casa Legislativa, que  estava com o público acima do normal, sendo, em sua maioria, pessoas ligadas diretamente ao Poder Executivo e Legislativo.

Com o cumprimento do rito de praxe de toda assembleia, começando pela leitura da ata da sessão anterior, bem como a leitura da ordem do dia e a palavra dos legisladores participantes, foi dada a palavra ao Secretário de Saúde para a apresentação. O primeiro furo foi constatado, quando o Vereador Aissar fez sua pergunta, enquanto que o Secretário, antecipadamente, respondeu que existiam dois itens que não estavam no ofício, e que o mesmo não tinha o material e as informações necessárias para respondê-lo. Em suma, estava claro que o ambiente estava controlado, enquanto que a sabatina não se passava duma ilusão para gerar conteúdo de notícias de um lado, além de dar satisfação à sociedade do outro, no formato que o Executivo queria. Mesmo assim, eu insisti em continuar assistindo à sessão, pois, poderia ter sido uma supervalorização pessoal do ato supramencionado, enquanto que eu poderia cometer uma injustiça, em função de uma avaliação ambiental errônea. O problema é que a Prefeita, Solange Pereira de Almeida, entrou na Câmara dos Vereadores. Ela atravessou o plenário e se sentou ao lado da Vereadora Marlene, como se fosse, literalmente, parte do Poder Legislativo. E assim, me retirei do recinto, diante da constatação de que minha avaliação ambiental estava correta. A presença da prefeita, entre os vereadores, durante a sabatina, numa sessão oficialmente aberta, é uma quebra da etiqueta e do protcolo parlamentar, enquanto que deixava bem claro que aquela sessão era parcial, em prol do governo, que está distante dos seus eleitores e de sua sociedade.

Sobre o episódio, ficaram duas hipóteses martelando na minha cabeça: – Ou Solange foi para apresentar perguntas, através da bancada governista, o que demonstra que a mesma não confia na equipe em situações sob pressão, tendo em vista sua presença. Ou a Solange foi para monitorar a casa pessoalmente. Também, podem ter sido as duas hipóteses ao mesmo tempo. Nos mais, deixarei que a sociedade tire suas próprias conclusões.

Não poderia terminar este artigo, sem mencionar o fato de que o asfalto chegou parcialmente ao Parque Andréa, sendo anunciado sua possível instalação nos bairros da Jacuba e Cajueiro. Todavia, existem alguns pontos que são pertinentes e que ninguém tocou no momento: – O saneamento básico e os dutos de água foram instalados nesses bairros? – Normalmente, eles são instalados debaixo das ruas. Logo, colocar o asfalto, sem pensar na água e no saneamento básico, será o mesmo que gastar milhões de reais para instalar algo, que será quebrado por falha logística, como aconteceu no trecho entre o Green Valley e o centro. Essa pergunta é pertinente, tendo em vista que existem problemas com o saneamento básico e a distriuição de água no Parque Andréa e no Cajueiro.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

 

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A prefeita Solange e sua máquina de escrever mágica

Estado do Rio de Janeiro, Rio Bonito, 27 de abril de 2015.

Era para a Prefeita Solange gerar mais empregos, capacitar a juventude e criar parcerias com os empresários e a sociedade. O problema é que ela deixou de fazer tudo isso. Agora, além de tentar vender uma Rio Bonito que nunca existiu à UNESCO e a UNICEF, o governo tenta tornar a fábula real, através das resenhas. É a máquina de escrever mágica da Solange. Simplesmente, o editor datilografa a vontade do governante, enquanto que a realidade se constrói por si mesma, sem planejamento, sem orçamento, sem diálogo e sem gestão.

Essa mesma máquina mágica escreveu que viria um cinema para Rio Bonito, mas o mesmo não virá. Ela disse que serão abertas 3000 vagas de empregos, entre inúmeras outras coisas. Se a máquina mágica continuar errando, eu aconselharia à Secretaria Municipal de Comunicação a parar de divulgar coisas que não aconceteram ainda, limitando-se a simples função de divulgar as coisas realizadas no passado ou no presente. O problema é que o presente está congelado no tempo e no espaço desde 01/01/2013, com poucas realizações tangíveis, salvo o asfalto e a asuência da transparência nas contas públicas.

Não faz sentido falar em cidade educadora, quando a educação sofre e seus cidadãos são ignorados no processo.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

 

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Os grupos políticos querem municipalizar o Hospital Regional Darcy Vargas.

Estado do Rio de Janeiro, Rio Bonito, 26 de abril de 2015.

O Hospital Regional Darcy Vargas é uma instituição filantrópica, atuante há décadas na área da saúde, não somente em Rio Bonito, mas em toda região. O fato de ter o ente público como seu maior cliente, fazendo parte de 90% (noventa por cento) de sua receita, não o torna um Hospital Público Municipal, ainda. E é assim que a sociedade espera que continue, tendo em vista que a transição da unidade hospitalar, da área privada para a pública, fechará as portas da instituição para atender aos convênios particulares com os planos de saúde. Em suma, ficaria tudo por conta do SUS (Sistema Único de Saúde). Isso acabaria com a dinâmica de trabalho da categoria médica, além de obrigar o riobonitense, com plano de saúde, a ser atendido em outros municípios.

A questão que precisamos refletir é a seguinte: – Por que os prefeitos atrasam nos repasses ou simplesmente não pagam o hospital? – Por que o Hospital tem realizado empréstimos com prazos elevados, necessitando regularizar algumas pendências, conforme a declaração do tesoureiro a INTERTV? – E assim, a resposta da segunda pergunta está diretamente ligada à primeira, tendo em vista que, sem ou com pouco dinheiro disponível, a empresa necessitará fazer empréstimos para quitar suas obrigações. Na ausência dessas possibilidades ou visando a economia nos juros, ela acaba suprindo uma obrigação menor por outra maior, que sempre será o pagamento dos funcionários e a manutenção do estoque dos medicamentos, no caso de uma unidade Hospitalar. A primeira pergunta poderia ser respondida com uma simples resposta: – incompetência gestora pública e a vaidade pessoal do político, que está com a caneta na mão,  sofrendo o complexo de deus, abusando da confiança que o povo lhe depositou nas eleições.

Se o Hospital Regional Darcy Vargas falisse, por não conseguir meios para garantir o pagamento de suas obrigações, a massa falida seria oferecida ao grupo hospitalar privado no Município para assumi-la. Mas, não há outro hospital particular na região. Em suma, o próximo estágio seria a UNIÃO e o Estado, que, por regra, estão diminuindo os investimentos na saúde, em função do alto custo do pessoal e do valor do capital médico, que é calculado em EURO. Assim, o processo natural seguiria para a esfera municipal, que assumiria a demanda com o maior prazer, tendo em vista que, assim, controlariam as contas públicas milionárias da saúde, desde a entrada até a saída, desde os ativos e passivos, seguindo a linguagem financeira. E agora, vocês compreenderão os motivos reais da quebra de braço entre o Hospital Regional Darcy Vargas e o Município de Rio Bonito.  É uma luta velada e não declarada, onde os grupos políticos estão tentando alcançar o domínio interno entre os sócios, enquanto não conseguem finalizar o processo de asfixia financeira. Mesmo assim, os grupos políticos não conseguiriam causar desiquilíbrio interno na instituição, enquanto que os sócios colaboradores são muito focados no objetivo de que o hospital precisa trabalhar, sem se envolver em política, embora os políticos façam questão de fazer, justamente, o contrário.

Nesse exato momento, tenho visto pessoas cobrando a abertura da filiação dos novos sócios colaboradores no Hospital Regional Darcy Vargas. O problema é que o valor da mensalidade é baixo, estamos falando do valor de R$10,00 (dez reais). E mesmo que o valor fosse de R$100,00 (cem reais), não iria tapar o buraco do dente do tamanho do fluxo de caixa da instituição. A verdade é que a maioria não está preocupada com o bem estar do Hospital, mas com o fato de ter o direito legítimo ao voto, nas assembleias dos sócios, após o decorrer do prazo de 01 (um) ano. Assim, o grupo político dominante teria a oportunidade de montar sua chapa, como já tentou outras vezes, e eleger sua própria direção, para que o hospital se torne uma extensão do braço do governante. Eu tenho certeza de que, caso isso acontecesse, os repasses seriam depositados antes dos términos dos prazos, não aconteceriam os atrasos, enquanto que não faltaria dinheiro. Entretanto, os funcionários do hospital continuariam ganhando muito abaixo do teto da categoria.  A unidade hospitalar se transformaria numa nova forma de contratar os afilhados, comprometendo a qualidade dos serviços prestados.

Em tempo, aparecerão os tecnocratas de plantão e dirão: – Não seria mais fácil para o Município ampliar o ambulatório e seguir o projeto do ex-prefeito Aires Abdalla, que era construir um Hospital Municipal? – Em termos técnicos sim. Todavia, o Hospital Regional Darcy Vargas tem todos os pré-requisitos para todos os tipos de convênios já pronto. Esse tipo de status e de reconhecimento público exige trabalho, dedicação, tempo e responsabilidade. Um grupo político não conseguiria fazer isso dentro dos termos atuais, porque o mesmo só ficaria no poder 04 (quatro) anos, no máximo, 08 (oito) anos com a reeleição. Embora, a continuidade seja um dos princípios fundamentais da administração pública, os grupos gestores não dão continuidade aos projetos dos governos anteriores, porque o foco sempre será o orçamento público, que é um conceito contrário ao atendimento ao cidadão e ao usuário do SUS (Serviço Único de Saúde).

É necessário e de extrema urgência que a sociedade riobonitense compreenda o que está acontecendo na realidade, enquanto que os problemas do Hospital não são de hoje, mas começaram na década de 1990. Os grupos políticos querem controlar o Hospital. Se não conseguirem, eles tentarão municipalizá-lo.  O Hospital não é o nosso inimigo.

Nadelson Costa Nogueira Junior

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Ao Hospital Regional Darcy Vargas, muito obrigado pelo Atendimento.

Estado do Rio de Janeiro, Rio Bonito, 25 de abril de 2015.

Hoje, quando levei minha filha ao Hospital Regional Darcy Vargas, aguardei uma hora e quarenta minutos para ser atendido. Todavia, o atraso teve motivo, tendo em vista que a equipe pediátrica estava cuidando da transferência emergencial de duas crianças. Em suma, eu testemunhei a eficiência e dedicação de uma equipe humanizada e responsável. Por fim, espero que as duas crianças estejam recuperadas e suas respectivas famílias felizes.
Quando muitos estão questionando o hospital, eu vi a resposta positiva diante dos desafios. A Doutora Rachel foi ética e eficiente. A equipe de enfermagem, também.

Por fim, muito obrigado.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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A Tristeza de se estar solteiro

Rio de Janeiro, Rio Bonito, 14 de agosto de 2004.

Estar solteiro é triste,
Quando não se tem companhia.
Quando se perde o sorriso
E o invejável brilho nos olhos.

Estar solteiro é livre,
Com a liberdade do tamanho do mundo.
Mas a liberdade é o limite…
Para aquele que só quer amar.

Eu descobri que te amo…
E que, contigo, tenho coragem
De entregar meus punhos e minha alforria,
Pois do teu amor quero ser escravo.

Amo-te, sem jamais ter te beijado.
Amo-te, sem jamais ter te trocado uma palavra.
Amo-te, em devoção desigual,
Ignorando o tamanho de meu fardo.

Quando todos pensam que estou bem,
Estou intimamente mal!
Quando todos pensam que estou por cima,
Meu verdadeiro lugar é no fundo do poço!

Minha alma se desencanta de tristeza
Diante da malversação do mundo.
Às vezes, perco a vontade de continuar
E sonho com instante último de partir.

Tudo isso acontece,
Porque não estou junto contigo.
A liberdade me cobra o preço árduo…
A prestação contínua da solidão!

E continuo só…
À procura de ti.
E continuo só…
Sonhando com teu abraço.

Nadelson Costa Nogueira Junior

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O Juízo da Escrita

Rio de Janeiro, Rio Bonito, 30 de novembro de 2004.

Escrevo-te por astúcia…
Escrevo-te por curiosidade…
Escrevo-te na esperança…
De conter-me a ansiedade.

Faço-te cortejos e rimas…
Na pergola da loucura.
Escrevo-te esta epistola…
Na tentativa de conter minha busca.

E, mesmo que receies o presente…
Nem tudo estar-se-á perdido;
Pois àquilo que escrevo é mais do que sinto…
É a decodificação da emoção no tempo.

E mesmo que seja isso um desastre,
Já consigo imaginar teu sorriso;
Considerando a escrita uma forma de arte,
Enquanto que o escritor, uma pessoa sem juízo.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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Cartas para Tathiana: Do acaso ao milagre.

Estado do Rio de Janeiro, Rio Bonito, 05 de março de 2006.

O ato de almoçar acompanhado é raríssimo no meu cotidiano, mas, quando acontece, torna-se rico e farto de assuntos ligados ao trabalho, como as sindicâncias, as reuniões de chefia, as situações cômicas que ocorrem durante as audiências públicas, as tempestividades das petições, entre inúmeras outras coisas que, sem dúvida alguma, tiram a pessoalidade da refeição. Parece-me que os servidores dedicados gostam tanto da atividade judiciária, ao ponto de tomar como meta a propagação de sua prática, por osmose, aos mais novos. É aquela típica cena de filme americano, o qual veterano ensina, por meio de parábolas, baseadas em sua experiência, ao neófito. É como que se cada garfada demorasse um século, tornando cada segundo uma infinidade temporal. São nesses momentos que olho para teto do restaurante e peço a Deus o envio dum milagre no intuito de compensar tamanha exaustão emotiva. Todavia, mais do que nunca, tornam-se raros os milagres eloquentes… E, Quando eles acontecem, são reconhecidos como o acaso.
Num belo dia, quando todo o rito litúrgico era executado pelos meus acompanhantes de refeição, eu desejei, no fundo da minha alma, que algo de diferente acontecesse… E você penetrou no restaurante como uma cigana sem destino. Seus olhos demonstravam o peso da jactância. Sua pele morena e seu cabelo negro contrastavam com o vermelho vivo de sua blusa. Sem qualquer reação, me pus a contempla-la desde a entrada até a saída… Acompanhei-a como um devoto numa profana sinfonia. Pela primeira vez, o almoço deixava de ser uma continuidade do fórum e se tornava a ilustração real de minha imaginação. Para o cientista, sua presença ali, naquele súbito momento, não seria mais que uma mera coincidência ou um simples acaso. Para o poeta, era a concretização duma alegoria, há muito tempo, esquecida… O retorno de Vênus ao mundo dos homens. Assim, no intuito de criar um referencial temporal, olhei o relógio e registrei as horas em meu pensamento… Logo, institui àquela hora súbita para a realização das minhas refeições, pois o almoço, desde então, havia se tornado um momento de exaltação ao belo… As segundas, quartas e sextas-feiras eram os dias de maior euforia na degustação da matéria, pois, havia a possibilidade de admira-la.
Houve um dia em que você cortou a rua de maneira simples. Consigo, trazia uma bolsa vermelha. Tamanho contraste teria sido devastador para qualquer decorador de interior; pois eles não gostam do vermelho em pequena intensidade. Mas, sua pele morena, seus cabelos negros, sua vestimenta social, e a bolsa vermelha, se completavam numa simbiose de cor, luz e sensação. Aos olhos leigos, era uma linda mulher cortando a rua, seguindo em direção ao seu destino. Para mim, você estava quebrando os conceitos estéticos duma cidadela de vilões. A cada passo seu, as estruturas se reinventavam; pois o mundo passava a ter uma nova ótica pessoal… a ótica da bolsa vermelha! Naquele instante de reflexão, o poeta só pensava numa única ideia: – A personalidade dela é forte. Àquela bolsa, naquela tonalidade, representava sua força e genialidade… De fato, as ruelas de Rio Bonito foram testemunhas, comigo, de tamanha grandeza. Momento igual a este e sensação semelhante, eu só sentiria ao ver o nascimento duma tulipa negra. Dizem os especialistas, que só nasce uma única a cada século. Acho que acabei de gastar meu bônus secular! Isso é bom, porque muita gente morre sem saber a diferença de sentir, ou não, tamanha emoção.
Durante os instantes citados acima, eu solicitei ao divino um milagre: – Que você me perguntasse às horas, ou simplesmente me acenasse; dizendo… oi. A vida é engraçada nesses aspectos, pois o que parece ser o acaso para muitos, torna-se milagre ou vontade divina para outros! De fato, até o presente momento, não ocorreu àquela oportunidade clássica e pitoresca do esbarrão, do tropeço no pé da mesa, ou dos livros caindo ao chão. Nunca trocamos uma palavra ou um olhar, mas, você alterou os conceitos de minha autobiografia. Gostaria de conhecê-la melhor, de estreitar os laços de fraternidade… Nada sei de sua história pessoal… Se tem namorado, se já foi casada, ou se tem projetos maiores para o futuro?! Literalmente, o que sei de ti foi idealizado por mim, como uma loucura que pega o indivíduo de supetão e depois se desfaz como açúcar na chuva. De fato, tanto a água quanto o açúcar estarão sempre ali. Poderíamos degustar um bom chá, ou, quem sabe, deixar as coisas acontecerem por conta do acaso ou do milagre, porque o mais importante de tudo é a ideia. O resto é uma mera consequência. Na pior possibilidade, teria o maior prazer em, simplesmente, cultivar de sua amizade. Aliás, de ti não sei nem seu nome. Se algum momento eu a ofendi, peço-te desculpas na forma da etiqueta britânica, pois, no final, só terei perdido algo que perderia de qualquer jeito, meu tempo… Todo esse texto teria sentido, se não fosse uma mera ilustração de minha frustração como ser humano, exaltando seu belo sorriso tímido de menina.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

 

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O Santuário do Machismo

Estado do Rio de Janeiro, Rio Bonito, 24 de Abril de 2015.

Com a mudança da paisagem e do comportamento da mulher diante da nova ordem mundial e de sua respectiva divisão social do trabalho, o homem perdeu parte de seu território e de seu referencial machista. Primeiro, elas não mais obedeciam; mas cooperavam. Segundo, elas trabalhavam melhor e assumiam a presidência duma empresa num estalar de dedos. Terceiro, a casa se tornava um parlamento onde a maioria decidia, o papagaio, o cachorro, as crianças, o marido e a esposa. Somente a mulher para compreender aquilo que o bichinho de estimação sente e interpreta-lo como voto! Sem dúvida alguma, a mulher estava e ainda está há anos luz de distância do homem naquilo que se refere à evolução socioemocional.
Diante de tamanha competitividade feminina, o homem ficou desorientado, passou a ir mais vezes ao bar para conspirar com os amigos. Mas elas também iam aos bares e, em alguns casos, jogavam sinuca e bebiam com uma performance superior; pois o homem cometia o ato, enquanto que a mulher o formalizava. E, mais uma vez, vinha o desespero masculino, pois o bar não era mais dele. E para onde ir? Aonde o homem poderá rezar e refletir sobre seu machismo tradicional hereditário? Qual lugar seria o melhor santuário para tal ato? Como fazer isso sem chamar a atenção delas? Após décadas de argumentações dolorosas, o homem, inconscientemente, descobriu o esconderijo e o álibi perfeito, o banheiro e a necessidade de defecar sozinho.
Decerto, o homem deve ter sentado, por acaso, numa privada; sentindo, no silêncio do banheiro, quanto potencial poderia ser explorado em sua imaginação no intuito de colocar a mulher de volta à antiga divisão sexual do trabalho. Decerto, em algumas dessas ilustrações hilariantes, o homem deve ter se masturbado; imaginando as figuras mitológicas da empregada, da babá ou da mulher do vizinho; afinal, a chave do machismo é o falo e o sexo que seu portador acredita que possa faze-lo. Sem dúvida alguma, tal fenômeno acontece devido à capacidade limitada machista de achar que ser homem é transar com várias mulheres e humilha-las diariamente.
O banheiro é o lugar de inspiração do machismo. A latrina é seu receptáculo de oração. E assim surge uma religião em que seus adeptos ficam de cocavas, com a mão no queixo. Para finalizar o ritual, torna-se necessário urinar em volta da privada, para que o homem se sinta poderoso diante da mulher que vai limpa-la. O problema é que nenhum homem ainda percebeu que é melhor urinar direitinho; pois a reclamação feminina machuca os ouvidos, sendo prejudicial à saúde masculina.
Bem… Pela mulher, sou capaz de fazer qualquer coisa, inclusive, contar o código secreto de nossa religião. Você, mulher, que se encontra insatisfeita com seu marido e que está à beira do desespero, tenha calma; pois tenho a solução de seu problema. Primeiro, coloque seu marido de castigo. Como? – Não o deixe ter acesso ao banheiro da casa. Se possível, arranque a privada; pois, assim, ele não terá onde urinar em volta. Faça isso durante um mês e verá o resultado: – Ele reclamará menos; ficará mais atencioso com a família; e produzirá mais no trabalho. Mas lembre-se: – Não ultrapasse um mês de castigo; senão, o homem pensará que é um cachorro ou um papagaio. Em alguns casos, ele poderá até pensar que é mulher.

Nadelson Costa Nogueira Junior

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A automação de uma nação

Rio Bonito, 27 de junho de 2004.

O sonho de encontrar o caminho para as Índias trouxe os portugueses ao litoral brasileiro. No início, fincaram a bandeira do império português. Depois, rezaram a primeira missa católica. Não satisfeitos, incentivaram o escambo entre os indígenas. Nas cartas de Pedro Vaz de Caminha, a nova colônia é a encarnação do paraíso terrestre, com seu verde tropical, suas águas, e suas índias que andavam com os seios e a vagina expostas à natureza, na forma a qual Deus proveu o homem. Mas, diante do natural, os europeus interpretaram a naturalidade indígena como uma tendência ao sexo e à sacanagem, pois a colônia tinha a idéia da Nova Sodoma. E quantas índias foram seduzidas ou estupradas pelos colonos? Mas essa é uma parte da história que os brasileiros preferiram apagar de suas mentes; embora, até a presente data, os europeus ainda vejam o Brasil como o paraíso sexual das bundas e das mulatas. O Brasil, mais um país de escravos que não sabem que são livres; pois nunca tiveram opção ou arbítrio. Para eles, só houve a mudança na paisagem e no modo de produção capitalista.
No Brasil, desde o período colonial, o Estado e a elite mantiveram a tradição de ignorar os fatos sociais e suas respectivas conseqüências para o futuro da nação. Primeiro, mataram os indígenas e traficaram milhares de negros da África. Depois, exploraram a terra e o trabalho humano através da instituição da escravidão. E assim foi o decurso de quinhentos anos de história e estórias.
O mundo mudava a dinâmica socioeconômica no século XIX; criando o salário; saindo do artesanato e entrando no modo da produção industrial. Todavia, o Brasil insistia na escravidão, que iludia a elite com a ideia do lucro imediato. Mas, o escravo comia, bebia, dormia e se reproduzia. Logo, a escravidão se tornaria uma constante despesa diante do mal que viria, a concorrência mundial no mercado de café. Em contrapartida, o império decidiu invadir o Paraguai. Em sua manobra audaciosa, o Exército brasileiro convocava os filhos dos senhores de engenho e dos Barões do café, no intuito de barganhar, com os mesmos, um número considerável de negros para lutar no lugar de seus descendentes. E assim, o negro dá seu primeiro passo para longe da senzala e da casa grande; conhecendo o calor da batalha e o glamour do heroísmo. O Império, no desespero da invasão, havia afirmado, em ato público, que todo negro, que retornasse da guerra com a anotação de heroísmo, receberia sua alforria. E assim, a sociedade brasileira perdeu a conta de quantos negros com medalhas de honra e bravura estavam perambulando pelo país, no intuito de divulgar, através da imprensa e da música, o idealismo abolicionista e os ideais da revolução francesa. O mais irônico é que muitos dos heróis alforriados não tinham para onde ir, pois ninguém os queriam.
Durante o processo de divulgação do ideal abolicionista, no século XIX, o mundo já havia deixado o modo de exploração escravista; mas, o Brasil resistiu até o fim do império. Felizmente, o Império caiu. Com ele, todo o sistema escravocrata até então conhecido. Era o início duma nova ordem social e estatal, pois estávamos adentrando na República. Todos os negros foram alforriados, mas, agora que tinham sua liberdade, para onde iriam? Sem dúvida alguma, a educação brasileira preferiu esconder o relato de que os negros foram largados ao relento, tendo que subir os morros, construindo os mocambos, as favelas e o subúrbio. Mas parte desse aglomerado rudimentar da sociedade já existia na forma dos quilombos, que se tornaram mocambos, que se transformaram em favelas. Imagine, meu caro leitor, aproximadamente 65% da população brasileira abandonada ao relento, enquanto que a mesma elite de outrora se divertia nas conspirações do presidencialismo.
O negro, que não era mais escravo, se tornara inútil, pois os fazendeiros poderiam pagar o mesmo valor de contrato dum negro a um imigrante que já vinha qualificado. Em suma, a qualificação do negro era nula; pois, nele, só havia o valor do trabalho, mais nada.
A lei da vadiagem foi o grande salto do Estado Republicano Brasileiro; pois, os negros não tinham trabalho, e, simplesmente, vadiavam nas cidades, pedindo esmola ou fazendo biscates. Mas a vadiagem era considerada um crime, cuja condenação era o trabalho forçado em nome do bem estar da coletividade. Por tal motivo, meu caro leitor, nunca olhe os paralelepípedos do Rio de Janeiro e da Grande São Paulo como antes, pois muita gente de bem e de cor trabalhou ali por não ter aonde ir. De escravos, uma considerável parte dos negros se tornou criminosa, sendo explorada pelo Estado na construção das ruas, edifícios, córregos, ou na manutenção das galeras da marinha. Tudo isso aconteceu em nome do Estado Brasileiro!
Mais de um século depois, a sociedade brasileira continua com o mesmo comportamento débil de antes, pois as estatísticas afirmam que o Brasil é, aproximadamente, 75% mestiço. Mas, nossa história varonil já havia nos mostrado isso antes. Simplesmente ignoramos o fato por causo do status, do glamour e de nossa insegurança, pois o homem tem que humilhar e se sentir superior a alguém para se afirmar como homem. A sociedade hierárquica exige tal comportamento de seu conterrâneo.
A violência urbana é um fenômeno mundial e histórico, mas, no Brasil, mais que em qualquer outro lugar, ela foi construída nas bases econômicas de nossa própria história narcisista; pois poderíamos ter evitado muito, mas não o fizemos. Hoje, temos problemas sociais como a desigualdade social, o acúmulo de propriedade e capital nas mãos de poucos, a exploração sexual de crianças; a prostituição e o rufianismo; o tráfico de drogas; os seqüestros relâmpagos; o peculato; a corrupção do Estado; o abuso do poder de polícia; a miséria; a pobreza, a fome, o desemprego e o analfabetismo. Alguns grupos da sociologia afirmam que tais problemas têm a cor negra. Mas o fato social não tem cor, religião e sexo, pois o mesmo afeta toda a coletividade, desde o subúrbio até o bairro de elite. Entretanto, vem o questionamento: – Como resolver tais problemas? Como organizar toda essa desordem diante de tamanho progresso? – A maior parte da elite intelectual afirma que a solução se encontra na escola e na educação industrial. Mas, o que é a escola? – O funcionalismo responderia que a escola é o lugar onde se aprende e apreende o conhecimento. A escola é o lugar o qual será passado um método de aprendizagem. Todavia, pretendo ir muito além do conceito decorado pelos pedagogos e especialistas, porque a escola é uma empresa que tem um gerente conhecido como o Diretor. Nela, existem os gerentes de produção, os Coordenadores; os técnicos de produção, os Professores; o departamento de recursos humanos, os Orientadores Pedagógicos e de Educação; e o produto, o aluno. A função da escola, na consciência social, é qualificar o indivíduo para que o mesmo escolha uma profissão e viva dela, sendo inserido numa realidade egoísta, em nome do social. Em suma, a escola, na prática, tem o dever de preparar o indivíduo para ingressar à sociedade. O aluno estudará, em média, doze anos de sua vida, acreditando na ideia de que a escola é uma etapa e que a universidade será a resposta de todos os problemas. Isso acontece, porque a sociedade brasileira ainda mantém aquela ideia aristocrata do título de doutor bacharel. É como que se o título de bacharel pudesse abrir todas as portas da sociedade, quando, na realidade, é somente um título sem qualquer sentido fora do mundo acadêmico-científico.
A escola, como toda empresa, investe em projetos e metodologias de ensino no intuito de melhorar a produtividade e os lucros. No caso da educação, essas ideias são inspiradas nas teorias interacionistas que detectam, nos primeiros períodos de vida da criança, as características cognoscitivas e suas aptidões naturais de liderança e relacionamento em grupo. Hoje, na escola, a criança já é educada como um membro duma corporação multinacional que ainda não existe. E assim, a educação brasileira vai preparando os engenheiros, os arquitetos, os médicos e outros profissionais do futuro.
A questão clássica e aristotélica é que a escola deveria ensinar a arte de filosofar e de conhecer o mundo, pois, quanto maior o conhecimento, maior será o poder de influência e de decisão do indivíduo. A escola deveria auxiliar na formação do cidadão, passando-lhe a qualidade de seus direitos e deveres. A escola deveria formar cidadãos para o mundo e não para a universidade. Mas tal iniciativa caminha contra a ideia do mercado. Então as pessoas se iludem com o diploma e as escolas se iludem com as pessoas, pois o fingimento deve ser integral para tornar o fato real. Assim, a instituição investe na aparência dos edifícios, na fachada das bibliotecas, nos uniformes dos alunos e dos professores. Afinal, estamos inseridos numa cultura de imagem que deverá atender ao indivíduo e não ao social, pois, se fosse o contrário, o mundo não seria o que é e nós não seríamos o que somos, seres egoístas sem a consciência de nosso dever como cidadão para com a coletividade. “Conhecer para ganhar dinheiro”. Diga não ao conhecer por conhecer. E feliz será o professor que conseguir quebrar as barreiras culturais e empresariais, pois ele viverá feliz por produzir em nome de algo maior do que si próprio: – Educar para formar cidadãos de alma de ouro, seres autônomos e pensantes por eles mesmos. Cidadãos que criarão cidadãos, que cuidarão da sociedade.
Sobre os pais, não terei muito a dizer, pois o tempo deles está ficando cada vez menor. Torna-se necessário trabalhar mais para manter o padrão de renda da família. Por causa da ganância, os filhos se tornam visitas dos pais. Os professores são obrigados a exercer a função ausente da família. Mas como educar e amar crianças tão distintas em tão pouco tempo? Logo, a criança perde o afeto, o respeito à tradição e a família. O Estilo de vida globalizado destrói até as raízes culturais daqueles que tem muita ganância por poder e dinheiro. Entretanto, o professor é professor. Ele não tem o dever de pai, mas, tão somente, de cidadão. Mas quem cuidará das famílias no futuro? O Estado que não conseguiu cuidar de si próprio até agora? Sem dúvida alguma, a escola deve ser um lugar de alegria e conhecimento. Os pais devem voltar para os lares e cumprir a obrigação legítima com suas famílias. Os professores deverão ser somente professores, pois eles também são ou serão pais. Afinal, quem herdará essa nação? – Os escravos que deveriam ser tratados como cidadãos, os homens e mulheres que deveriam ter as mesmas oportunidades e escolhas, mas que ainda não descobriram tal potencial, porque, em seu íntimo, eles desejam atender seus próprios anseios e os sonhos do filmes americanos. Eles são escravos de filmes e de ideias que nunca lhes pertenceram… E assim, todos deixam de ser heróis, para se tornarem bandidos, corruptos e marginais de sua própria cultura. Por isso, meu caro leitor, pense bastante nos conceitos de LIBERDADE, CIDADANIA, PAÍS, NAÇÃO, EDUCAÇÃO e FAMÍLIA… Pense naquilo que você é, e não, naquilo que desejam que seja: – Um fantoche, um escravo que montará carros e que, provavelmente, não terá nenhum; porque não consegue enxergar o mundo além dos olhos do operário ou da geral do estádio maracanã.
Onde estão os gregos com o Liceu e a Academia? Onde estão os gênios literários e a arte indefinida? Não vejo novidades, além das instituições e suas respectivas pessoas jurídicas. Talvez, os gregos e os gênios estejam se perdendo na linha de montagem, ou tomando a sagrada cerveja diária. E assim, a sociedade brasileira terminará na miséria do alcoolismo e do colesterol.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior