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A Novidade no Vaticano e no Ocidente.

Desde 1929, quando foi oficialmente criado o Estado da Cidade do Vaticano, ou simplesmente Vaticano, sendo o ato materializado pelo Tratado de Latrão, a Igreja Católica passou a ter sua representatividade como país, 486483_439864089425081_1668687398_ncom direito à emissão dos passaportes diplomáticos, passaportes comuns, a nomeação dos embaixadores, bem como o exercício pleno administrativo e estrutural de qualquer outro Estado Moderno ou Republicano.
A criação do Vaticano trouxe à Igreja Católica e ao catolicismo a representatividade de país e território, enquanto que o mundo passava a reconhecer a Igreja como membro completo da Liga das Nações, que se transformou na atual ONU (Organização das Nações Unidas).

Todavia, muito antes de 1929, já há quase dois milênios, o cristianismo estava em atividade forte e global, tanto no ocidente quanto no oriente. A formalização da Igreja Católica, como a conhecemos até os dias atuais, teve inicio no Primeiro Concílio dos Bispos Cristãos Reunidos em Niceia, historicamente conhecido como Concílio de Niceia, em 325 D.C, que foi a primeira tentativa de obter um consenso da igreja, através de uma assembleia representando toda a cristandade. Neste concílio, foram estabelecidas as questões cristológicas entre a santíssima trindade; a construção da primeira parte do Credo Niceno; a fixação da data da Páscoa; e a promulgação do direito canônico.

Muito antes do Vaticano existir ou do mesmo se tornar um Estado Moderno e soberano, a Igreja Católica já exercia sua unidade, seus princípios e sua missão, através da Santa Sé, que é a alma que incorpora e dá sentido às paredes e muros dos monumentos do Vaticano, incluindo seus jardins e patrimônio. Logo, é correto afirmar que o conceito do Vaticano se aplica ao território, enquanto que a Santa Sé se delimita desde as relações diplomáticas até a presença de cada fiel católico em qualquer localidade no mundo, tendo em vista que não há possibilidade de se exercer o catolicismo sem a presença do sacerdócio ou de um padre, que é exatamente o posto inicial na hierarquia escolástica, e, sem dúvida alguma, a função mais importante de toda a Igreja, tendo em vista que a condição do sacerdócio estabelecida ao padre é contínua e se perpetua em todas as atribuições exercidas dentro da jurisdição da Santa Sé.

O Papa ou Sumo-Pontífice é o representante direto da autoridade da Igreja, tanto no Vaticano quanto na Santa Sé. Todavia, a atuação de Sua Santidade vai muito além do território do Vaticano ou até mesmo da própria Santa Sé, tendo em vista que a Igreja está presente dentro da maioria das nações do mundo, enquanto que, naquelas que não há uma representatividade forte da comunidade católica, tanto seus Chefes de Estado ou de Governo não podem ignorar a força diplomática e histórica que lhe foi investida. Logo, é correto afirmar que o Papa é como uma espécie de pai para todos os católicos, trazendo-lhes a ternura, o amor, a bondade, o conforto e a disciplina.

Existem aqueles que comparam o Papa aos reis. Todavia, essa comparação é errônea, tendo em vista que o Papa é oriundo de um conclave, o que subentende a ideia da escolha livre de um lado e da materialidade do voto do outro por parte dos cardeais membros. O Papa não assume a responsabilidade do exercício da autoridade que lhe foi investida porque seu pai foi Papa ou Rei, muito menos a escolha não se fundamenta no rio sanguíneo ou nobre para uma linha sucessória. Em suma, aos olhos mais coerentes, a Igreja, talvez, seja a instituição mais democrática dos últimos séculos, tendo em vista que cardeais de todos os continentes e da maioria das nações do mundo participam do conclave.

Na última quarta-feira, 13/03/2013, o conclave anunciou, através da fumaça branca, a escolha do novo Sumo-Pontífice. A expectativa da escolha era um fenômeno global, que afetava, inclusive, as nações da Europa, diretamente. Os analistas políticos não se atreviam em afirmar quaisquer possibilidades do nome na sucessão papal, tendo em vista que o conclave é realizado às portas fechadas do mundo, enquanto que qualquer cardeal, com direito a voto, poderia se candidatar. Todavia, havia uma expectativa maior por parte dos italianos, que possuem uma tradição no Papado; dos brasileiros, que são a maior nação oficialmente católica do mundo; e dos africanos, tendo em vista que a África é considerada o maior campo de catequese no momento, enquanto que as questões econômicas e diplomáticas entre a Europa e a África ficariam muito mais fáceis com a presença de um Papa de origem africana. A imprensa especulou até o último momento.

O novo brasão indica a unidade entre o Vaticano e a Santa Sé.

O novo brasão indica a unidade entre o Vaticano e a Santa Sé.

Quando o mundo esperava o anúncio de um Papa de origem italiana, brasileira, africana ou norte-americana, em função do posicionamento da Imprensa e da própria opinião pública, o resultado foi fascinante e, sem dúvida alguma, com total providência divina: – Sua Santidade, JORGE MARIO BERGOGLIO, com 76 anos de idade, argentino e jesuíta, para tornar o processo totalmente singular na história do papado, o novo Papa escolheu o nome de Francisco, indicando, desde o início, uma tendência humilde e sem qualquer apego material, salvo a ritualística que exige o exercício da responsabilidade de representar toda a nação global católica.

Num período marcado pela personificação das coisas e pela coisificação das pessoas, onde a aparência tem sido mais valorizada que o conteúdo, desde as questões ideológicas até as notícias do cotidiano. Num período onde as pessoas cobram ações, valores e atitudes do próximo, as quais não lhes são praticadas, onde a ética é falada e pouco exercida, a escolha do novo papa vem como resposta direta ao mundo, por sua formação jesuíta e catequista, tendo em vista que a humanidade precisa se aprofundar mais nas questões éticas e morais, focalizando o bom exemplo para gerar novos exemplos.

A nacionalidade argentina do novo papa não fará muita diferença para o Vaticano, tendo em vista que o exercício do sacerdócio torna seu praticante cidadão do mundo de um lado e subordinado à Santa Sé do outro. Todavia, aos olhos da nação católica, a quebra da tradição dos papas europeus é uma nova perspectiva de aproximação com os demais continentes, com maior valorização da América-Latina, onde há a maior concentração de católicos do mundo. O Papa Argentino aproxima o Mercado Comum Europeu do MERCOSUL e do NAFTA (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio), unifica todo o continente americano, desde o Alasca até a Terra do Fogo, quebrando as fronteiras políticas, as diferenças idiomáticas entre o inglês, o francês, o espanhol e o português. A unificação das Américas, na concepção católica, dará maior suporte econômico aos países do bloco de um lado, enquanto que o próprio Vaticano poderá utilizar a mesma conexão para ampliar seu acesso aos novos territórios da evangelização, aproveitando a esfera econômica catequisar a África e a Ásia.

Há algo em relação ao Vaticano que as pessoas não levam muito em consideração em relação aos demais países: – Enquanto as potências lutam por petróleo, comida, energia e a supremacia política, o Vaticano focaliza toda sua energia na prospecção da fé e do bem comum da humanidade. Se um dia chegarmos à possibilidade de um governo democrático e planetário, o mecanismo só será possível através da Igreja Católica ou com o apoio dela.

Por fim, não poderia terminar, atentando para o fato de que talvez essa seja a primeira oportunidade real, desde a Reforma no século XVI, que o Vaticano tem para apresentar ao mundo o catolicismo global, com a visão além do continente europeu, focalizando a unidade e a cristandade inspiradas no primeiro concílio no século IV, D.C. Enquanto que o maior desafio do atual Papa e de seus sucessores será manter a integridade dos valores, da moral e da ética, num período marcado pelo consumo demasiado das ideias sem profundidade. Em suma, o cristão precisa se redescobrir no exercício da fé, para depois propagá-la ao restante do mundo, através da Igreja e do seu próprio exemplo.

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