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Dória é o Jânio Quadros da atualidade. Só falta virar presidente.

Acho muito legal testemunhar a atuação do empresário João Dória Junior, do PSDB, como prefeito da cidade de São Paulo. Simplesmente, o prefeito se utilizou das regras do marketing durante as eleições, saindo da condição do azarão para o vencedor na disputa eleitoral em 2016.

Há algo muito interessante e sensível na comunicação social do Dória, que se apropriou das redes sociais e da comunicação digital, utilizando o Twitter, o Facebook e o Youtube. Dessa forma, o prefeito conseguiu ultrapassar a cobertura da imprensa convencional, alcançando a massa através dos celulares.

O que a maioria da opinião pública ainda não compreendeu é que o Dória tem a natureza do empresário e do investidor, transformando ações sem qualquer conexão com a realidade pública em conteúdos e eventos prioritários para o paulistano, que acabou de sair da administração do PT (Partido dos Trabalhadores), bipolarizando o universo entre a luta do bem contra o mal, mortadela versus coxinha, corruptos versus não corruptos. Bem, no cenário político, o brasileiro está vendo a corrupção vencer, salvo os marinheiros de primeira viagem na vida pública.

Não existe almoço ou janta de graça, porque alguém sempre pagará a conta, que, na maioria das vezes, fica pendurada no prego para que o contribuinte pague no momento oportuno para o sistema. Assim, os banheiros de inox estão sendo instalados pelo município de São Paulo, com custo zero para o erário público municipal, mas com financiamento direto do governo federal, oferecendo contrapartida com as isenções legais dentro do imposto de renda das empresas. Em suma, o Dória está vendendo uma imagem e um produto construídos em cima de si, querendo agregar o dinamismo dos negócios e das operações financeiras dentro da gestão pública, se esquecendo que a natureza dos negócios é o lucro, enquanto que os empresários e o setor privado não gostam de perder dinheiro. Logo, me pergunto até quando a maquiagem do marketing se sustentará.

Por fim, quando vejo o foco do Dória, que acabou de ingressar na Prefeitura da cidade de São Paulo, idealizando e induzindo o paulistano para conduzi-lo à Presidência da República, não posso deixar de retornar ao histórico do ex-presidente Jânio Quadros, que alcançou a Presidência do Brasil numa carreira meteórica e acelerada, que terminou num governo desastroso para os paulistanos e brasileiros, levando o país ao Golpe de Estado de 1964 e ao rompimento democrático.

Não poderia terminar esta resenha sem atentar para a essência do materialismo histórico, que se baseia no princípio de que a História é feita de homens que exploraram outros homens, enquanto que, em sua dialética, os fatos se repetem, trocando somente os nomes dos personagens. Logo, acenderei meu charuto e ficarei admirando o circo que estão querendo construir para o país.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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