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Precisamos conversar sobre as perseguições aos professores e a utilização do FUNDEB.

AkVwf28v-7jAQHdogMC1xegcU9hL7j_GgplUu6FOSRJ4Estou vendo as pessoas fazendo as mesmas coisas, cometendo os mesmos erros ao longo das últimas décadas. O que me assusta é que, mesmo assim, elas acreditam que os resultados poderão ser diferentes, sem o exercício da mudança do comportamento, da consciência e da forma de trabalhar em equipe. Logo, precisamos repensar Rio Bonito. Precisamos repensar a administração pública, os cargos políticos e sua verdadeira utilidade para a sociedade.

Os políticos esperam o mesmo resultado, porque não viram o diferente. Está na hora da educação mostrar a DIFERENÇA, mesmo com as perseguições àqueles que estão se posicionando nas escolas e na sociedade, aderindo ao movimento de greve, questionando os mandos e desmandos do governo. A perseguição, incialmente, se materializa com a perda do extra e as famosas transferências. A verdade é que o professor ganha salário mínimo, pagando o custo do transporte do seu próprio bolso, quando deveria estar ganhando o piso nacional, há anos, que, em 2015, está no valor de R$1917,78. Estamos falando da diferença R$929,78 por cada professor.

Porém, o piso nacional se refere a 40 horas de trabalho. O mesmo não se aplica aqueles que trabalham 20 horas. Precisamos ponderar o FUNDEB, e pensá – lo corretamente, para conscientizar, provocar e não gerar falsas expectativas a categoria. A sociedade precisa compreender a dinâmica do mesmo mecanismo.

Rio Bonito é uma cidade educadora, cujo governo exige a transparência da sociedade, mas se recusa demonstrar os valores e seus respectivos destinos aos seus cidadãos. Era para o FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) investir 60% de sua composição na valorização dos professores e demais profissionais de educação, enquanto que os 40% restantes deveriam ser investidos nas escolas, sendo administrados pelos diretores, que deveriam ser eleitos pela comunidade, incluindo os alunos e seus respectivos pais.

A verdade é que o dinheiro vem de Brasília todos os meses, mas os professores continuam desvalorizados, as escolas sucateadas e a merenda escolar deixando a desejar. Não valorizaram o professor, mas construíram um máquina, baseada no PROCESSO SELETIVO, para preencherem a demanda com contratos, que possuem poucas ou quase nenhuma garantia trabalhista aos olhos do governante. Por exemplo, no final do ano de 2014, os contratados não tiveram seu abono natalino ou 13º salário, sob a alegação de que o Município estava sem dinheiro. Mas como assim, se, pela Constituição, os entes federativos devem investir no mínimo 25% do que arrecadam em educação, enquanto que o FUNDEB é o dinheiro complementar para atender aos objetivos supramencionados?

Precisamos repensar a educação e a sociedade que queremos para nós mesmos e nossos filhos no futuro. Maltratando os professores, estamos nos maltratando, além das futuras gerações.

Não é justo obrigar aos professores, que tem direito a aposentadoria especial, trabalharem mais 80 (oitenta) meses, quando deveriam se aposentar com 25 anos no exercício da docência. O nome disso é incompetência e pode ser interpretada como terrorismo psicológico e econômico, principalmente, porque os profissionais concursados tiveram a previdência descontada todos os meses, ao longo da carreira.

A sociedade precisa saber o que está acontecendo de um lado, e tomar uma posicção do outro. Em suma, apoiar o governo municipal será o mesmo que deixarmos destruir o pouco que resta na educação pública, além de condenar o futuro das nossas crianças, tendo em vista que, se a qualidade já não estava boa, tenderá a piorar cada vez mais. Todavia, apoiar o movimento dos professores será o mesmo que dar uma nova oportunidade à sociedade para investir nas futuras gerações, objetivando uma educação mais humana e produtiva para todos.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

 

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