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Quando a poeira toma seu corpo e sua alma

Nós estamos tão ocupados com nossos compromissos profissionais e pessoais, enquanto acordados, que automatizamos as falas e os diálogos com o próximo. Simplesmente, seguimos uma programação, baseada em metas de eficiência e rotinas, que, na maioria das vezes, não fazemos qualquer ideia que as praticamos. É quase que inconsciente. Dessa forma, a humanidade está abdicando da dança do acasalamento, das preliminares e da sedução, partindo para o sexo pelo sexo.

Quando a faxina não é realizada com dedicação por parte da doméstica, ou quando a dona de casa deixa de fazer o trabalho de analisar os mínimos detalhes, a poeira vai se acumulando por debaixo do tapete, por cima da mobília, até impregnar a roupa. Depois, vem o mofo, caso haja muita umidade no lugar. Somente os alérgicos prestarão a atenção devida e necessária para tais detalhes, porque sua sobrevivência dependerá disso, incluindo as noites do sono consumado com tranquilidade, sem remédios, nebulização e o inchaço provocado pelos corticoides.

Precisamos aprender a tirar a poeira acumulada pela rotina com os alérgicos. Precisamos conversar mais, escutar mais e participar ativamente da nossa própria vida, ora como coadjuvantes da vida daqueles que compartilham sua existência conosco, ora como protagonistas nas inversões dos valores.

Uma coisa é certa: – Tem muita poeira nesse mundo. Ela se acumula nas coisas em movimento. Ela esconde àquelas que estão paralisadas no mesmo lugar já há bastante tempo. Logo, vamos fazer uma faxina na rotina, prestando a atenção nos detalhes e nas pessoas, antes que a poeira te possua, como a mobília da sua casa, impregnando sua alma como um corpo sólido.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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