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Oriente

Rio Bonito, 26 de junho de 2004.

Trópico de câncer…
Trópico de capricórnio…
Linha do equador…
Aurora boreal…
Você…

Se te roubasse um beijo,
Talvez me deste um tapa…
Se te tocasse os lábios,
Talvez se apaixonaste por mim…
Se te beijasse,
Talvez me resgataste…
Na escuridão do abandono.

Beijo teu não roubarei;
Não por timidez ou medo,
Mas por educação.
Afinal, o beijo teu…
Deve ser dado por conquista,
Pois, ao contrário da vida,
Seria um mero beijo…
Como os outros.

O beijo é muito mais…
Do que a mera troca de saliva,
Ou o toque rudimentar de dois lábios.
Ele deve ter sabor, cheiro e sentido.
Todo beijo deve ter compromisso,
Seja ele de afeto, amor ou carinho.
Todo beijo deve ser infinito em sua essência;
Para representar aquilo que sentimos.

Quando se beija,
O coração deve explodir como um sol nascente
Que acaba de surgir por si mesmo,
dando origem à noite e ao dia.
Quando se beija,
O sangue deve queimar como lava,
A alma deve se expandir ao oriente.
Os amantes devem se sentir em santidade
E invadidos pela alegria.

Por isso, beijo-te em sonho…
Beijo-te acordado e também dormindo.
Beijo-te em todas as esquinas.
Não desejando outros lábios,
Pois o beijo é um ato muito íntimo…
Que só quero dividir contigo e mais ninguém.
Logo te digo que meu beijo…
É um ato de compromisso.

Se, um dia, me roubaste um beijo,
Lembre-te de tudo que aqui foi dito.
Que esse beijo não seja de carência,
Ou por curiosidade reprimida…
Que ele tenha a intenção dos sonhos
E que seja o primeiro passo para eternidade a dois.
Porque só se pode ter uma única amante como oriente;
Enquanto que o beijo, por si, (…)
Já não seria o bastante.

Talvez sejas assim o beijo teu…
Aldebaran, Órion, Via Láctea
Um vulcão em erupção,
Uma estrela cadente…
Um terremoto destrutível…
Um sonho que não acordou…
Um momento que não aconteceu…
A pergola entre o oriente e o ocidente….
Simplesmente você e eu.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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