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Rio Bonito sofre a síndrome da bela adormecida

bela_adormecidaO conceito das “cidades adormecidas” vem sendo muito utilizado pelos economistas e cientistas sociais na atualidade, fazendo referência às cidades que, simplesmente, estacionaram ou regrediram nos indicadores do desenvolvimento humano, incluindo seus efeitos na paisagem e nas relações sociais. Por analogia, inúmeras cidades entraram em coma, enquanto que suas funções mecânicas e orgânicas vão perdendo a  força ao longo das gerações, até que o inevitável aconteça: – A falência múltipla dos órgãos e o óbito.

Com a explosão da bolha imobiliária, o impeachment da Dilma Rousseff, e elevação do índice do desemprego nacional aos 11% e a crise econômica, cujas origens estão baseadas na guerra econômica e energética entre as nações, o Estado do Rio de Janeiro se agarrou, com unhas e dentes, aos royalties do petróleo, quando deveria ter incentivado o uso da energia solar, eólica, elétrica e a substituição dos hidrocarbonetos por outras alternativas mais limpas e baratas.  E, mesmo sabendo do inevitável, instalaram o COMPERJ (Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro) numa área sem sentido estratégico para o país e o continente sul-americano, construindo ilusões e uma dívida superior aos R$68.000.000.000,00 (sessenta e oito bilhões de reais), que afastam qualquer interesse estrangeiro de dar continuidade ao projeto, salvo as licitações governamentais, com seus termos aditivos.

Nos últimos 30 anos, o Município de Rio Bonito caiu do status do império da laranja, do transporte de carga e da capital da mariola para mais uma cidade satélite, cujos valores e projetos circulam ao redor das cidades do Rio de Janeiro e Niterói. Simplesmente, o rio-bonitense abriu mão da sua identidade cultural e local para se transformar numa cópia mal acabada das cidades que possuem asfalto e grandes monumentos, que fazem justiça à arrecadação. Todavia, os governantes se esqueceram de investir na fiscalização e em novas alternativas para gerarem receitas, não incentivando a economia local. O comércio, por outro lado, deixou de acreditar na nossa cidade, porque o cidadão, que possui o poder de compra, não consome em Rio Bonito, mas nos aglomerados de lojas localizados ao redor da Baia de Guanabara.

Rio Bonito sofre a síndrome da bela adormecida, que foi amaldiçoada por uma bruxa e que só acordará com o beijo do príncipe encantado, cujo amor deverá ser verdadeiro. Os rio-bonitenses clamam para que esse príncipe encantado consiga ultrapassar todos os desafios na política, passando por florestas assombradas pelo medo e pela corrupção, e enfrentando a fome e a carência do povo.

Há um nome sendo clamando pelas ruas para retornar ao poder e garantir que a cidade continue respirando, mesmo que seja no sono, para que o príncipe encantado venha na sucessão, para cumprir a profecia do conto de fadas. Mas, enquanto a maioria clama pela volta do José Luiz Alves Antunes (Mandiocão), fixarei meus olhos no seu vice, na esperança de que a donzela desperte do seu sono.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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O Brasil é uma nação bipolar

O Brasil está passando pela bipolaridade do verde amarelo e do vermelho, da direita e da esquerda, do analfabeto e do intelectualizado, da mortadela e do queijo prato, de uma nova eleição e do impeachment.

Não importa quem está com a razão ou do lado certo, porque todos são repetidores das ideias, que foram construídas nos gabinetes dos marqueteiros, cujas campanhas são pagas com o dinheiro do povo, de um jeito ou de outro.

No final, não importará o vencedor dos clubes da torcida, porque a democracia foi sequestrada pelos partidos políticos, enquanto que suas ideias foram vendidas num posto de gasolina, numa saca de soja ou numa peça de carne bovina.

Hoje, estamos lutando contra os caras pintadas da década de noventa, que forjarão novos eventos históricos, objetivando a criação dos novos líderes políticos, através da imagem dos seus filhos. Daqui vinte anos, não importará o nome que os historiadores darão à bagunça que está acontecendo no presente, porque teremos que expulsá-los do poder, da mesma forma que fizemos com seus pais.

Por fim, digo isso, não porque sou vidente ou tenho bola de cristal, mas, por um único motivo: – O Brasileiro tem memória. Mesmo assim, votaremos no primeiro mentiroso bem vestido que aparecer, tendo em vista que a mentira é doce e comove o eleitor na sua última gota de esperança. Enquanto isso, o país é comprado pela China. Todavia, sua juventude quer aprender a falar inglês. As cores do verde e amarelo não possuem sentido patriótico para a nação, que sabotou a educação pública, objetivando manter as coisas e os fatos nos mesmos lugares, seguindo a ordem fixada pelo sistema, que consome a sociedade e a si mesmo.

Precisamos compreender que o Brasil é bipolar no poder e no dinheiro, porque a política é um negócio que precisa dar lucro, sem planejamento ou trabalho.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Conversando sobre a humanidade com Deus

ricos1eEterno, compartilhando da unicidade e da criação, suplico por justiça e misericórdia, tendo em vista que a humanidade ainda não chegou ao nível mais profundo da pobreza moral e ética, mas as bases da imoralidade estão fincadas nos corações petrificados dos seres humanos.

Eterno, nós estamos cheios da ganância, que originam as desigualdades sociais, a exploração e a escravidão do Homem, além da destruição do mundo natural. As pessoas estão fazendo filas gigantescas por emprego, enquanto que milhares de famílias passam fome, em total situação de miséria e pobreza material. Não há cura para as doenças, porque não há dinheiro para comprar os medicamentos.

Eterno, nossos governantes se afastaram da sociedade e ignoraram as consequências coletivas dos seus atos e decisões. Com isso, perdemos o respeito e deixamos de obedecer às autoridades. E, por pior que pareça, a situação se agravará, uma vez que virá a guerra civil, que se tornará uma guerra continental e mundial. Novamente, homem matará homem, famílias serão exterminadas com o apertar de um único botão. Será nesse momento que chegaremos à plenitude de que erramos, mas continuaremos destruindo, porque essa foi a programação da nossa natureza social e primitiva.

Eterno, rogo pela vinda do Messias. Todavia, não nos envie o salvador, porque Ele será incompreendido pelos políticos e religiosos. Possivelmente, Ele será adorado por muitos e perseguidos pelas instituições governamentais. No final, o matarão para que a profecia não seja cumprida.

Eterno, o inevitável acontecerá. Chegaremos ao limite da degradação humana e do canibalismo. Logo, na ausência dos justos, rogo que envie seus três anjos expiadores, para que possam provar da nossa hospitalidade e do melhor que temos para dar ao mundo e a Ti. E, se no final da jornada e do julgamento, não for encontrado um único justo, que seja aplicada a sentença, com a destruição de tudo.

Por fim, Eterno, imploro que tenha misericórdia das crianças, por dois motivos: – Elas são inocentes, enquanto que precisaremos das testemunhas, objetivando retardar o processo inevitável na relação entre o progresso, o crescimento populacional e a extinção de toda a espécie humana.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Rio Bonito é o verdadeiro teatro dos vampiros

Poderia ficar calado, deixando de escrever ou falar aquilo que penso, que é o resultado daquilo que vejo, percebo, sinto e processo no meu cérebro. Entretanto, há uma força maior que movimenta os músculos das minhas mãos, fazendo com que as palavras se construam diante da tela do computador.

A cidade de Rio Bonito está abandonada. Enquanto que o capim e a erva daninha infestam as divisas existem entre os paralelepípedos por suas ruas, desde as periferias até o centro. O governo construiu clínicas e unidades de pronto atendimento descartáveis, que serão desmontadas da noite para o dia, caso o aluguel dos contêineres não seja pago. Mas, faltam os medicamentos necessários ao atendimento célere e responsável, porque os médicos e os enfermeiros precisam ser santos e realizarem milagres em nome do salário.

A cidade de Rio Bonito está falida, mas não é pela falta de dinheiro. Simplesmente, nossos governantes decidiram construir estruturas, cujos suportes não poderão ser aplicados, tendo em vista que a mão-de-obra é pouca, bem como, seus certificados. O dinheiro está se esvaindo na forma do asfalto, do concreto e da pedra brita. Eles construíram pirâmides, que não testemunharão a história, porque não fazem qualquer sentido no presente mesozoico de uma sociedade que deseja emprego e salário, mas sem a obrigação do compromisso consigo e com o contribuinte.

E assim, seremos as testemunhas do apocalipse da geração dos órfãos do colegiado, que terão que construir novos tótens  e deuses, enquanto que a cegueira da adoração será transferida para uma alma doce, gentil e atormentada pelo confronto moral entre a justiça e o gosto afrodisíaco do poder.

Os vampiros voltarão aos seus sarcófagos e entrarão em torpor, na esperança de retornarem numa geração menos educada e doente, porque eles sugaram o sangue das últimas três dinastias, enquanto que as gotas restantes se amargaram pelo sódio do ócio e o álcool do cio.

Por fim, na esperança de que tudo se resolva num passe de mágica, o cidadão pega seu dente de alho e sua estaca, deslumbrando acabar com a origem de tudo isso. Todavia, não há qualquer hipótese do povo acabar com tais tiranias, sem que a estaca perfure o próprio peito, porque somos o alimento que nutre nossos políticos, através das nossas fraquezas e vícios.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Me reconectei a Deus e me sincronizei com os negócios

A luz é afrodisíaca e entorpece aquele que se fez distante por algum tempo. A oração faz isso com qualquer praticante da fé. Poderíamos falar das taxas da endorfina que são lançadas na corrente sanguínea do ser humano no momento da realização, seja ela qual for. Mas, não diminuirei o tema aos números e as tentativas do homem em querer quantificar tudo, porque nós não somos máquinas. Prefiro mantê-lo no campo da existência, da consciência e da metafísica.

Após o falecimento do meu pai, em julho de 2015, ingressei numa espécie de crise existencial. Acendia as velas do Shabat e cumpria a ritualística, como de costume. Todavia, as ações pareciam mecânicas. Havia algo dentro de mim que estava atrapalhando minha conexão com o criador e a criação. Talvez, tenha sido o tamanho da dor e da perda, que sofri no silêncio. Talvez, seja o desligamento obrigatório e involuntário do patriarca da família.

Esse desconforto me afetou nos negócios, uma vez que meu sócio, mestre, conselheiro e amigo não estava mais comigo no plano material. Tive que parar os serviços nos últimos meses, tendo em vista que era imperativo dar um tempo, para diluir e reconstruir tudo, com ordem no tempo e no espaço.

Essa semana,  estou muito feliz, porque montei dois servidores e atendi alguns clientes na área da formatação e consultoria em TI ( Tecnologia da Informação). Arrumei o laboratório e coloquei as coisas no lugar. Estou pronto para continuar os projetos e o legado que construí junto com meu pai. Por isso, mãos na massa, porque tempo é dinheiro, enquanto que pretendo passar parte do meu conhecimento e aprendizado a minha filha.

Continuarei com a forma humanística de trabalho do patriarca, que seguia com a máxima:  “Não faça clientes, mas amigos.”

Mas, minha maior alegria foi ter me preparado para as orações, sem a correria e a interferência do trabalho. Exatamente no por do sol, acendi as velas do Shabat e senti a paz e a ternura, que havia esquecido, porque não estava mais sozinho, pois o criador estava comigo e com toda criação.

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Boçalidade

A proposta inicial da internet era facilitar a comunicação entre os departamentos científicos e acadêmicos nas universidades. Depois, surgiram os gigantes do setor tecnológico, criando regras e nichos de negócios, objetivando o comércio eletrônico e o compartilhamento dos dados, com a gestão do conhecimento.

Estou conectado na internet continuamente desde 2003, embora utilizasse o serviço precário, disponibilizado na linha telefônica discada desde 1999. Vi empresas e projetos nascerem muito rápido, enquanto que o falecimento foi com a mesma velocidade e intensidade. Mesmo assim, muita coisa mudou de lá para cá, e foi para melhor.

Na atualidade, eu fico assustado, quando me deparo com as ideias e as propostas propagadas pelas redes sociais, porque deveríamos gerar a informação e o conhecimento, compartilhando-lhes com toda comunidade eletrônica. Todavia, a maioria dos conteúdos é fútil, temporal e sem sentido. Os usuários não querem ler e fazer a pesquisa com profundidade, porque quanto menos caracteres e linhas tiver o artigo, será melhor. E assim, sintetizamos o diálogo, as ideias e o próprio pensamento humano, como as mensagens rápidas no twitter.

Ironicamente, podemos construir projetos e compartilhá-los com o próximo, sendo conhecido ou estranho. Entretanto, quando poderíamos brilhar na produção literária ou na genialidade, optamos em transformar o produtivo no boçal.

Mesmo assim, tenho esperança em ver o brasileiro produzindo conteúdos de qualidade e se capacitando pela internet, com a educação à distância (EAD). Aliás, outra máxima que o brasileiro ainda não descobriu com o advento da internet: – É possível estudar em casa, sem o custo do deslocamento, da manutenção da sala de aula convencional e dos horários fixos. Enquanto o mundo está se especializando dentro das organizações ou nos lares, o brasileiro ainda se desloca às escolas e institutos acadêmicos, porque é difícil aceitar o novo e promover a mudança da consciência. É complicado construir uma arquitetura atualizada e dinâmica, quando a consciência coletiva insiste em continuar no passado. A situação fica mais latente, quando nos deparamos com as escolas sucateadas e os professores desvalorizados pelo Estado e por sua própria sociedade.

No final, compreenderemos que nada aconteceu ao acaso, enquanto que construímos cada peça do quebra-cabeça social e tecnológico brasileiro, que é incompreendido por seus criadores, limitando-se à pseudocultura do boçal, responsável pelas falhas humanas, bem como pela essência ética nula dos governantes. Quando nos olhamos no espelho, não nos reconhecemos, porque o reflexo é feio, limitando-se à boçalidade alheia e coletiva.

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A experiência e o óbvio

Durante muito tempo, eu tenho nadado contra a corrente majoritária do pensamento e do comportamento humano. Enquanto as pessoas acumulam coisas, eu aprendi a viver experiências. Viajar é bom, mas não estou falando do turismo. Estou me referindo ao ato de admirar e aprender com o óbvio, como amar, comer, beber, conversar, ler, educar e, principalmente, compartilhar.

Sinto prazer em ficar na minha casa, degustar uma xícara de chá ou de café, comer um doce, escrever por escrever, bem como admirar o desenvolvimento da minha filha e da minha família.

Aprendi , ainda na infância, que o tudo jamais será o bastante para o consumista. Por isso, fui me desapegando das coisas, porque há sempre algo além no sorriso, na gargalhada ou na lágrima. Gosto de me surpreender pelo desconhecido, desde que haja a conexão, através de uma boa conversa, descobrindo um amigo, mesmo que nunca o veja depois da casualidade no ponto do ônibus ou na poltrona de um avião.

Admiro a dedicação de alguns pelo status, construindo carreiras e fazendo fortunas. O problema é que, na maioria das vezes, esse tipo de gente não possui profundidade, porque eles qualificam o mundo pelo poder do consumo.

No final, é no calor da família e da nossa casa que a posse acaba, porque no lugar do eu, existe o nós. Somente o pai, a mãe e os filhos poderão compreender a simplicidade dos pronomes, tendo em vista que o melhor fundo de investimento é a experiência de participar do desenvolvimento de alguém que será melhor do que sou. Caso contrário, a existência seria a total perda do tempo, se limitando à arte da vida na construção do abstrato.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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O Telefonema de Deus

Objetivando afastar a hipótese do início da terceira guerra mundial, o Papa Francisco conseguiu marcar uma audiência direta na Assembleia das Nações Unidas, contando com a presença do Presidente dos Estados Unidos da América, da Rússia e da China. Com a abertura dos trabalhos, o Papa Francisco atentou para o fato de que o mundo precisava de comida, água e energia. Entretanto, acima das necessidades materiais, era imperativo mais cooperação entre as nações do mundo, e maior humanização  e respeito entre os seres humanos. Somente assim, o Homem conseguiria afastar o fantasma da guerra, da fome, da doença e da pobreza material e espiritual.

Antes da reunião oficial na assembleia, os líderes não alcançavam um coeficiente comum entre os interesses das suas respectivas nações. A guerra parecia inevitável, incluindo o fim dos dois terços da humanidade ao longo da próxima década. Todavia, enquanto Barak Obama falava em tom alto pela manutenção da OTAN, Vladimir Putin já estava preparado para mandar fechar o registro dos dutos de gás no Kosovo e na Macedônia.  Xi Jinping pretendia liberar mais barris de petróleo no mercado asiático, para provocar o aumento da oferta e a queda do preço do barril de petróleo. Do nada, os telefones vermelhos tocaram juntos, enquanto que os respectivos assessores se aproximaram de cada autoridade dizendo: – Senhor, a ligação é urgente. Os líderes olharam, desconfiados, uma vez que as pessoas mais importantes do planeta estavam naquela sala. E perguntaram aos seus respectivos assessores: – Quem é? Os assessores responderam imediatamente: – Deus. Todas as autoridades se direcionaram aos seus respectivos telefones vermelhos, e ficaram por lá por alguns minutos, somente escutando. Logo após algum tempo, eles colocaram os telefones vermelhos no gancho e retornaram aos seus respectivos assentos, sincronicamente. Eles se olhavam, enquanto que não sabiam  como prosseguir com a reunião, quando Xi Jinping explanou: – Se não deixarmos nossas diferenças de lado… Continuou Putin, com a frase: – O peso do fim da humanidade estará sobre nossos ombros. Obama completou o restante do período: – O que fizermos hoje, selará o destino de todos. Dai por diante todas as autoridades falaram a mesma frase, ao mesmo tempo: – Se não fizermos o certo, Deus não terá misericórdia. Não haverá nem vencedor ou vencido. Somente a destruição dos ímpios.

A Assembleia da ONU anunciou o início do trabalho conjunto entre os Estados Unidos da América, a Rússia e a China. Todos estavam determinados a compartilharem recursos e tecnologias para o restante do mundo.  As fronteiras ideológicas estavam se dissolvendo diante das soluções, uma vez que nascia o primeiro governo mundial.

Embora seja uma crônica, o telefone vermelho está tocando constantemente para as nações do mundo e suas respectivas autoridades atenderem e escutarem. Todavia, a ganância e a cegueira da cobiça não permitem que a humanidade pare para escutar a natureza e os chamados dos nossos vizinhos celestiais.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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A noite que Che Guevara abalou o Brasil, sem balas e sem platéia

ernesto-che-guevara-62bDesde o final da segunda guerra mundial, o Brasil vivia uma crise em sua identidade política e partidária. O cenário político contava com a presença do PTB, que tinha como avatar Getúlio Vargas, o PSD e a  UDN (UNIÃO DEMOCRÁTICA NACIOAL),  fundada em 07 de abril de 1945.

A UDN era considerada como o partido da classe média, cujos projetos e propostas se concentravam nos interesses dos latifundiários e dos industriais, que se relacionavam continuamente com o mercado estrangeiro, contrapondo e criticando as políticas públicas, as práticas sociais materializadas pelo Estado Novo e o intervencionismo estatal na economia. Seguindo a linha neoliberalista, a sigla cativou considerável parte da classe média brasileira, trabalhando diretamente no combate à corrupção e ao comunismo, no mundo bipolarizado pela Guerra Fria, apoiando, inclusive a candidatura do Jânio Quadros à Presidência da República em 1960.

Jânio Quadros, também conhecido pela vassoura, diante do discurso fincado no combate à corrupção estatal, teve uma carreira rápida e brilhante, começando como vereador e chegando à Presidência da República Federativa do Brasil em exatos 15 anos, permanecendo no cargo de 31/01/1961 a 25 de agosto de 1961, quando renunciou por força da pressão política nacional e internacional, tendo em vista que o presidente tinha condecorado, em 19/08/1961, Ernesto Che Guevara, com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.

A ironia do contexto é que a UDN tinha ajudado a construir um presidente, que não se importava em reconhecer e apoiar o socialismo e o comunismo publicamente. Tirando a questão da Doutrina Monroe, com o seu lema “América para os americanos”, não havia condição política e apoio popular para que o Jânio Quadros se perpetuasse no cargo. Entretanto, havia outro ponto interessante na história, tendo em vista que o cargo de Vice-Presidente era também eletivo e de forma autônoma e direta no sistema democrático daquela época. Todavia, o Vice-Presidente da República era João Goulart, do PTB. E, mais uma vez, a UDN cometeu o fiasco em apoiar um político legitimado pelo voto, conspirando dentro da máquina política para que o mesmo fosse deposto. Assim, começaria a novela política da Ditadura Militar no Brasil, em 31/03/1964. Por ironia do destino, os partidos políticos foram dissolvidos, incluindo a UDN, sendo estabelecido o bipartidarismo, com os seguintes partidos políticos: MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e a ARENA (Aliança Renovadora Nacional). A maioria dos membros da UDN migrou para a ARENA, que se ramificou em diversas siglas com a abertura democrática, perpetuando suas ideias e princípios até a atualidade.

Por fim, não me assustaria com um novo fiasco histórico e político, incluindo a tentativa de construírem o mecanismo, que  permitirá a terceirização nos serviços públicos e privados, incluindo a transição para o fim dos direitos trabalhistas do cidadão, porque, no final, o interesse dos grupos econômicos estará acima dos interesses da nação, enquanto que a democracia sempre estará ameaçada pelo medo do estranho e do desconhecido, mesmo que ele venha fantasiado pelo fantasma do socialismo, do comunismo e do populismo.

Na noite do dia 19/08/1961, Ernesto Che Guevara abalou o Brasil e o mundo, denunciando um sistema hipócrita, que falava uma coisa e que praticava o contrário. Essa hipocrisia está dentro de muitos, tendo em vista que foi transmitida por osmose e pelo DNA, passando de uma geração para outra.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior