Padre Eduardo Braga.

Padre Eduardo: – A Bíblia e você

“É bem verdade que, desde o início da história, o homem anda em busca de Deus. Este desejo de ir além da matéria já está inscrito no coração do próprio homem desde o dia em que foi criado. Sozinho, porém, o homem não consegue chegar até Deus, e por isso que “aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-se a Si mesmo e tornar conhecido o mistério de sua vontade, pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina” (Dei Verbum 2).

Deus veio até nós, Deus nos falou. Usou palavras humanas. Através das Escrituras Sagradas, Deus continua vindo ao encontro de Seus filhos e falando com eles. Deus Se revela na Sua Palavra! A Palavra deve ocupar um lugar central na vida espiritual de cada crente. Não é possível ser conduzido por Deus sem a docilidade à Sua Palavra! Como entenderemos Seus Planos longe Dela?E ninguém pode compreender esta Palavra se não for amigo do Espírito Santo!

Qual o lugar da Palavra na minha vida? Ela me orienta verdadeiramente? Comungo-a diariamente? Coloco-a diante de mim como bússola e luz? Sinto fome e sede Dela?

Tudo isso depende da fé! Sim, a fé é a resposta do homem a Deus que Se revela! Pela fé, a Bíblia não é apenas um Livro, mas uma Pessoa! A fé é nosso céu na terra, nossa luz na escuridão. A Fé é o sacrifício de si mesmo a Deus, a aceitação integral da verdade de Deus na própria existência. Como não pensarmos aqui em Maria, modelo de vida na Palavra? Nela, a Palavra gera tudo. Nela, a Palavra habita em plenitude pedindo confiança e abandono. Este é o segredo para viver segundo a Palavra: Deixar que a Palavra revele e realize em ti os sonhos de Deus! A alma que ouve outra palavra ou procura outro caminho engana-se e perde-se!

Reina entre nós uma grande confusão de vozes humanas. E quem as distingue da Voz de Deus? Poucos são os que escutam Nosso Senhor! A todo homem, que Cristo chamou para o Seu Reino pelo santo batismo e tornou capaz de participar do sacerdócio comum, recebe a vocação de cooperar com o mistério da salvação para que a graça seja conhecida e brilhe no mundo inteiro. Precisamos, portanto, de amantes e anunciadores da Palavra! O missionário foi alguém que, por primeiro, foi ferido pela Palavra que o chamou. Que a Palavra novamente nos encante, nos toque, nos oriente e transforme. Que aconteça a tão sonhada primavera bíblica esperada após o Concílio Vaticano II. Que a Palavra volte a estar no centro da nossa vida e da vida da Igreja, em nossas decisões particulares e comunitárias.

Vejam o que o Santo Padre pôs no Twiter do último dia 21: “Uma leitura diária do Evangelho nos ajuda a vencer o nosso egoísmo e a seguir decididamente o Mestre Jesus”.

Que, neste mês dedicado à Sagrada Escritura, o Espírito do Senhor nos inspire novamente a conhecê-La, meditá-La e vive-La. Boa aventura espiritual com a Palavra!”

 

Pe. Dudu

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Rio Bonito, Tanguá e Itaboraí não possuem farmácias 24 horas, deixando a população à deriva

Estou extremamente chateado como cidadão e morador de Rio Bonito. Muitos pensarão que o tema será político, mas não o é. Hoje, segunda-feira (31/08/2015), minha filha foi muito bem atendida no Hospital Regional Darcy Vargas, por causa da bronquite e da gripe típica desta estação. Até ai, tudo bem. O problema começou, quando fui comprar os medicamentos na Drogaria Alexandre, às 00:10 horas. As portas já estavam baixadas e com um aviso do não atendimento no horário das 00:00 às 07:00horas, em respeito ao cliente. Em suma, deste momento em diante, eu sai, como desesperado, em busca de uma farmácia que atendesse 24 horas. O resultado me deixou mais assustando ainda, tendo em vista que Rio Bonito, Tanguá e Itaboraí estão à deriva por parte do atendimento das Farmácias no horário de pico, na madrugada.

Enfim, após percorrer 53km, a farmácia em funcionamento 24 horas, mais próxima de Rio Bonito, foi localizada no bairro de Trindade, em São Gonçalo. Ela se chama Apollo 10, com o telefone (21)2603-4634. O atendente foi muito atencioso e solidário, ao contrário dos atendentes em Rio Bonito.

Em nome da crise econômica, com tantas farmácias e drogarias em Rio Bonito e no circuito Rio Bonito – Itaboraí, não havia uma, sequer, aberta. Eles, simplesmente, fecharam as portas e deixaram o povo à mercê da sorte, porque nós não podemos agendar a hora que alguém ficará doente. A doença não vai considerar o fato de que o medicamento só poderá ser comprado depois das sete horas da manhã.

Existem perguntas que não saem da minha mente: – Como ficaria minha cabeça, como pai, se eu não estivesse de carro e com combustível para bancar o deslocamento? Quantas pessoas já passaram por isso só em Rio Bonito? Não é possível que, com tantas farmácias e drogarias instaladas na Rua XV de Novembro, ninguém pensou em, pelo menos, sentar e organizar um cronograma diário ou semanal para cada farmácia trabalhar 24 horas, visando o melhor pela cidade?  Onde está o poder público para regularizar tais serviços, que são essenciais? – Por fim, mais uma vez, Rio Bonito, Tanguá e Itaboraí acabaram de demonstrar que o conceito de qualidade de vida é ter nada, porque eu só consegui garantir o tratamento da minha filha com deslocamento até São Gonçalo. O governo municipal da região participa das passeatas, objetivando forçar a Petrobrás e a União a retornarem as obras do COMPERJ, com o restante dos 18%. Entretanto, salvo os aluguéis fora da realidade e a especulação imobiliária, que se transformou numa enorme bolha, a região não se preocupou, sequer, em manter um padrão mínimo de cuidados e qualidade de vida da população local.

Nadelson Costa Nogueira Junior

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A família é o verdadeiro legado da existência humana

Há sete atrás, quando tomei consciência de que seria pai, eu já tinha abandonado o cachimbo e o charuto. O álcool já não fazia parte da minha vida, porque minha esposa não bebe, logo, achei prudente abrir mão, visando que os barcos andassem, lado a lado, no mesmo oceano. De forma inconsciente, eu já tinha tomado a decisão de sacrificar toda minha existência pela minha família, objetivando o melhor para minha única filha.

A maioria das pessoas mede seu legado pelo dinheiro e patrimônio constituído em vida. Talvez, isso aconteça, porque há uma programação social, baseada no status e no ponto de vista majoritário de que todos possuem um preço. Assim, coisificamos as pessoas, ou personificamos as coisas. Seguindo a corrente minoritária, eu optei centralizar minhas energias na minha filha, porque ela é e sempre será o melhor de mim, tanto nos erros quanto nos acertos. Quero que ela tenha uma educação livre, mas que conheça os valores e as tradições. Desejo que ela conheça e pratique a caridade, sem querer qualquer coisa em troca. Desejo, do fundo do meu coração, que minha filha tenha esse sorriso lindo em sua existência, e que se lembre de mim como um bom exemplo, porque esse será o máximo do legado que poderei deixar. E que D-us me “dê a honra de ver o filhos dos meus filhos e a paz sobre Israel.”

O mundo é uma grande ilusão. O problema é que a maioria só percebe isso, quando já está do outro lado da vida, quando as certezas e verdades pessoais se perdem na profundidade da gravidade e da ausência do tempo, como o conhecemos.

Enquanto a maioria acumula bens, optei por abandonar o desncessário no oceano, para que as lembranças sejam menos carregadas de objetos, valorizando a emoção e as pessoas. Compreendi, aos 39 anos de idade, que a bagagem, em excesso, pesa, faz a gente perder o foco e, ainda, pode provocar o naufrágio de um dos barcos. Por fim, desacelerei meu barco, para acompanhar a velocidade da navegação da minha filha e esposa. Não preciso ter pressa para chegar ao horizonte, porque essa é uma armadilha, quando se vive numa esfera imperfeita, que circula em volta do sol e em torno do seu próprio eixo.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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Quando a cadeira do dentista se transforma em terapia e amizade

10003760_434039870061314_927412383_oDesde criança, meus poucos dentistas já falavam que minha arcada dentária era resistente e ajustada.  Na verdade nunca entendi a diferença que tais conceitos fariam na minha vida. O fato é que, normalmente, eu visitava o dentista uma vez por década e só para fazer a famosa limpeza ou a assepsia bucal, depois da minha juventude e autonomia.

Após a queda de uma obturação, provocada pela imprudência em degustar um quebra-queixo, fui obrigado pelo destino a procurar o dentista. Entretanto, existiam várias variáveis desfavoráveis à continuidade com meus dentistas anteriores, tendo em vista que o primeiro da lista faleceu há 08 anos, enquanto que os outros deixaram Rio Bonito e só atendem no circuito Rio de Janeiro e Niterói. A única dentista, que poderia me dar a garantia de um tratamento qualitativo e humano, estava em crise de hérnia de disco e não poderia me atender.

A necessidade, cumulada com a dor na hora das refeições, me compeliu a inovar e quebrar as regras da confiança e da garantia. Assim, eu abri a lista dos dentistas credenciados ao Bradesco Saúde e Dental, visando encontrar um nome que preenchesse minhas necessidades, sem que tivesse que me deslocar ao Rio de Janeiro. Foi quando apareceu o nome da dentista ROSILENE CASTRO SILVA, cirurgiã dentista, inscrita CRO sob o nº28375 RJ, com consultório na Avenida Manuel Duarte, nº1750, Bela Vista, Rio Bonito – RJ. Literalmente, “a necessidade fez o sapo pular.” E eu pulei.

Fiz o contato telefônico e fui prontamente atendido pela secretária Bruna. A doutora Rosilene conversou comigo ao telefone, me encaixou no mesmo dia, realizou o orçamento e deu inicio ao tratamento para minimizar minha dor.

No decurso do tratamento, eu ficava fascinado com técnica utilizada pela dentista e sua assistente, que trabalham num sincronismo comum nas áreas da engenharia, tais como fulano A1, material M3 e assim foi. Meu tratamento terminou de um lado, enquanto que fiquei tão satisfeito e realizado, que levei minha família para fazer o Check-up. E, mesmo com toda a técnica e sincronismo no tratamento, devo dizer que nunca tinha visto uma dentista tão humana e praticante da empatia, como a Rosilene, salvo a Dr.ª Liliane. Ela conversa com o paciente, quando permitido, trocando ideia, aconselhando, e se transformando numa amiga. Acho que essa é a maneira certa de terminar o presente texto: – A obturação me permitiu aumentar minha rede de amigos e contatos.

Rosilene e Bruna, muito obrigado, por vocês humanizarem o tratamento e a relação com o paciente. A cadeira do dentista saiu da categoria tortura e foi elevada à categoria terapia, transformando-se numa espécie de divã tecnológico.

Em tempo, minha dentista anterior utilizava a mesma metodologia, logo, o destino me permitiu a continuidade de um modelo de humanização, que precisa ser mais praticado, porque é necessário se colocar no lugar do outro, praticando a empatia. Liliane, também sinto saudades suas.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

Padre Eduardo Braga.

O trabalho e a festa na família

“Papa Francisco, recentemente falando às famílias, discorreu sobre dois aspectos da vida familiar: o trabalho e a festa. Nestas suas Catequeses (12 e 19 de agosto), ele convida homens e mulheres, pais e mães de família, a redescobrirem a verdadeira alegria da festa e a restituírem o verdadeiro sentido e fim do trabalho.

“A festa é uma invenção de Deus!”, disse o Papa Francisco. A alegria de celebrar os bons momentos, o lazer saudável em família, descanso e pausa que revigoram a mente e o corpo, estreitam os laços familiares, e dão ânimo novo para a caminhada. “A festa é, antes de tudo, um olhar amoroso e agradecido sobre o trabalho bem feito”, continua o Papa. É um tempo sagrado porque nos recorda que, feitos à imagem e semelhança de Deus, que não é escravo, mas Senhor do trabalho, nós também o somos: o trabalho precisa estar a serviço do homem, não o homem a serviço do trabalho!

Sobre o trabalho, o Papa Francisco afirma: “Trabalhar — repito, nas suas mil formas — é próprio da pessoa humana. Exprime a sua dignidade de ter sido criada à imagem de Deus. Por isso, diz-se que o trabalho é sagrado.” Sim, o trabalho é sagrado, Jesus mesmo, vindo de uma família de trabalhadores e conhecido como o “filho do carpinteiro”, o elevou a esta condição quando disse: “Meu Pai trabalha sempre, e eu também trabalho” (cf Jo 5, 17b).

Todos nós já experimentamos a satisfação de realizar um trabalho bem feito, e, ao final do dia, poder dizer: cumpri a minha missão! Mas é preciso que homens e mulheres não escravizem e nem se deixem escravizar pelo trabalho, como meio de garantir o acesso ao consumo desmedido. É justo que do trabalho o homem retire os recursos para manter a família, para criar os filhos, para garantir uma vida digna a quem mais ama. Este é o fim do trabalho, a destinação que Deus a ele conferiu quando foi o primeiro a “trabalhar” para proporcionar ao homem, Seu filho, uma morada agradável, bela, que contivesse todos os bens e frutos necessários para sua sobrevivência e realização. O primeiro “trabalhador” foi o próprio Deus! Trabalhou e continua trabalhando pelo bem de uma multidão de filhos! E não é assim com os pais e mães de família que trabalham e servem aos seus filhos? Não é bonito o labor destes pais e destas mães que chegam em casa com o pão sagrado que obtiveram como fruto de um trabalho honesto? “Isto é bonito demais!”, falando com o “estilo” de Francisco.

No labor ou no descanso, desejo que as famílias jamais desmereçam o valioso dom que Deus lhes concedeu: o dom de ser família, geradoras de vida, transmissoras da fé, santuários de amor, lugar de perdão e de encontro. E para viverem esses valores fundamentais, Deus precisa estar no centro da vida de cada um de nós, ser Aquele a quem amamos verdadeiramente acima de todas as coisas, porque, centrados em Deus, tudo o mais estará colocado em seu lugar devido. Ele mesmo ordenará nosso pensar, nosso agir e nosso sentir, dando o equilíbrio e mostrando o sentido de cada uma das dimensões de nossas vidas.

Que as famílias redescubram o verdadeiro valor e fim do trabalho e da festa. Que lhes seja assegurado o trabalho digno e honesto. Que o lazer seja celebrado em família com o coração alegre e agradecido, como um presente precioso de Deus. E que em ambos os momentos saibam que tudo lhes foi dado por Deus e que a Ele devem oferecer todos os seus frutos!”

Padre Dudu

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EM GOTAS I

“Controle da Administração Pública: A Cidadania como ameaça.

Dando origem a continuidade das nossas contribuições ao aperfeiçoamento espontâneo da comunidade, elegemos neste ensaio a abordagem mais uma vez do controle da administração pública, mas sob o viés da informação, instrução e educação.

Dizia Ulysses Guimarães que o político só tem medo é do povo na rua, querendo obviamente se referir a protestos e manifestações em torno de causas legítimas, muitas delas legitimadas pela arrogância, pelo desmando e pelo absurdo dos acontecimentos, mas que só vêm à tona quando divulgados pela imprensa.

Não obstante, poderíamos aduzir, com o maior respeito ao Ícone da luta pela redemocratização do Brasil, que a coisa que o político tem mais medo é de cidadão; povo instruído por assim dizer.

Lao Tse afirmava que manter o povo na ignorância era o caminho da salvação.

Claro que não me refiro genericamente aos “políticos” como um ente despersonalizado. Se me faço entender, o “ser político”, sim esse…”NÓS”, mas “ÀQUELE” por “NÓS” instituído que aliena, lamentavelmente, o mandato. Perdoem-me a falha: O MANTADO (agora sim em letras garrafais).

Bem, vamos partir para a primeira crise ou indagação: a quem pertence esse MANDATO? Ou essa PROCURAÇÃO em branco que outorgamos solenemente, a cada eleição. A quem?

A Constituição da República de 1988 estabelece logo no seu primeiro artigo, parágrafo único, que o poder emana do povo, mas que será exercido por seus representantes.

Prefiro abordar o ser humano em grupo, permitam-me.

A ciência mais útil e pertinente ao objeto desse ensaio é a “ciência política”, não obstante o reconhecimento a enorme contribuição da antropologia, sociologia, direito…e a Educação se apresenta então como um dos pilares da construção comunitária.

Distribuída em diversas frentes; posta em métodos; querida sem desejo por uma população ordenada, mas incapaz de se auto-instruir, a Educação passa muito ao longe do que imaginamos como um ponto básico de cidadania.

A “Escola” mais se aproximou do que a comunidade com suas defecções impostas pela mídia determinou, do que poderia ser como um refúgio da ignorância.

Assistimos perplexos, mas muito comodamente, a derrocada da maior instituição construída pelo ser humano: a Família, senhora das virtudes e mãe dos virtuosos.

Nesse contexto é que devemos buscar soluções; conceitos; cidadania posta.

O controle da administração pública passa por lições importantes de ciências como a jurídica e da própria administração, mas fundamentalmente por um dever cívico de conscientização.

A República, por sua vez, demanda uma conduta lisa, proba e objetiva.

Se juntar tudo o que se pode colher das experiências, vou me deparar com desafios importantes e que talvez determinem e reinvenção de uma postura.

A cidadania nasce já na Grécia antiga, quando se observava se um ser humano era cidadão ou não de acordo com o seu grau de autodeterminação. Ou seja, se era livre era também cidadão; se escravo, era um não-cidadão.

Daí parte-se para uma outra questão: se o poder de cidadania é exercido por um representante, a quem pertence esse MANDATO?

Ou seja: a quem pertence esse MANTADO?

Seria legítimo ou espúrio utilizar a “NOSSA PROCURAÇÃO”, ou aliená-la?

Seria aceitável contemporizar com eventuais atitudes que renunciassem a tais premissas?

Estamos diante de um grande paradoxo: ser o poder ou não ser o poder? Eis a questão!

O que entendo não ser possível é admitir que um mandatário aja em desconformidade com os precisos limites do poder que lhe foi outorgado;

O que entendo não ser possível é admitir que alguém em nome próprio, aja em nome de uma coletividade em detrimento dos seus interesses legitimados pelo coletivo e pela ordem jurídica;

O que entendo de República é que devemos renunciar a anseios egoístas em favor de outros coletivos, embora não sejamos um exemplo magistral de coletivismo;

Assistir passivos ao linchamento da HISTÓRIA de uma coletividade representada por uma Cidade, por força dos desmandos ou devaneios capitalistas e individualistas de um cidadão, é assumir juntamente com este a responsabilidade de estarmos apagando a história de tantos riobonitenses que bem ilustraram a nossa verdadeira História.”

 

Prof. Msc. César Gomes de Sá

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Cada vez que levo minha filha à praça do Green Valley, volto diferente

Sair para passear numa praça qualquer, admirando os pássaros, os cachorros, as árvores e a criançada, com seus brinquedos, essa é uma experiência simples, cotidiana e interessante.

Numa praça, com árvores, animais, brinquedos e crianças, as famílias aprendem o óbvio: – A convivência social entre amigos e estranhos, sendo as relações baseadas no respeito.

As crianças, na busca da distração e do companheirismo para as brincadeiras,  interagem e aprendem, independentemente do nível da intimidade. Logo, muito mais que as brincadeiras, a experiência da visita à praça se torna maior e distinta uma da outra. Simplesmente, porque a criança se reconhece na outra e se encontra na busca pela experiência e pela compreensão do mundo.

Os adultos tem muito que aprender com as crianças, porque eles crescem, se tornam seres egoístas, arrogantes e prepotentes, cheios de si, de suas certezas e verdades. Eles precisam aprender a simplicidade de tirar a areia dos pés e do joelho, de compartilhar o amor e o carinho.  O problema é que ser adulto é acreditar em certezas pessoais, enquanto que ser criança é abrir mão de tudo isso, porque, para elas, conhecer o outro, na busca de si, é o mais importante.

No final, ir à praça do Green Valley é mais que um passeio ou uma brincadeira, porque voltamos ao tempo em que éramos ingênuos e puros. É isso que eu aprendo com a Sophia, todos os momentos.

Que, ao contrário do que foi comigo, a vida seja a praça da experiência contínua para minha filha.

É bom aprender com os filhos, porque, quando se está numa praça, todas as crianças se tornam nossos filhos, pois foi dessa forma que a natureza quis e as crianças compreenderam.

E assim, cresço diariamente com minha família.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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O Lona na Lua apresenta “A Terra de Oz”

A Terra de Oz, no Lona da Lua.Hoje, quando fui buscar a Sophia na Escola Criar, fui surpreendido com os personagens da peça “A Terra de OZ”, da equipe Lona na Lua. As crianças estavam fascinadas com a aproximação com o Leão, o Homem de Lata, o Espantalho, as Bruxas e a Dorothy.  Não sei se a tempestade e o túnel de vento saíram do Kansas e passaram pelo CRIAR, levando a escola para o mundo do Mágico de OZ. Entretanto, a Terra de OZ está em Rio Bonito, no Lona na Lua, e será apresentada no próximo fim de semana, dias 22 e 23 de agosto, às 19:30h. O Ingresso será R$15,00. Logo, não percam. Permitam-se a fantasia e o sonho em família.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior 

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Jargão

O jargão corresponde à linguagem duma categoria ou estrutura social, que possuem vocábulos e conceitos próprios, cujos membros se relacionam no mais alto nível de comunicação.  E assim, se faz com os praticantes da medicina, da engenharia, da veterinária, e principalmente do mundo das ciências jurídicas; criando compêndios literários de doutrinas, termos técnicos bilíngües e totalmente incompreensíveis ao cidadão que está utilizando o serviço prestado.  Isso acontece, porque o jargão foi feito para proteger a categoria na idade média e se estendeu, em nossa sociedade, até a atualidade; dificultando, inclusive, a relação científica entre especialistas de categorias distintas!  Imagine como deve ficar a pobre cabeçorra duma pessoa que, sequer, possui o vocabulário acadêmico?  Mas, o fato é que o jargão, na prática, fora criado para tal objetivo e somente isso, pois as categorias existem há séculos ou milênios, enquanto que o conhecimento científico e sua metodologia são crianças perante a maturidade prática dos ofícios.

Todavia, como na natureza humana quase tudo se copia, o jargão saiu dos ofícios, das profissões e do mundo acadêmico-literário, para invadir o asfalto; criando a gíria, a diminuição dos períodos e das frases, a desobediência gramatical e, principalmente, as palavras de baixo calão ou palavrões, cuja beleza é perfeita, uma vez que é nesse instante que vimos a massa criando sua própria linguagem ou seu próprio jargão, desde o morro até as praias, desde as elites até os mendigos.  Logo, tratarei o vocábulo “filha da puta” com o mesmo respeito técnico da palavra “desoxirribonucléico”; porque a gíria de hoje se tornará à norma culta do amanhã.

 

 Nadelson Costa Nogueira Junior

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Os Bardos

Quero deixar de ser o cavaleiro que o sou.

Quero muito aprender a tocar banjo ou flauta

Quem sabe violino ou tambor!

Assim, transformaria o desastre em arte…

Exaltaria a coragem dos vivos durante o combate

E evocaria a lembrança dos mortos e de seus feitos.

 

Pelas tavernas, me embebedaria com os anões…

Enquanto aumentaria as estórias, os aplausos e as moedas.

Tocaria no intuito de iludir e fantasiar a todos…

Desde os humanos até os elfos…

Escutaria comentários aqui e ali…

Formando uma escolástica de informações.

 

Dormiria e acordaria nas tavernas.

A estrada seria meu destino.

Conheceria todos os lugares e culturas.

Conheceria o real e o imaginário…

O lúdico e o impossível.

Nos momentos de saudade dos amigos,

Visitaria seus respectivos túmulos;

Enquanto que trovas, ali, nasceriam.

 

Meu banjo choraria de alegria e de tristeza.

Minha alma seria como um andarilho…

De festa em festa…

De bosque em bosque…

De praça em praça…

De taverna em taverna.

Em situações sublimes e raríssimas,

Tocaria a alma dos apaixonados no matrimônio puro.

 

Todo bardo é assim:

Sem teto próprio;

Sem grilhões afetivos;

Muito sorriso e brilho nos olhos…

Para essa categoria, não há tempo ruim;

Mesmo quando seu lado é derrotado.

Pois a música e a arte não têm lado ou religião…

São ofícios errantes que todos necessitam.

Logo, o mundo está para o bardo,

Assim como, a pena está para o poeta.

 

 

 

Todavia, após muito refletir…

Conclui que bardo não quero mais ser;

Pois os guerreiros têm trovas e cortejos fúnebres.

Seus nomes são lembrados e honrados na genealogia.

Suas espadas se transformam em cruzes…

Ou são herdadas aos seus filhos.

Não gosto da idéia de visitar túmulos…

Ou de tocar durante o recolhimento dos corpos.

Se for para tocar alguma coisa,

Que seja, somente,  no átrio de minha casa.

 

Fatalmente, nunca presenciei qualquer enterro de bardo.

Se algum já aconteceu diante de meus olhos,

Passou-me totalmente despercebido!

Talvez, essa seja a sina do bardo:

– Viveu tanto a alegria e a música em vida,

Que sua morte se torna silenciosa por necessidade.

Talvez, a natureza artística exija isso de seu praticante,

Ou realmente a classe seja totalmente desunida.

Talvez, sejam todas as suposições…

O fato é que também nunca vi um banjo dormir…

Talvez, o bardo consiga a dádiva de ter filhos,

Mesmo, jamais tendo procriado de fato…

Esse é o grande mistério da arte,

Que a guerra jamais conseguirá compreender.

 

 

Nadelson Costa Nogueira Junior