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Câmara Municipal de Rio Bonito faz sensacionalismo fantasma para não assumir sua culpa no caos financeiro

57022663-39f9-4392-960a-ba273661e35dAo longo do mandato 2013/2016, o Município de Rio Bonito foi gerido pela prefeita Solange Pereira de Almeida, que tinha a maioria dentro da Câmara Municipal, que ficou sob a presidência do vereador Reginaldo Ferreira Dutra, popularmente conhecido como Reis, por quatro anos consecutivos. Nesse mesmo período, a folha de pagamento saltou dos R$4 milhões, na época do Mandiocão, para R$7,3 milhões por mês, com a máquina entupida de gente, mas com os serviços públicos prejudicados em sua maioria. Conforme os bastidores da política, tinha gente recebendo e sem trabalhar, enquanto que a autonomia dos poderes executivo e legislativo se misturava nas funções, o que levou ao escândalo do último concurso público da prefeitura, que foi noticiado na imprensa nacional, durante o horário nobre.

Na semana que o prefeito José Luiz Alves Antunes (Mandiocão) anunciou o valor aproximado da dívida herdada do governo anterior, no quantum de R$71 milhões, a Câmara Municipal faz a cena do descaso com a sociedade rio-bonitense, demonstrando desconhecimento da situação e ignorando o óbvio, que é justamente o fato de que não houve a correta fiscalização das contas públicas e das suas respectivas pastas, enquanto que permitiram que a ex-prefeita movimentasse os assuntos que eram do interesse do seu grupo político e da própria maioria no Poder Legislativo naquela época, começando pelo próprio IPREVIRB (Instituto da Previdência dos Servidores Públicos de Rio Bonito), que, na prática, se tornou uma extensão da Câmara Municipal dentro do Poder Executivo, priorizando o cabide de emprego, deixando os aposentados em segundo plano.

Para piorar a situação, a Câmara Municipal está fazendo um espetáculo, chamado “Os Caça-Fantasmas”, alegando que o Município não poderia pagar os contratados por força do Decreto de Calamidade Financeira nº004/2017. Acontece que a essência do decreto permite que o Perfeito altere as prioridades da Máquina Pública, obedecendo as regras estabelecidas pela Lei. Todavia, o decreto em questão não proíbe o ente público em proceder o pagamento dos contratos, desde que estejam em sua temporalidade ou validade. Por exemplo, o contratado ou comissionado que trabalhou em dezembro de 2016, ele tem o direito de receber o salário, que deveria ser pago no mês subsequente, que seria janeiro de 2017.  Assim sendo, colocando o sensacionalismo de alguns vereadores e da presidência da Câmara Municipal de lado, acho estranho o espetáculo, que parece mais uma tentativa fraca e sem sustentabilidade para desviar o foco de que os vereadores, que participaram do comando da casa legislativa no último mandato, possuem parcela de culpa e responsabilidade pela situação da calamidade financeira que o Município de Rio Bonito se encontra, tendo em vista que não fizeram o trabalho direito ou se omitiram.

Se a Câmara Municipal insistir nessa linha dos fantasmas, estendendo a auditoria aos anos anteriores, possivelmente, será levantado o número de fantasmas, que daria para produzir os filmes de terror de Hollywood, com direito a vampiro, zumbi, assombração e bruxa. E mais uma vez, os vereadores batem numa tecla, ignorando o fato de que a Câmara Municipal faz parte do problema, sendo, talvez, a maior culpada pelo caos, em função dos apadrinhamentos dentro da máquina pública.

Por fim, a maioria dos vereadores estão batendo no Mandiocão, porque o presidente quer forçar o prefeito a fazer concessões. Todavia, ele não facilitou para Reis antes e não será agora que mudará sua posição, pelo pouco que o conheço.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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