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A conta de luz se tornou a galinha dos ovos de ouro no Brasil e na Argentina

Embora, Macri tenha materializado o rompimento ideológico com a esquerda dentro da Argentina, as fórmulas utilizadas no país vizinho estão sendo aplicadas no formato semelhante ao Plano Real em 1994, mesmo mantendo o marketing da política cambial singular e distinta no continente. E assim, com o discurso contrário à prática, o governo argentino depende do Brasil, tanto na garantia da sua carteira dos contatos e contratos no exterior, bem como, no setor energético, tendo em vista que a malha elétrica argentina não consegue atender a demanda, principalmente, no quesito geração de energia. Em suma, sem energia, não há força para movimentar a indústria, a sociedade e a economia. Logo, o Brasil passou a enviar seu excedente energético ao país vizinho, uma vez que o setor industrial teve a retração no consumo interno em 6%, podendo chegar aos 9% com o fechamento das usinas siderúrgicas e a alteração logística no setor automobilístico.

Macri cortou os subsídios que mantinham considerável parte das empresas distribuidoras de energia elétrica dentro do território argentino, provocando o aumento, aproximadamente, em 600% na conta de luz, cujo custeio será bancado pelo contribuinte. E dessa forma, os argentinos já mudarão o discurso sob a nova ótica governamental em seu país. Mas, a decisão não prevê somente a economia com o dinheiro público, tendo em vista que a Argentina está mais conectada com o governo Brasileiro do que a própria mídia está divulgando, enquanto que o modelo da cobrança e da fiscalização no serviço de energia do nosso país é totalmente ajustável à necessidade da Presidência da República, não necessitando do Congresso para autorização no aumento das taxas e tarifas, salvo a Agência fiscalizadora de energia elétrica, o que constitui uma espécie de plano dois para a tapagem dos buracos nas contas públicas e na própria balança comercial, cuja dinâmica é silenciosa e imperceptível ao consumidor.

O modelo é simples e está dividido nas cores verde, amarelo, rosa e vermelho. Quanto maior é o consumo, maior será a tarifa, enquanto que o governo arrecadará mais dinheiro, alegando o estado de emergência energética, cujo conceito é relativo e depende da opinião do próprio governo para tal. Logo, se pegarmos 56.595.007 dos domicílios com energia elétrica, conforme o SENSO 2010 – IBGE, sob a bandeira tarifária vermelha, obteremos o quanto médio de R$ 509.355.063,00 ao mês, sem as alíquotas que podem chegar a 29% e demais taxas, dependendo do padrão no consumo. Isso quer dizer que o Brasil arrecadará R$6,0 bilhões só com o sistema de bandeiras, já com a redução para o acréscimo dos R$4,50 para cada 100Kwh.

A lógica indica que Macri copiará o modelo tarifário brasileiro, transferindo a despesa para o contribuinte, além do governo obter a arrecadação direta sob o serviço.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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