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Quando o assunto é economia, o brasileiro é hipócrita

Não há sombra de dúvidas de que a economia brasileira prosperou no governo Lula de 2003 a 2010, enquanto que a Dilma Rousseff conseguiu manter o padrão dos indicadores econômicos até 2013. Esse período foi marcado pelo renascimento da construção naval e civil, bem como da habitação popular, cujos empreendimentos atraíram a atenção dos investidores estrangeiros. Assim, a cereja do bolo do crescimento econômico foi o PRÉ SAL e as promessas de altos ganhos e investimentos no petróleo brasileiro. Todavia, em 2014, o sonho acabou.

O primeiro sinal de que o inevitável aconteceria, foi quando a OGX, de Eike Batista, sofreu sua primeira retração no mercado internacional, provocando o impacto de -R$42bilhões  na balança comercial, logo no primeiro trimestre de 2014. O governo brasileiro injetou no mercado o mesmo valor para deixar a balança comercial em superávit. E o mesmo mecanismo artificial foi aplicado até o término das eleições presidenciais, no mesmo ano.

Da mesma forma que o governo brasileiro injetou dinheiro artificialmente para permitir o fluxo do capital (capital de giro) no comércio exterior, realizando empréstimos às nações do terceiro mundo, o sistema público seguiu a dinâmica, injetando dinheiro no setor industrial e no agronegócio, utilizando o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES. Em suma, o Brasil estava crescendo nos índices econômicos, mas o setor da produção e o energético continuaram na mesma estrutura, porque injetaram dinheiro no mercado, sem planejar a base das operações futuras, que corresponderiam na construção de mais indústrias e geradores de energia. Resumidamente, os empresários se aproveitaram dos empréstimos com juros baixíssimos para ganharem muito dinheiro, através do aço, do petróleo, dos fundos de investimento e da construção civil. Mas, conforme a lei da responsabilidade, o governo não poderia injetar dinheiro no mercado no ano eleitoral, logo, a onda iniciada pela OGX, com seu fracasso operacional no PRÉ SAL, se estenderia ao mercado brasileiro como um todo, porque o bolo do crescimento econômico era uma miragem, construída por banqueiros e especuladores financeiros.

Deixando as ideologias de lado, fico assustado, quando observo o comportamento humano e empresarial do brasileiro, que construiu prédios e casas com o empréstimo do governo, ganhando muito dinheiro, sem remorso ou culpa. Será que eles realmente acreditavam que o dinheiro estava saindo da própria economia? – Acho que não, porque dinheiro não dá pé e exige muito trabalho e planejamento. Por exemplo, a cidade de Rio Bonito – RJ, que possui 57.000 habitantes, teve uma majoração astronômica no mercado imobiliário por causa do milagre econômico e do COMPERJ: – O terreno, medindo 12 X 30, saltou dos R$30.000,00 para R$200.000,00, enquanto que o imóvel padrão com 02 quartos saltou dos R$60.000,00 para R$780.000,00. O problema é que a cidade continua com a mesma configuração econômica da década de 1980, com altos índices de desemprego e desigualdade social, que se agravaram com a crise no COMPERJ.

As pessoas se perguntam para onde foram os R$167bilhões das pedaladas fiscais. Se vocês olharem os imóveis fechados, com as placas de aluga-se  ou vende-se, as indústrias e demais empresas, que fecharam suas portas nos últimos seis meses, encontrarão a resposta. No final, é fácil culpar o governo e a economia, quando, na realidade, muitos executivos e empresários ficaram milionários, especulando, comprando e vendendo, com o dinheiro público, que era injetado continuamente em setores estratégicos. Logo, não é errado afirmar que a Operação Lava-Jato retirou a PETROBRÁS do circuito da corrupção, deixando o ambiente limpo para que qualquer pesquisador possa analisar e tirar sua própria conclusão.

Por fim, a sociedade precisa compreender que retornamos à realidade brasileira, sem marketing ou ilusões. Isso quer dizer que o imóvel que está sendo vendido por R$780.000,00 vale, na realidade, R$270.000,00, porque a economia brasileira é baseada no salário mínimo e na capacidade de compra do cidadão.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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