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Padre Eduardo, o profeta contemporâneo

”Sete remédios para Rio Bonito” primeiro remédio : Louvor e agradecimento – Chega de falarmos no que está ruim, no que não acontece. Rio Bonito é uma cidade privilegiada. Segundo remédio : O perdão – Nos coloquemos no lugar do outro, a culpa também é minha, é nossa. Só não temos uma cidade melhor porque precisamos ser pessoas melhores a cada dia. Terceiro remédio: Nova consciência- Os verdadeiros gestores somos nós. O que eu posso fazer? Acabemos com a síndrome de Pilatos! Não elogiemos,  mas também não critiquemos. Quarto remédio: Ter fé e esperanças vivas – Se temos fé não podemos ver tudo numa mesma ótica. Não é humano torcer para as coisas darem errado. Quinto remédio: A entrega a Jesus – O segredo de Rio Bonito está na casa do Pai, na igreja. Deus é o grande gestor. Cuide da nossa cidade Senhor porque ela é Tua. Sexto remédio: A entrega a Nossa Senhora – Como pensar numa casa sem a mãe? É a mãe que sabe onde a casa precisa ser arrumada. Sétimo remédio : O AMOR – Precisamos encontrar esse remédio nas nossas ruas, nas nossas casas , nas nossas escolas… Não importa se sou de Solange ou de Mandiocão, se sou Católico ou Evangélico… O amor não divide, o amor comunica. Amor isolado não é amor. ” Padre Dudu, em 07/05/15.

Ao ler o apelo do Padre Eduardo e ao ver a fotografia da “Caminhada pela Paz”, fui obrigado a fazer uma análise profunda. Assim sendo, farei o caminho inverso, começando pela interpretação fotográfica do registro do evento, quando

Padre Eduardo liderando a "Caminhada pela Paz" no dia 07/05/2015.

Padre Eduardo liderando a “Caminhada pela Paz” no dia 07/05/2015.

atravessava a esquina entre a Rua da Conceição e a Avenida Sete de Maio, onde o Padre liderava a caminhada, com os fiéis lhe seguindo, carregando a faixa com os dizeres de desejo puro de uma sociedade que anseia por justiça social, qualidade de vida e paz. Todavia, se formos analisar a fotografia com maior precisão e profundidade, notaremos que a caminhada está passando por um asfalto trincado, que parece a caatinga ressecada do sertão, ou poderíamos dizer o “sertão de pedra”.

O asfalto trincado pelo calor e o desgaste do tempo demonstra justamente que nós cidadãos precisamos cuidar mais da cidade, de suas obras, suas construções e de sua identidade cultural. O asfalto é o símbolo do progresso para a maioria dos governantes fluminenses, mas, eles são frágeis e trincam com o tempo. O mesmo fenômeno se repete com os edifícios públicos e privados de Rio Bonito. Simplesmente, as regras físicas da inércia e do atrito são infalíveis. Logo, precisamos compreender que as coisas foram construídas para serem consumidas pelo tempo ou pelo uso, enquanto que precisamos cuidá-las para que durem o máximo possível. Por tal motivo, fico fascinado quando observo a imponência das pirâmides do Egito ou da Biblioteca de Alexandria. Não são as estruturas por si que me cativam, mas a energia social que é depositada para garantir a perpetuação de tais monumentos, com seus respectivos conteúdos, registros e histórias.

Padre Eduardo está certo, quando demonstra uma Rio Bonito dividida em grupos políticos e demais tipos de variações, geralmente, baseadas nos interesses econômicos. Ele está atuando no tempo presente e em cima do asfalto trincado, que é o símbolo do progresso, fazendo aquilo que os profetas praticavam na antiguidade clássica judaica no deserto, entre a areia, o barro, a pedra, os poços d`água e os camelos: – A Organização social, baseada num propósito coletivo e espiritual.

A comunidade católica está assumindo a posição do diálogo e da aproximação entre os demais grupos e divisões na sociedade riobonitense. Esse passo era necessário e alguém tinha que fazê-lo em algum momento. Por isso, eu tenho que parabenizar o pároco, porque ele está levando a Igreja para a sociedade e permitindo que a sociedade toda se sente à mesa do diálogo para repensar sua organização e fazer cobranças legítimas aos governantes. Entretanto, o grande desafio do pároco e de todas as lideranças  será vencer a consciência e a rivalidade cultural dos grupos riobonitenses.

Ao longo da última década, tenho defendido a unidade e a maior aproximação dos grupos políticos na nossa cidade, focalizando o fortalecimento da sociedade. Caso tal aproximação venha acontecer, bem como seus resultados positivos, a mesma só será possível por causa da atuação do Padre Eduardo, porque a criminalidade e os desajustes sociais não são novidades, bem como a maioria dos problemas sociais.

Há um recado sendo dado nisso tudo: – A sociedade perdeu a fé na classe política. A sociedade perdeu a fé nas funções do Estado, devido à sensação do abandono, que é intensificada pela televisão e demais mídias. Com a sensação de insegurança e a ausência latente do Poder Executivo e Legislativo, em não escutar a sociedade nas reuniões sem sentido, no caso de Rio Bonito, a sociedade está assumindo o caminho para o diálogo e a tentativa da cura por si mesma. A questão política é somente uma: – O que poderemos fazer, se o Poder Executivo e o Legislativo estão de mãos dadas, dançando uma cantiga de criança e fazendo uma ciranda? – Torço para que o Padre Eduardo tenha êxito e consiga a unidade, bem como seus efeitos sociais. Torço que coágulo político seja retirado, enquanto que as sequelas sejam resolvidas. Espero que as reuniões sejam convertidas em ações imediatas e planejadas para o futuro, porque a onda da criminalidade passará, como outras vezes, mas os demais problemas se perpetuarão, se continuarmos isolados, indefesos e sozinhos, mesmo que seja na falsa ideia de que os grupos políticos nos protegem ou nos protegerão de alguma ameaça.

Por fim, o encontro ecumênico de todas religiões, visando a melhoria da sociedade, é salutar e necessário. E quando faço tal afirmação, estou incluindo os ateus no universo, porque somos todos seres humanos, livres e participativos. Precisamos valorizar o que temos em comum e deixarmos as singularidades de lado. A comunidade católica tem a energia, a força e a maturidade necessária para promover as propostas do movimento. Independentemente da minha fé judaica, sou solidário ao Padre Eduardo.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

 

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