Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 13/01/2014. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (e), e o vice Luiz Fernando Pezão (d) durante solenidade  de entrega de chaves do conjunto Aroldo de Oliveira, do Programa "Minha Casa,  Minha Vida", em Barros Filho, na zona norte do Rio de Janeiro. - Crédito:MARCOS DE PAULA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Código imagem:155307

Sérgio Cabral está preso e o Estado do Rio de Janeiro transferiu mais R$100 Bilhões até outubro de 2016 para Brasília

O ex-governador, Sérgio Cabral, resolveu brincar de banco imobiliário com o dinheiro do aposentado, pegando parte do RIOPREVIDÊNCIA para criar um superfundo de investimento, vislumbrando ganhar juros na Bolsa de Nova Iorque, em 2010. O Brasil estava em alta com a conquista da Copa do Mundo para 2014 e as Olimpíadas do Rio para 2016. Logo, tudo estava indo muito bem, até o mercado perder o padrão, transformando os lucros em prejuízos, enquanto que a garantia para o pagamento também estava em situação difícil, por causa dos royalties do petróleo, que ainda estão em baixa desde 2014. Assim, fizeram uma vaquinha aqui, migraram valores daqui, até chegarem o fundo principal, que já tinha oferecido a maior parte do capital inicial para o negócio desastroso, o RIOPREVIDÊNCIA com o dinheiro que estava dedicado para fazer a manutenção dos servidores aposentados e pensionistas.

Meu caro leitor, é importante lembra-lo que o Sérgio Cabral não estava sozinho nessa, tendo em vista que o atual governador do Estado do Rio de Janeiro, o Pezão, era o vice-governador na época, enquanto que o deputado estadual, Paulo Melo, esteve na Presidência da ALERJ pelo mandato inteiro de 2011/2014, exercendo, inclusive, a função de vice-governador e governador no mesmo período. Logo, não existe inocente quando se está com a caneta e a autoridade de um poder investida em suas mãos. O único problema é que político não era preso no Brasil até essa semana, quando, no dia 16/11/16, prenderam o ex-governador Garotinho pela suspeita do uso indevido do projeto “Cheque Cidadão” na compra de votos em 2016, enquanto que, no dia 17/11/2016, prenderam o ex-governador Sérgio Cabral, acusado de chefiar uma organização criminosa, que fraudava licitações e cobrava propina das empreiteiras, num período em que o Estado do Rio de Janeiro recebeu mais de R$30 bilhões para as obras da Copa do Mundo e as Olimpíadas. Logo, a lógica indicará que os valores envolvidos no caso do Sérgio Cabral serão superiores aos quase R$40 milhões.

A lógica da acusação do Sérgio Cabral, diante de sua prisão e do seu encaminhamento ao sistema penitenciário de Bangu, é que o ex-governador será pressionado para fazer a delação e/ou a leniência para as empresas, passando toda a dinâmica do esquema, além de fazer a devolução de parte do dinheiro. Todavia, tendo em vista que a operação em questão é um desmembramento da operação Lava Jato, é importante analisarmos que existe grande possibilidade do Sérgio Cabral somente confirmar os depoimentos dos acusados da operação principal, o que lhe deixaria sem muita opção, salvo trazer toda a estrutura do esquema para dentro das investigações.

O presidente da ALERJ continua isolado, enquanto que o deputado estadual, Paulo Melo, mantém sua posição em defesa do governo que fez parte, sustentando a tese de que o pacote da austeridade é necessário, para salvar o Estado do Rio de Janeiro.

Por fim, enquanto o Pezão sustenta a calamidade financeira do Estado do Rio de Janeiro, vislumbrando chamar a atenção da sociedade e dos políticos em Brasília, ele deveria ter feito o dever de casa, quando a ex-presidente, Dilma Rousseff, mudou a regra dos royalties do petróleo, exigindo que o Congresso Nacional alterasse a regra do recolhimento do ICMS, que é descontado no destino em Brasília, no caso do petróleo, que repassa uma pequenina parte do imposto para o Estado produtor. Assim, o Estado do Rio de Janeiro, que enviou R$100 Bilhões até o dia 31/10/2016 para a UNIÃO sairia do vermelho e triplicaria sua arrecadação em um único mês. O problema é que o Pezão não quer solucionar o problema com o ICMS do petróleo, mas com a criação da CPMF com a alíquota dobrada, cujo padrão beneficiaria todos os 26 Estados da Federão, o Distrito Federal e a própria União. Nesse caso, os deputados federais e os senadores só votarão, se forem colocados na parede, porque a sociedade não aprova o retorno do imposto fantasma, principalmente, com a alíquota dobrada, que, aliás, foi uma ideia inspirada pelo próprio Pezão, que jogou nos ouvidos da Dilma, logo após as eleição geral de 2014.

Como pode o Estado do Rio de Janeiro, que já transferiu mais de R$100 Bilhões para Brasília até o dia 31/10/2016 , entrar numa crise de calamidade pública e financeira?

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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