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O Complexo Contínuo da Eternidade

Os dias estão mais curtos e os anos pequenos.

A velhice é inevitável na ordem da vida.

Ontem, ele me carregava em seus braços.

Hoje, eu aguardo sua visita eternamente.

Tento ensinar minha filha o certo,

Que é acreditar em Deus e praticar a justiça e a caridade.

 

Todavia, tenho medo de perder a crença e os valores,

Porque o mundo está ao contrário e acelerado,

Com as pessoas cheias de si e cultuando a vaidade.

Elas não percebem que estão perdendo o tempo,

Que é a única moeda com o valor da verdade.

 

Quando um único segundo passa,

Ele leva parte de todos consigo,

Sem direito ao reembolso ou a devolução.

Por fim, lembre-se da sua mortalidade…

E que ela sempre perderá para o infinito,

Com seu complexo contínuo da eternidade.

 

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

 

Gibran Mansur e Isadora Mansur - Aniversário de 15 anos de Isadora em 04/02/2017.

Soneto para Isadora

A noite foi o festival das luzes.

As constelações desceram para saudá-la

Com a verdadeira chuva de estrelas

No bailar do encanto dos anjos e deuses.

 

Enquanto seus olhos brilhavam

Com o renascimento de uma nova era,

Os convidados contemplavam…

A presença da nobreza mais sincera.

 

Testemunhei os pais que festejavam com sua filha,

Dando-lhe de presente o  melhor do mundo

E a graça das suas próprias vidas.

 

Testemunhei os pais que festejavam com suas filhas,

Presenteando-lhes com o tempo, os amigos e a família,

Porque são esses momentos que inspiram a valsa e a sinfonia.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

 

Dedicado ao aniversário de 15 anos de Isadora Mansur, filha dos meus amigos Gibran e Luana, realizado em 04/02/2017.

 

 

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Censura

Estou sem palavras para expressar aquilo que sinto.

Estou sem palavras para dialogar com as pessoas.

Tenho muito para falar, mas não posso.

No mundo bipolar, somos obrigados a escolher lados.

Não importa se seremos a oposição ou a situação,

Porque a censura é dita nas entrelinhas dos discursos,

Enquanto que seus adeptos ameaçam a ordem pública,

Ora com a violência e as armas, Ora com a jactância e a ignorância.

No final, me calo, não pelo medo da represália comunitária,

Mas, para que não me confundam com a bagunça.

E assim, executo meu direito constitucional de ficar em silêncio,

Degustando o sabor da revolução na leitura dos livros,

Evitando o desgosto da decepção e do tédio,

Deixando de calcular os lucros e prejuízos.

Logo, no benefício da clausura, como remédio,

Me tornei prisioneiro de mim mesmo,

Colecionando experiências e emoções do circo,

Cujos atores fugiram da doçura do hospício,

Para tornarem a existência humana mais cativante.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Sinceridade

Estou cansado.

Andei por vinte anos de história,

Para terminar no mesmo calçadão,

Vendo a elite glorificando a escória,

Colocando vendas nos olhos da nação.

A areia da praia me incomoda,

Enquanto que não consigo dar passos largos.

Simplesmente, meus pés atolaram nesta crosta,

Enquanto que meu corpo está em farrapos.

Quero chorar em sua água salgada, Copacabana,

Porque o trem do progresso saiu do trilho.

Sua locomotiva bebe cachaça com gasolina.

Seus sonhos e promessas foram adulterados,

E jogados debaixo do tapete durante a faxina.

Não satisfeitos com a maestria do teatro,

Me mandaram pagar a conta e nada mais.

Depois, o óbvio aconteceu:

– O Dólar subiu. A vara desceu…

No final, fiquei de castigo por minha sinceridade,

Olhando o cupom fiscal entre os dedos.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Delinquência e Glória

Para o poeta não importa

Se a vida é feita de derrotas

Ou se comunga nas vitórias,

Porque, no final do conflito,

Só haverá a glória interna,

Suplantada no teor da conquista.

 

Não haverá troféu ou medalha.

A banda tocará no bar lá na esquina.

As pessoas continuarão no egoísmo de suas vidas,

Enquanto que o artista encerrará com um ponto,

Admirando o âmago da sua escrita,

Declamando cada verso com rima.

 

 

E é assim que se forja a arte na artéria,

Inundando suas lágrimas no quarto escuro,

Tirando de si a grandeza e a delinquência do riso.

O poeta se transforma no júri, nos aplausos e na plateia.

Ele se alimenta de si e da sua abstração intuitiva,

Pois a inovação é a criatividade em movimento.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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A Busca.

Rio Bonito, 04 de agosto de 1998.

De onde venho? Para onde vou? Como estou indo? Quem eu sou? Há vida após a morte? Reencarnamos? – Faço-me as mesmas perguntas diariamente. E, quanto mais me questiono, mais questionamentos surgem, como uma maldição… a maldição do pré-determinismo. Mas, não tenho problemas com o divino por causa disso. Vou simplesmente realizando aquilo que acredito e registrando para a posteridade.
As perguntas anteriores são pertinentes, porém, de pouca importância; pois o primordial é a busca. Então, solicito, a D-us, vida longa, sabedoria, paz, prosperidade, uma linda caneta de pena com, pelo menos, uma resma de papel de linho; além, do principal, a mulher amada a qual dedicarei todos meus momentos e suspiros… Àquela a qual inspirar-me-ei no trabalho, em casa, no exílio e no asilo. E que todos saibam que, mesmo sem conhece-la, foi ela que deu sentido à busca desde do útero materno até a lápide de meu túmulo.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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Entre os dedos (Poemas Proibidos)

Não há como amar o egoísta,

Sem se perder no próprio amor,

Porque a cegueira da imagem construída

Não pode segurar o amargo da dor.

 

O fel se corroerá com as palavras.

O personagem ganhará mais emoção

O céu é composto pela luz das estrelas,

Enquanto que a alma se alimenta da ilusão.

 

Durante as noites, a donzela chora e delira,

Jorrando suas lágrimas entre os dedos,

Contorcendo seu corpo na fantasia.

 

E assim, se realiza o artista,

Interpretando a imaginação e o zelo,

Porque, no final, todo amor é egoísta.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Caridade (Poemas Proibidos)

Não lutei por você.

Abri a porta das nossas almas,

Deixando que as essências agissem.

Pois é a natureza que importa,

Enquanto que as ações se contradizem.

 

Deixei a gaiola da relação aberta,

Quando o rouxinol fugiu,

Sem questionar ou olhar para trás.

E assim, a vida seguiu…

Sem a interferência do incapaz.

 

Naquele momento,

Minha alma se expandiu,

Uma vez que a incerteza era audaz,

Enquanto que o medo não mais insistiu.

No fim, compreendi a triste verdade…

Que não lutava por ti, mas por mim…

Porque eu era a única criança que sonhava.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Saída à Francesa

A vida é uma grande festa, que a maioria sai à francesa.

A gente olha em volta e nota a ausência.

As pessoas partem sem beijo ou abraço.

No final, que o último apague a luz e pague a conta.

 

As gafes da noite viram piadas,

Transformam-se em histórias para os amigos.

Com o tempo, elas se tornam meras conversas,

Contadas aos estranhos e conhecidos.

 

Vou beber todas as taças da alegria,

Porque não pretendo ir embora da festa.

Mas, também, não  quero ser o último na folia.

 

Queria ficar mais um pouco,

Todavia, minha esposa me chamou,

Me fazendo perder a rima na escrita.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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O ovo do povo

Por entre os brinquedos das crianças,

Os políticos se realizam,

Subornando, com a gratidão,

A dependência financeira e a ignorância.

 

Por entre os cargos comissionados,

Os políticos negociam,

Transformando o público em privado,

Fazendo cortesia com o chapéu alheio.

 

Por entre as palavras do discurso da crise da saúde,

Os políticos lamentam a falta de dinheiro e amiúde,

Mas não fazem qualquer economia,

Chantageando a opinião pública para pressionar Brasília.

 

Por entre erros e mais erros,

Os políticos transformaram a república em várias monarquias.

Gastam todo o dinheiro do tesouro,

Contando com o ovo do povo.

 

Na próxima eleição,

O político apertará sua mão.

Ele levará seu voto e trabalho.

Cometerá o crime perfeito, com o abraço.

 

Ele colocará a culpa na crise mundial.

Dirá que falta dinheiro para o investimento público.

Mas, patrocinará festas e andará em carro oficial,

Pois, para eles, o eleitor é somente um número.

 

O cidadão, na qualidade do otário,

Pensa que é tudo em função das regalias e do salário.

Entretanto, o político precisa do seu voto e consentimento,

Para fazer acordos e dividendos com o orçamento.

 

Quando você pensa que já viu de tudo,

O político passa a investir em pedra brita,

Porque ela é a matéria-prima do concreto

E do trono futurista do Poder Executivo.

 

Se o dinheiro acabar,

Eles criarão um novo imposto.

O Estado precisa arrecadar,

Contando com o ovo do povo.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior