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Compreendendo a cultura organizacional no Judiciário

Eu trabalho no Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, onde a instituição acredita que tudo possui um lugar no tempo e no espaço, utilizando-se de portarias, atos executivos e leis, objetivando a regulamentação das rotinas. Analisando a complexidade da minha organização orginal, dividindo toda sua estrutura de forma transversal, assim sendo em operacional, tático e estratégico, consigo ver que uma diversidade das metáforas, cujas compreensões só serão possíveis diante da capacidade da informação e do processamento do colaborador, logo, quanto maior for seu nível, seu acesso, seu conhecimento e sua carteira de contatos, maiores serão as chances do mesmo conseguir ver a complexidade organizacional, separando pedaço por pedaço de forma analítica. Logo, dentro dos cartórios, para os servidores, de forma generalizada, eu consigo ver a metáfora da máquina, se expandindo naturalmente para o organismo e a cultura. Quando o servidor atravessa a fronteira da chefia ou se torna membro do staff do magistrado, a metáfora segue como máquina, passando para o cérebro, expandindo-se para os fluxos e transformações, justificando, culturalmente, os instrumentos de dominação. Se o servidor não conseguir se ajustar à necessidade da inovação e da mudança, independentemente da sua posição na hierarquia e na relação com o poder, tenderá a cair na armadilha das prisões psiquicas, causando patologias subjetivas e sistêmicas dentro da organização, o que acarretará no seu retorno ao operacional e final da carreira, caso não saiba lidar com o processo, cuja compreensão também dependerá da forma que a instituição e o gestor observarão o fato e os efeitos das próprias rotinas.

De uma forma muito simples, consigo ver o aparelho psiquico de Freud em funcionamento em todas as organizações humanas. Também consigo ver o desenvolvimento orgânica e a especialização de cada departamento e colaborador, sendo o primeiro um novo órgão e o colaborador a célula que o alimenta e é alimentada pelo sistema. As metáforas podem ser aplicadas isoladamente em organizações simples. Entretanto, quanto maior for a complexidade organizacional, automaticamente, serão construídos sistemas formais e informais, que manterão um grau de consciência coletiva, que é maior do que soma de todos as consicências dos colaboradores.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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