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O Sono dos Justos

Chega uma fase da vida, que a gente simplesmente respira, olha para frente e anda. Mas, o tempo traz a experiência e a sabedoria, que aumentam o peso da bagagem sobre o corpo. Então, a gente para, olha, estende a mão ao próximo, dá um sorriso, respira e anda mais lentamente, admirando a natureza e a fantástica complexidade da vida humana.

As pessoas boas doam a caridade, através das ações e das palavras, quase sempre no anonimato e na discrição imperceptível. As pessoas medíocres pouco oferecem ao mundo, e quando realizam alguma coisa, normalmente, é para usar em proveito próprio no futuro.

Com meus quase 40 anos de vida, conheci pessoas maravilhosas, que me ensinaram aquilo que devo ser ou que jamais deverei fazer. Todavia, a mediocridade alheia sempre me desafiou, por tentar auxiliar seu portador de todas as formas possíveis, mas a resposta sempre era a mesma, sem essência, culpa ou remorso.  Assim, na retribuição da boa educação, eu dou um sorriso, ou me retiro no silêncio.

Até minha filha nascer, eu me preocupava com tantas coisas inúteis e sem importância, quando ela me ensinou que a família é uma alma dividida em várias partes, que se completam e que alcançam a plenitude. Por fim, a experiência de ser marido e pai me elevou da condição de filho, enquanto que passei a ver a beleza no próximo, com seus talentos e virtudes, porque, no final, se perdermos a esperança com o mundo e o aperfeiçoamento dos vícios, seremos medíocres da mesma maneira que seus praticantes, enquanto que nunca é tarde para recomeçar.

Não importa o tamanho do negativismo, porque o amor inflama no meu peito, enquanto que a alma perdoa. No final de cada dia, quero deixar o melhor de mim para meus descendentes, dormindo o verdadeiro sono dos justos, tendo em vista que, quando o coração para, a morte responde, fazendo cobranças e escravizando o espírito.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Transgressão

Participei pouco dos movimentos populares, tais como passeatas, protestos, greves, micaretas, carnaval ou qualquer outro nome que seja dado ao aglomerado com mais de três pessoas, porque isso já seria considerado formação de algo reacionário na pós-ditadura. Não que eu desejasse lançar pedras no inimigo ou me jogar insanamente na folia. O problema era que as situações sempre demonstraram ter maior relação com o ego e a história do indivíduo do que com a sociedade e os fatos em si.

Minha transgressão foi justamente seguir a corrente majoritária, utilizando do cinismo e da ingenuidade, quando sou consultado ou exponho minha opinião. Embora que, na maioria das vezes, tenha preferido ficar em silêncio para provocar a dúvida nas mentes preguiçosas. Pois, para esse tipo de gente, o silêncio machuca mais que a pergunta da interrogação, a força do imperativo  e a emoção do ponto de exclamação.

Transgredi algumas regras sociais e a opinião pública, quando decidi escrever sobre o mundo, através da ótica dos meus olhos míopes e estrábicos, valorizando o sentimento e a fé no abstrato.

Transgredi o mundo, quando decidi ficar na mão direita da sociedade, pagando os impostos em dia, mesmo entrando no cheque especial. Minha transgressão é tentar fazer o certo, mesmo quando muitos insistem em seguir na contramão.

Não ficarei rico, como não terei fama. Todavia, se me for permitido, espero dormir o sono dos justos na minha cama, mantendo o coquetel molotov debaixo do travesseiro, só por precaução.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Somos parte de uma locomotiva

Meu pai, minha mãe, meus avós e toda genealogia está em mim. Toda essa onipresença foi transferida à minha filha, enquanto que o rio sanguíneo continuará até quando Deus permitir. Embora, digam que cada um dará conta do seu próprio pecado, há uma programação dos erros e acertos, cujas gerações vão se ajustando para compensar a demanda. E assim, a existência em família se transforma numa locomotiva de emoções, lembranças, traumas e sentimentos.

É necessário o anonimato para se praticar a justiça, a ética, o certo e o bem. No final, não compreendemos que o mundo está nos ajustando, quando deveríamos ajustá-lo em reciprocidade. E, da mesma forma que jogamos o lixo na rua ou poluímos os rios e os mares, vamos recebendo uma explosão diária de negativismo, dor, raiva, ódio e violência. Depois, reproduzimos cada palavra e imagem, como se fossem verdades absolutas. Mas, elas não são.

Por mais que me bombardeiem com meias verdades, evidenciando o lado ruim da humanidade, optei por acreditar no ser bom que está dentro de cada um, capaz de se comover, de se sacrificar no silêncio da caridade, porque a bondade não faz propaganda. Ela simplesmente trabalha.

Não estou dizendo para que tu ignores a recessão ou a depressão econômica, ou que te desligues da realidade. Muito pelo contrário. Peço-te, do fundo da minha alma, que assistas e leias tudo ao redor. Depois, questiones cada palavra e cada imagem apresentadas nos veículos de comunicação ou repetidas pelas bocas das pessoas. Posiciones diante de tudo isso e racionalizes. No fim do dia, constatarás que o mundo não é tão feio quanto pintam. Enquanto que há bondade e amor dentro de todos, independentemente do saldo da conta bancária, ou daquilo que acreditas.

Se mesmo assim, a dúvida pairar no ar, admires teu filho, com a simplicidade do sorriso e o brilho da esperança nos olhos, porque somos parte de uma locomotiva, cuja estação poderá ser construída, contrariando o acaso ou o destino.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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À Sombra do Poeta e da Mentira

Rio Bonito, 20 de novembro de 2005.

 

Alguns escritores e poetas se consideram farsantes ou enganadores, uma vez que escrevem aquilo que sentem. Mas a fantasia, embora seja real aos olhos do criador, para o leitor parecerá somente ficção, lirismo, métrica e literatura.  Em suma, um conjunto de letras que, em inferência ou não, objetiva dizer algo além das palavras.

Diante da proposta, há diferença entre o jornalista, o editor e o escritor, uma vez que o último escreverá para iluminar sua visão da vida ou para compreender seu apogeu.  Em sua linguagem, não há mentira ou pecado, somente a manifestação concreta ou abstrata da sua busca.

Há ilusão e fantasia em minhas palavras, mas a mentira se faz ausente, pois esses vocábulos saem do coração, sem o desejo de dinheiro ou do reconhecimento social. Eles só desejam sair e sacudir as cabeças e corações das pessoas, com ou sem imaginação.

Para piorar a situação da escrita, fica aquela sensação de que o poeta acredita realmente que pode voltar e recuperar o tempo perdido, só porque escreveu coisas lindas e incompreensíveis durante anos.  Não…  De fato, isso é uma inverdade; pois a escrita é exatamente isso, funcionando como uma justificativa dos atos.  O princípio vai muito além dessa simples e infantil interpretação, uma vez que ela serve para testemunhar que, independentemente de quem esteja ao lado da pessoa amada, alguém passou em sua vida e se imortalizou, por si só, em vocábulos e no seu coração. Para o indivíduo que tomar ciência do tamanho dessa graça, tornar-se-á dificílimo o convívio ou a concorrência literária e afetiva, desde que o mesmo aceite a ideia de que continuará um trabalho, que não será terminado.  E assim, por causa dos poetas, matrimônios são destruídos e esposas se escondem nos quartos ou nos banheiros para chorar.  Isso acontece, porque a escrita é um dom, enquanto que o companheiro, no geral, é incapaz de compreender a necessidade que a mulher tem de receber carinho, toques, cafunés e exaltações populares de amor na rua…  Isso acontece, porque a mulher gosta de imaginar a valsa com seu príncipe encantado, ser acordada aos beijos antes que o mesmo parta ao trabalho, ser irritada quando tem que fazer algo muito importante, entre inúmeras outras coisas.  Esse fenômeno ataca as mulheres novas e idosas.  É um fato social aos olhos do cientista social.  É considerado um trauma de insatisfação pelos psicanalistas e uma idiotice pelo resto da humanidade.

O fato é que o cavalheiro poderá enviar bombons, flores, presentes diversos à mulher amada.  Entretanto, uma vez que ela se vê influenciada pela escrita dum poeta, não haverá mais volta à realidade.  Primeiro, ela aceitará os cortejos por educação. Depois, passará a vê-los como bens de consumo. Mais tarde, verá que qualquer um poderá dá-la isso. Daí, só haverá dois caminhos: se conformar com a realidade e fingir que tudo está lindo, ou lotar sua casa de livros e romances.

Acredite cavalheiro desalmado, caso sua consorte esteja com olheiras, olhando para o lado constantemente, saia contigo, olhando para baixo ou para as estrelas, bem como, esteja demorando muito no banheiro para tomar banho, pode ter a certeza de que algo está errado, enquanto que alguém está se entregando em lágrimas num cômodo isolado do lar ou da alma.  E saiba que, quando uma mulher sorrir sozinha no banheiro, é porque existe um poeta ou um palhaço em sua vida…  Ser poeta exige essa habilidade também: a arte de fazer as pessoas rirem.

Depois de tudo que foi dissertado, o cavalheiro concluirá que o poeta é um mito, para fazer o sexo com sua amada, ejacular e dormir instantaneamente…  Para ficar diante das pessoas sem se preocupar com aquilo que as mesmas pensam dele, pois ele se tornou um ser comum, que só deseja saciar seu desejo. E assim, nasce aquele dito popular: “A fila anda”. E coitada da mulher, que, geralmente, se ilude com a possibilidade da materialização do poeta e do príncipe encantado na sua frente. Ela fica triste e tenta alcançar o orgasmo no imaginário, pois noventa por cento da cama é uma farsa para a maioria dos mortais.

O que seria da mulher, senão, a existência conceitual do artista e do poeta? – Eu tenho certeza de que essa tendência afeta a maioria dos lares e famílias deste mundo, cujas pessoas são incapazes de fazer carícias em suas parceiras…  – E que saudade tenho das mordidas nos lábios de minha escolhida, bem como, beijar seu pescoço e lhe fazer cócegas nas costas e quadril! Infelizmente, para a maioria, os poetas existem, mas são poucos e estão acabando com o transcorrer do tempo.  Eles não são somente mentes geniais que escrevem, tendo em vista que possuem sensibilidade e sabem como tocar a alma feminina, a mesma querendo ou não. E triste será o homem que viver ao lado duma mulher que realmente conheceu um poeta e teve o monopólio de seus carinhos e dedicação; pois ele será uma sombra e somente isso.  No máximo, ele dirá “AMOR”, “EU TE AMO”, que são conceitos e conjunções com sentidos pré-montados em nossa história. Ele puxará a mulher pela mão e a levará para algum lugar sem saber se há o consentimento ou não. Ele a terá; porque precisa mostrar a necessidade daquilo que tem. – Talvez seja esse o motivo do final dos casamentos e dos contratos matrimoniais de nosso século: a falta de literatura ou de imaginação.

De fato, coitado será o homem que estiver à sombra dum poeta, pois, caso não lhe haja o dom, sua vida será um fracasso, porque as mulheres sempre comparam tudo entre si.

A mulher que tiver seu poeta, o mantenha vivo; pois o recurso está escasso.  Àquela que não tiver, que compre muitos livros de banheiro ou de cabeceira, talvez a ajudará no momento da frustração.  Entretanto, agora consegui compreender porque os homens gostam muito de revistas de mulher pelada, enquanto que as mulheres se dedicam à literatura; pois, enquanto a mulher quer a qualidade em um único homem; o homem deseja a quantidade imensurável de mulheres.  E, até nesse ponto, o poeta tem importância considerável; pois tanto a prostituta quanto o garoto de programa precisarão ler algo sobre sentimento para realizar seus clientes.  Logo, no final, o poeta acaba saciando a todos, com suas limitações física-culturais ou não.  Diante disso tudo, uma coisa é certa: – Eu sou poeta e tenho ciência do tamanho de minha graça e do meu valor diante do mundo.  Sei que sou imortal e que o meu lugar ser-se-á na cabeceira da cama de alguma mulher ou em seu banheiro. Mas, diante de tamanha magnitude, gostaria de ficar somente na sua cama e de fazer parte de sua vida como o poeta humano, e não, o poeta celulose; porque qualquer analfabeto rabisca papel.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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A Tristeza de se estar solteiro

Rio de Janeiro, Rio Bonito, 14 de agosto de 2004.

Estar solteiro é triste,
Quando não se tem companhia.
Quando se perde o sorriso
E o invejável brilho nos olhos.

Estar solteiro é livre,
Com a liberdade do tamanho do mundo.
Mas a liberdade é o limite…
Para aquele que só quer amar.

Eu descobri que te amo…
E que, contigo, tenho coragem
De entregar meus punhos e minha alforria,
Pois do teu amor quero ser escravo.

Amo-te, sem jamais ter te beijado.
Amo-te, sem jamais ter te trocado uma palavra.
Amo-te, em devoção desigual,
Ignorando o tamanho de meu fardo.

Quando todos pensam que estou bem,
Estou intimamente mal!
Quando todos pensam que estou por cima,
Meu verdadeiro lugar é no fundo do poço!

Minha alma se desencanta de tristeza
Diante da malversação do mundo.
Às vezes, perco a vontade de continuar
E sonho com instante último de partir.

Tudo isso acontece,
Porque não estou junto contigo.
A liberdade me cobra o preço árduo…
A prestação contínua da solidão!

E continuo só…
À procura de ti.
E continuo só…
Sonhando com teu abraço.

Nadelson Costa Nogueira Junior

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O Juízo da Escrita

Rio de Janeiro, Rio Bonito, 30 de novembro de 2004.

Escrevo-te por astúcia…
Escrevo-te por curiosidade…
Escrevo-te na esperança…
De conter-me a ansiedade.

Faço-te cortejos e rimas…
Na pergola da loucura.
Escrevo-te esta epistola…
Na tentativa de conter minha busca.

E, mesmo que receies o presente…
Nem tudo estar-se-á perdido;
Pois àquilo que escrevo é mais do que sinto…
É a decodificação da emoção no tempo.

E mesmo que seja isso um desastre,
Já consigo imaginar teu sorriso;
Considerando a escrita uma forma de arte,
Enquanto que o escritor, uma pessoa sem juízo.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

Périplo Poético

Tempestade Poética

Ainda não é inverno, mas o frio já se faz presente. O mês de junho é triste, pois nele as folhas começam a cair, os ventos mudam de direção, enquanto que as pessoas começam a se aproximar umas das outras por uma questão afetiva ou de calor humano. Para piorar, o comércio criou o dia 12 de junho, o dia dos namorados, no intuito de vender mais presentes, de lotar os motéis, os restaurantes, e, principalmente, fazer os solteiros se sentirem péssimos pela solidão diante de tanto romance, desde a entrega das flores, das caixas de bombom, das trocas de beijos e de carícias em público, entre outras coisas. Para o solteiro, só resta o total recolhimento ao desespero, pois a ideia de tal dia faz com que acreditemos na possibilidade de resolver, num único instante, tudo aquilo que o indivíduo não conseguiu resolver a vida inteira.
Na tentativa de explicar para si mesmo que tudo está muito bem e que a sensação de abandono passará, o solteiro começa a beber uma taça de vinho. E assim vão duas, três… Até as taças se converterem em litros, enquanto que a maldita sensação de tristeza e abandono aumenta mais e mais, até sufocar o batimento do peito. Uma lágrima escorre sobre o rosto, e o solteiro sabe que não é o princípio do resfriado; porque o resfriado se cura com repouso e analgésico. Mas, qual será a cura para a dor da solidão? Com sorte, talvez o solteiro possa solicitar ao garçom um papel e uma caneta, pois a tempestade poética poderá lhe abater a alma e toma-lo por inteiro. As letras nascerão em forma de prosa ou verso. As paixões antigas se farão presentes. A saudade passará a ser a medida do passado, enquanto que a tentativa de apaga-lo, torna-se a esperança de encontrar alguém melhor no futuro. E o solteiro escreverá como nunca, porque ele nunca havia sentido tamanha dor antes. Ele nunca desejou desaparecer do tempo presente.
Então, quando a alma solitária estiver quase torpe, o solteiro pegará seu carro e dirigirá pela estrada a fora, como um louco, esperando a possibilidade de ser abduzido. Todavia, o retorno seguro para casa é certo, e, certamente, a mesma dor se manifestará pela manhã e se estenderá até a hora de dormir; porque o solteiro conheceu a tempestade poética.
Tais conflitos seriam normais, se todos seus amigos não estivessem casados, enquanto que o seu cronômetro biológico lhe avisa que está chegando aos trinta, sem amor, sem filhos, sem ninguém.
Os casados passam a inveja-lo pela ideia de liberdade. O solteiro passa a duvidar de tudo isso, porque é totalmente livre. Decerto, há tempo para tudo, principalmente, para se casar e ter filhos. Eu acho que meu tempo passou… Madurei demais e estou quase apodrecendo. Com muita sorte, eu ainda poderei encontrar uma velha gagá que me contará todo o segredo do reumatismo e da artrite.
Talvez essa seja a sina da tempestade poética: – trazer-nos a consciência de que seremos os fósseis dos seres improdutivos para sociedade contemporânea, pois o solitário só produz para si, mesmo quando é praticante da caridade.

Nadelson Costa Nogueira Junior

20/06/2004

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O Estágio

Quando se ingressa no curso de Direito,

busca-se alcançar um sonho,

Construir um currículo

e seguir um objetivo, como ofício.

 

Quando se cursa Direito,

o acadêmico se dedica à aprendizagem,

Se afogando em livros,

e, na maioria das vezes, escutando bobagens.

 

Depois de alguns períodos, enchendo linguiça,

O novato precisa de créditos para se formar.

Alguns irão para os escritórios de renome,

Enquanto que outros, terminarão num cartório para estagiar.

 

E assim, o estagiário desaprende a teoria,

para compreender a prática cartorária.

Recebendo papel dali. Juntando papel de lá.

Expedindo o correio daqui, e envelopando o malote de cá.

 

Numa linha de produção industrial,

O estagiário veste a camisa da empresa.

Ele executa toda a função operacional,

deixando a pilha dos processos à mesa.

 

Na busca pelos processos perdidos,

eles ficam desesperados.

Olham pilha por pilha,

tirando processo por processo dos armários.

 

No final, dois anos se passam.

O estagiário tem que partir,

porque a Lei não permiti sua permanência ali.

 

A cada partida, fica um vazio no peito,

Porque se foi mais um estagiário do Direito,

ficando a saudade do amigo que fiz.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior