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CARTA AOS EXPLORADORES

Rio Bonito, 19 de setembro de 2010.

Dedicado à Tathiana  e a Sophia, que continuaram por amor, disciplina, fé e caridade.

 

Bússola.

Bússola.

No limiar de uma nova era aos olhos materiais e humanos, vejo-me o quanto fui inaproveitável até o presente momento, enquanto mais nada sou além dum reflexo persistente da vida em querer saciar seus desejos na essência individual.

Muitos dirão que estou vivo e que não há qualquer pertinência na dedicação aos trabalhos e às coisas do espírito.

Muitos afirmarão, sem o menor dó ou tentativa de compreensão, quanto às ideias que se farão manifestas neste documento: – Loucura… Isso tudo é loucura e fruto de sua imaginação.

Mas, a vida é um rio duradouro e contínuo que se propaga pelo infinito, semeando em si e em todos ao seu redor a ideia da pré-existência, da hierarquia das coisas, dos valores e a moral divina. Assim, a consciência coletiva de uma era, de uma dada sociedade, grupo social ou de uma pequenina família, se manifestarão em proporções exatas ao espelho de seu tempo presente. Todavia, não sabem os seres inteligentes e encarnados que sua visão presente mais nada é do que uma reflexidade de um processo passado e contínuo no espírito. Os valores defendidos ou corrompidos durante a eterna viagem pela vida já existiam antes da própria criação, enquanto que se reforçaram na complexa e íntima relação existente entre o criador, a criatura e toda a criação.

Assim, numa relação simbiótica e inseparável do ser material vivo e de sua essência imortal e espiritual, se confundem e determinam as ideias, os conceitos e os atos de uma geração inteira, perpetuando-se por outras e outras, retornando o processo dialético do contínuo.

Como uma fatalidade à cronologia humana, a medição se prende às questões irrelevantes de espaço e tempo. Afinal, de que adianta a medida, se sua aplicação é uma mera medição das coisas, quando o homem se esquece do seu próprio ponto de equilíbrio? – Tudo isso acontece em função do sono inconsciente da matéria e da sobrevivência estabelecida pela própria existência encarnada. Muito mais do que isso, como um dínamo, cada indivíduo propagará e se agrupará aos seus semelhantes, formando uma corrente invisível aos olhos humanos. E o esquecimento vai gerando o suporte contínuo ao próprio esquecimento. A dúvida vai gerando o suporte contínuo à própria dúvida, enquanto que o sono e a negação à terceira revelação do espírito também se propagarão na mesma força de outros tempos.

Durante a minha existência material, lembro-me de pesadelos com pessoas dementes e possuídas por uma vibração densa e ruim. Lembro-me das perseguições e das línguas estranhas que eram expressas em minha mente. Lembro-me dos conflitos armados que aconteciam nas necrópoles e do contraste dos armamentos utilizados, que variavam desde os paus e as pedras até as máquinas mais complexas aos olhos humanos.

Sei que não eram sonhos. Sei que suas lembranças são palpáveis em meus pensamentos e geram um princípio de mal-estar na alma, para não dizer o enjoo no estômago.

Aos trinta e quatro anos de idade, muito bem casado e com uma filha linda, observo minha existência e consciência, concluindo que vivi adormecido até que o sono foi despertado.

Como a natureza da matéria e das ideias são consequências e ocorrências da própria Lei da Causa e Efeito, concluo-me que meu berço foi induzido numa imersão de religiosidade e diversidade inestimáveis, que me permitiram um patrimônio inalienável, o conhecimento e a prática de ritos e de princípios que, até tampouco tempo, eram imisturáveis e até contraditórios, tais como o Catolicismo, o Judaísmo, o Protestantismo e o Espiritismo Racionalista. Essa diversidade me permitiu ver e compreender o mundo de forma macro e micro, permitindo a comparação e a associação dos valores bons de todas as instituições, bem como a exclusão da parte indesejada. E assim compreendi o princípio divino e ativo de que Deus está em tudo e em todos, e que sua moral, ética e disciplina não possuem limites dogmáticos ou institucionais, pois isso nada mais é do que a tentativa dos vivos em encontrar seus semelhantes e desenvolverem suas capacidades em comunhão com o pensamento, materializando-o no ato.

Como o pesquisador que estuda sua própria existência, também compreendi que toda religião é boa e necessária para conter as ansiedades oriundas do processo da sobrevivência material. Logo, de maneira muito rude, afirmo, na minha pessoalidade, que as religiões funcionam como biscoitos da sorte, cuja interpretação dos ensinamentos e valores dependerá, exclusivamente, da capacidade de compreensão e aceitação de cada um dos praticantes, perpetuando-se, inclusive, o mesmo princípio na formatação do ateísmo e do ceticismo, que nada mais são do que o culto à racionalidade assertória humana, baseada na dúvida e na ausência de respostas oportunas.

Os gregos se questionavam quanto à existência do movimento e possibilidade de medi-lo na antiguidade clássica. Assim, Heráclito entrou no rio e afirmou que “ água que o cortava no instante “A” não era a mesma que o cortava no instante “B”.” o movimento se fez justificado pela primeira vez na história da filosofia grega. Todavia, se Deus está em mim e em tudo, no momento histórico supramencionado, eu era o filósofo, a água, o leito do rio, o movimento e todo o restante do experimento que fora omitido. Nós todos estávamos e ainda estamos lá, pois a alegoria se repete a cada segundo na vida dos encarnados e desencarnados, uma vez que alguns se vêem como o homem, outros como a água, e poucos como a parte e a continuidade de um todo.

Quanto às fases da existência fluídica do espírito e de sua memória, tenho a certeza de que o pecado existe, mas seus dias estão contados por sua natureza caótica e autodestrutiva. Não há pecado para aquele que crê na salvação, no arrependimento e no perdão. Não há pecado para aquele que aceita e que busca a possibilidade de um novo recomeço. Não há pecado naquele que se sacrifica por vontade própria em nome da causa nobre do amor, da caridade e da responsabilidade.

Assim, compreendo o voto do sacerdote, do médico, do magistrado, do professor e do chefe de família. Compreendo também a necessidade no estabelecimento da disciplina e da hierarquia dos valores. A única questão é: – Isso será aplicado em função do indivíduo ou da responsabilidade com a coletividade? – Esse é o grande questionamento que se fará pertinente nas estruturas humanas encarnadas de agora em diante. Pelo menos, para àqueles que despertaram e que aceitaram o desafio de continuarem acordados, prestando o auxílio necessário aos nossos irmãos na condição única do espírito, sem desejar nada em troca, senão, não haverá o pré-requisito da caridade, gerando a coesão do ato e da ideia, sem as considerações fundamentais do merecimento. Entretanto, de todos os males, esse já é o menos importante, tendo em vista que é melhor a caridade coercitiva e sonolenta, do que a ausência de qualquer coerção benigna ou de qualquer forma de amor e caridade.

Por fim, termino esta epístola afirmando que: – Amo meu inimigo, que só o é assim porque se permite ser. Amo meus perseguidores e lhes tenho compaixão. Minhas mãos e capacidades estarão disponíveis para ajudá-los desde que a causa seja nobre. Amo e perdôo aqueles que me abandonaram nas missões, porque é preciso acreditar e ter sinceridade para se fazer qualquer coisa. O mundo dá voltas em sua mecânica quântica e divina, enquanto que surgirão outras oportunidades comigo ou com outros no transcorrer do rio da vida.

Peço carinho, saúde, paz, amor, caridade e compreensão aos encarnados e desencarnados.

Que todos possam sentir e radiar a mesma satisfação que experimentei.

Que todos saibam que sempre será possível um novo recomeço quando não se tem bagagem alguma.

Que esta carta se propague aos quatro cantos do planeta e do plano espiritual.

Que todos saibam que existem encarnados acordados e que estarão disponíveis para auxiliar aos espíritos em suas missões e jornadas.

Que todos saibam que a vida é o sono da acomodação e que a morte é o sonho constituído por nós mesmos.

Que esta psicografia reversa chegue aos Ministérios da Comunicação e Consulados, e que sirvam de boas novas aos nossos irmãos, porque somos a unidade dividida em partículas e exploradores pela natureza divina do espírito e da matéria.

E que as lágrimas sejam de alegria e satisfação para os dois mundos, pois a existência deste documento nada mais é do que a materialidade da fé.

Saudosamente,

 

 

 

Nadelson Costa Nogueira Junior e Família.

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