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O que a sociedade deve fazer, quando a prefeita é culpada e vítima do sistema?

A história de todos os riobonitenses está sendo construída nesse exato momento, ora pela omissão, ora pela luta participativa, ora pela revolta, ora pelo silêncio, ora pela ignorância e oportunismo. Não importa o motivo, quando o tema do assunto é POLÍTICA, a vida de todos aqueles que existem, bem como das futuras gerações, estão envolvidas.

Aos olhos da maioria, que não pararam para avaliar a situação estratégica e seus impactos, em 2012, eu simplesmente apoiei a Solange Pereira de Almeida, ajudando na construção do seu discurso, transferindo minhas ideias e objetivos coletivos, para que a mesma se apropriasse no palanque e cumprisse a palavra, caso fosse eleita. Naquele momento, a Solange não tinha o apoio da imprensa e da minoria da classe média. Sua coordenação de campanha era composta por pessoas espertas na articulação política, mas com a ausência de qualquer tato com o correto tratamento com eleitor. Isso estava evidente, quando apresentaram o plano governo composto de uma única lauda ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral), virando motivo de piada em toda cidade, quando o concorrente, Matheus Neto, apresentava um plano de governo robusto, com imagens em 3D, incluindo obras e mais obras. No desespero, a candidata caiu na armadilha, em função da ausência de pessoas com credibilidade social no seu grupo de um lado, e pela vaidade cumulada com a necessidade de ganhar a eleição do outro. E assim, a Solange saiu do discurso assistencialista para o tecnocrata e humanista, onde deixaria de fazer caridade com o dinheiro público, trabalharia pela melhoria do município, investindo na capacitação, na criação das novas vagas de emprego, além de incorporar, de fato, o Município no COMPERJ.

A Solange não considerou, em qualquer momento, que suas palavras estavam sendo registradas através dos vídeos, artigos, atas das reuniões nas associações e organizações sociais. Ela ignorou o fato de que a sociedade contemporânea é monitorada 24 horas e continuamente pela internet e pelas redes sociais. Essas ferramentas de comunicação alimentam as mentes dos cidadãos com informações diariamente, independentemente do tempo e do espaço. Em suma, eu tinha consciência de que, caso a Solange não cumprisse sua palavra com a sociedade, ela estaria com tudo registrado nas minhas contas no youtube, no site e no facebook. Ingressei na campanha para aconselhar e ajudar no processo gestor, porque a cidade estava e ainda está estagnada economicamente. Não vi e não vejo futuro para nossos filhos e netos, se não acontecer uma mudança radical em Rio Bonito na gestão pública, visando a ampliação das vagas de trabalho e a capacitação da nossa juventude. Assim, na melhor das intenções, eu acabei fazendo o trabalho da oposição, construindo o registro histórico e linear dos atos e promessas da prefeita.

Quando escrevi o texto do impeachment de Solange, me baseei no contexto histórico e na ausência da Câmara dos Vereadores diante das soluções nos problemas sociais e governamentais. Simplesmente, as contas não batem no governo, mas são aprovadas, mesmo assim.  Numa empresa privada, seria aplicada uma auditoria autônoma ou por conta do próprio governo, dependendo do setor estratégico. Mas, o que a sociedade poderá fazer, quando àqueles, que deveriam fiscalizar o Poder Executivo, não o fazem por desconhecimento da matéria ou por votarem por votar? – Se a Câmara dos Vereadores fosse adiante com o impeachment de Solange, ela sairia da cadeira rapidamente. O problema é que dos 10 (dez) vereadores, somente 02 (dois) apoiariam. Os outros 08 (oito) vereadores não se movimentarão, porque seus afilhados seriam exilados do circuito do poder, enfraquecendo a frente da campanha para as próximas eleições em 2016. Aliás, é por causa desse pensamento majoritário dentro do Poder Legislativo, que os Prefeitos não reduzem os cargos comissionados e não tornam o cargo de diretor dos colégios municipais eletivos pela comunidade, afetando, diretamente, nas relações orçamentárias, bem como no plano de cargos e funções dos servidores municipais e o pagamento do piso salarial nacional aos professores. Assim, quando os sindicatos dos profissionais da educação e dos servidores públicos do município se reúnem com os prefeitos e vereadores, na realidade, o que acontece é um teatro de um poder colocando a culpa no outro, enquanto que as coisas não são resolvidas, sendo postergadas para a gestão seguinte, que continuará com o mesmo sistema, para que não aconteça com o Prefeito o mesmo destino que ocorreu com o ex-prefeito, Aires Abdalla, que foi o primeiro prefeito a sofrer impeachment na história do Brasil.

Como tenho feito ao longo das últimas duas décadas, farei minhas crônicas, poesias e artigos, registrando cada fase política e social da cidade de Rio Bonito. Não me envolverei nos conflitos entre os grupos políticos e suas bandeiras egoístas na busca pelo poder. Prefiro construir castelos à virtude e cavar masmorras ao vício, torcendo que, na próxima eleição, em 2016, surja um grupo distinto dos atuais, formado por pensadores, empresários e pessoas preocupadas com a ética e a coletividade.

Por fim, mais uma vez, eu convido o leitor a refletir sobre a realidade da sociedade brasileira e da política riobonitense nesse exato momento. Não acredito nas mudanças imediatas, sem consciência ou sacrifício. Entretanto, é importante compreendermos que os problemas éticos em nossa sociedade são antigos e já se incorporaram ao inconsciente coletivo. Embora, a maioria dos brasileiros diga que a eleição se limita ao momento do voto, cabe ao cidadão e a sociedade organizada participar e fiscalizar os Poderes Executivo e Legislativo, no intuito de que os abusos não sejam cometidos.

Enfim, Solange é vítima de si, do seu grupo e do sistema, o que a torna culpada aos olhos da sociedade.

 

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

 

 

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