barcaaaa belaaaa

Novembro de lama e sangue

Esse novembro está mais quente que os outros.

Quero me trancar no quarto,

Apagar as luzes, deitar na cama pelado,

E ligar o ar condicionado no máximo.

 

Como não me bastasse o calor,

Meu corpo transpira de indignação e medo.

Além dos muros da segurança do meu castelo imaginário,

Vejo e só leio a dor provocada pela humanidade.

 

Há mortes em Mariana.

Executaram mais um atentado na França.

O acidente liberou parte da sujeira em Brasília.

 

O governo se solidariza com as vítimas do atentado.

Entretanto, continua dando passagem livre aos refugiados,

Defendendo o diálogo com os fanáticos.

 

 

O Papa Francisco pede cautela

Para que essa geração não viva uma nova guerra.

Enquanto isso, o Grupo dos Vinte discute o destino da síria,

Fazendo tratados além das suas soberanias, em outras terras.

 

A França respondeu com bombardeios aos terroristas.

O alerta vermelho foi acionado em toda democracia.

Putin fala em paz, mas alimenta a guerra,

Que lhe exige a estratégia e a arte da diplomacia.

 

Os refugiados sírios estão encurralados,

Pois, se voltarem, morrerão.

Se ficarem, correrão o risco de serem deportados.

 

Em Bento Gonçalves, a barragem da Vale se rompeu,

Enquanto que a lama enterrou parte de Mariana.

A maioria dos brasileiros não entendeu

Os motivos que levaram a imprensa nacional a falar somente da França.

 

O vale do Rio Doce está morto,

Diante do tamanho do acidente e de sua lógica.

A lama invadiu o leito do rio todo,

Contaminando suas águas com toda a tabela periódica.

 

A opinião pública julgou o acidente sumariamente,

Ignorando o terremoto e culpando àqueles que controlam suas nascentes.

E assim, já falta água potável para atender tanta gente.

 

No silêncio, me pergunto os motivos de tanta demência.

Os municípios receberam os royalties, mas ignoraram a contingência.

Na sua ganância por dinheiro, o Estado abandonou a providência.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

Comentários