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Copacabana

copa4Quando piso em suas areias,

Não sinto vontade de voltar.

Fico encantado pelo canto de suas sereias

E pelo néctar da espuma do mar.

 

Por tal motivo,

Limito-me ao passeio no calçadão,

Admirando seus artesãos criativos,

Reprimindo meu corpo da tentação!

 

Suporto a distância da sua cosmologia,

Como a ignorância dos seus visitantes.

Eles não conseguem sentir sua poesia,

Além da gastronomia e das bundas redundantes.

 

Por outro lado,

Mesmo diante de sua decadência,

Eu guardei o melhor de ti comigo,

Iludindo-me com sua miragem em Rio Bonito.

 

Escrevo, choro e suspiro…

Porque, quando toco suas águas,

Lembro que te amo,

Enquanto que vem, na garanta, aquele desconforto.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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O ovo do povo

Por entre os brinquedos das crianças,

Os políticos se realizam,

Subornando, com a gratidão,

A dependência financeira e a ignorância.

 

Por entre os cargos comissionados,

Os políticos negociam,

Transformando o público em privado,

Fazendo cortesia com o chapéu alheio.

 

Por entre as palavras do discurso da crise da saúde,

Os políticos lamentam a falta de dinheiro e amiúde,

Mas não fazem qualquer economia,

Chantageando a opinião pública para pressionar Brasília.

 

Por entre erros e mais erros,

Os políticos transformaram a república em várias monarquias.

Gastam todo o dinheiro do tesouro,

Contando com o ovo do povo.

 

Na próxima eleição,

O político apertará sua mão.

Ele levará seu voto e trabalho.

Cometerá o crime perfeito, com o abraço.

 

Ele colocará a culpa na crise mundial.

Dirá que falta dinheiro para o investimento público.

Mas, patrocinará festas e andará em carro oficial,

Pois, para eles, o eleitor é somente um número.

 

O cidadão, na qualidade do otário,

Pensa que é tudo em função das regalias e do salário.

Entretanto, o político precisa do seu voto e consentimento,

Para fazer acordos e dividendos com o orçamento.

 

Quando você pensa que já viu de tudo,

O político passa a investir em pedra brita,

Porque ela é a matéria-prima do concreto

E do trono futurista do Poder Executivo.

 

Se o dinheiro acabar,

Eles criarão um novo imposto.

O Estado precisa arrecadar,

Contando com o ovo do povo.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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O Mágico

Entre os risos e conversas,

As pessoas se deleitam na fartura,

Se perdendo na bebida e na comida,

Saciando o pecado da gula.

 

A maioria conversa ao acaso.

Outros flertam a caça, em busca do sexo.

Os intelectuais se trancam no seu universo.

Os alienados são figurantes no enredo.

 

No final dos eventos e das festas,

O resumo da ópera é trágico,

Tendo em vista que a caça já tinha dono,

Enquanto que o mágico estava no acaso.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Trauma da Infância

Nunca é tarde para perdoar e continuar o caminho.

A família não é opção, mas destino.

 

Nunca gostei de fazer pose para os retratos,

Porque a imagem transmite muito pouco dos fatos.

 

A verdade é que precisamos de mais humildade,

Uma vez que o nunca limita a possibilidade.

 

No final, na tentativa de evitar os erros dos nossos pais,

Pecamos na ignorância dos atos e das palavras banais.

 

Criamos mais traumas da infância,

Quando deveríamos trazer a cura da sociedade.

 

Logo, em nome da minha geração,

Peço desculpas por ter gerado expectativa e frustração.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Silêncio

3301_1186Acabei com os sonhos de uma nação

Que clama por justiça, saúde e educação.

Esta geração teve seus sonhos furtados

Sob a legitimidade do Estado.

 

Nos hospitais, as pessoas estão abandonadas.

As escolas, sucateadas e sem merenda.

Os professores lutam pela causa de todos.

Entretanto, a sociedade lhes chamam de tolos.

 

Esse é o Brasil do dilema,

Que diz uma coisa e faz outra,

Que mente para o mundo e para si mesmo.

Esse é o país do poema e do problema.

 

Farei a delação sem prêmio,

Porque faço parte de tudo isso.

Tudo que ocorreu por causa do meu silêncio,

causando enorme prejuízo.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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A expressão do pensamento

Sonho com minha casa, minha terra e meu povo continuamente.

Tenho saudades de todos, sem exceção.

Quero muito voltar para o seio da minha gente.

Entretanto, preciso cumprir a missão.

 

Aqui, deve-se falar pouco,

Porque a falsa sensação da liberdade

Leva o orador a expressar seu pensamento,

Enquanto que o pelotão de fuzilamento será sua realidade.

 

Enquanto as pessoas lutam por vaidades,

Eu faço amigos, na intenção de ter uma boa conversa.

 

Admiro o confronto salutar das opiniões e das verdades.

Ele fica melhor, quando a arrogância se mistura à dúvida.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

Dólar fechou em alta mais uma vez nesta quarta

O Dólar é o maior de todos os americanos

O dólar é verde como a grama,

Seduz como a luz na escuridão.

Ora conduz. Ora cega seu portador.

 

O dólar é a história americana,

Impressa em papel moeda.

Através dele, toda uma cultura é mantida.

 

O dólar é dinheiro,

E tem o cheiro doce para o consumista,

Abrindo-lhe as portas do paraíso

 

O dólar é a moeda do câmbio,

Tanto nas bolsas de valores, quanto no mercado paralelo.

Dessa forma, o índice torna-se afrodisíaco.

 

O dólar constrói impérios e escraviza nações

Ele distorce o senso do certo e do errado,

Porque essa é uma de suas funções.

 

O dólar seduz nos filmes e na televisão.

Ele é a salvação de todos os males do mundo.

Em alguns momentos, é culpado de tudo.

 

Decerto, o dólar é o maior de todos os americanos.

Ele entra na sua vida, com ou sem seu consentimento.

No final, ele dorme contigo, entre sua esposa e o governo.

 

Não importará a moeda e as pedaladas fiscais,

Desde que a grama seja verde e saborosa

para manter o gado gordo muito além dos currais eleitorais.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Saudade com gosto de mexerica

Hoje, eu não quero saber dos textos grandes, com conteúdo e que sejam escritos por pessoas que se consideram geniais de berço.

Também, não estou com o corpo preparado para usar terno e gravata, pois, tais vestimentas escravizam seus portadores, transmitindo a ambígua ideia de que o mesmo é portador do poder por si ou o cumpre pela vontade de terceiros.

Não quero calçar tênis ou sapatos, porque meus pés precisam de liberdade para respirar.

E assim, ando descalço na pureza do meu lar, porque hoje é sábado.

No mais, eu queria matar essa saudade, que arde no meu peito, ficando sentado debaixo do pé de mexerica , vendo a fumaça branca sair do alambique lá embaixo.

Na hora da galinhada, desceria o morro com minha irmã, escorregando na folha da bananeira, rolando no barro vermelho.

Eu não queria crescer. Mas não houve outro jeito.  Então, quero ficar sozinho no catinho da sala, porque hoje é o dia do descanso. Porque hoje é sábado.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Os riobonitenses precisam se unir e abrirem mão do hífen

Realmente, eu não sei se os riobonitenses se isolaram da realidade porque escreviam rio-bonitense separado, ou se foi a grafia que provocou a separação e a dormência no povo. Somente os estrangeiros, que se tornaram riobonitenses por opção, compreenderão a complexidade que um hífen pode provocar em uma sociedade inteira.

Precisamos tirar o hífen da grafia para que o riobonitense pare de se ver num feudo, enquanto que haja coerência entre a palavra, o pensamento e a ação.

A questão agora é bem simples: Retire o hífen da grafia. Seja riobonitense e libere o curso das nossas águas à região metropolitana. Que eles bebam da nossa riqueza e sintam inveja do peso e tamanho do nosso paralelepípedo.

O hífen foi colocado na grafia, porque fomos grandes no passado e chegamos a conquistar os cariocas e os papas-goiabas no anonimato. Entretanto, é chegada a hora de restabelecermos a freguesia dos nossos avós.

Por fim, o asfalto nunca foi o símbolo do progresso, enquanto que o paralelepípedo identifica nossas raízes. Assim, eu resisto ao processo civilizatório escravagista moderno, abolindo o hífen da natureza que justifica o riobonitense, porque nasci carioca por acidente.

Enquanto os letrados brigarão pelas questões gramaticais de um lado ou pela morfografia do outro, eu atravessarei a Rua XV de Novembro, no corredor da história, para tomar uma pinga no Bar do Honesto, ficar em pé diante da prefeitura, vislumbrando o transcorrer do tempo, lentamente. Talvez, eu pare no Bar Nacional para degustar um café, antes que o passeio acabe no presente.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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SONETO SABATINO

Rio Bonito, 04 de junho de 2006.

Eu contei todas as estrelas do céu

challah_566_356_c1E não te vi nas constelações.

Tracei trajetórias de cometas,

E até fiz pedidos às estrelas cadentes.

 

Esperei sua anunciação e vinda de D’Alva.

Ansiei por sua chegada pela direção de Órion.

E… a cada fim de noite,

O Sol me cegava os olhos e ensurdecia aos ouvidos.

 

Idealizei sua pele como a mais pura seda.

Escutei sua voz no clamor do sábado.

 

Procurei-te nas escrituras.

Apertei bem os olhos para te enxergar,

Enquanto fazia a preleção no púpido.

Criando-me como uma nova criatura.

 

E assim, te olhava no jardim de infância.

Enquanto obteria a paciência de esperar.

Segurei suas mãos que tocavam piano,

E que traziam, aos ouvidos, cantigas de ninar.

 

Idealizei sua voz como uma oração.

Ajoelhei-me no cansaço dum ganso.

 

Na hermenêutica, fiz reparos pessoais.

Sinais foram-me enviados através do espírito.

Escutei a trombeta tocar durante o ofício.

Era o Sábado me chamando aos ouvidos.

 

Pude sentir a criação em gênesis.

Cada átomo do meu corpo se decompôs.

Ora eu era matéria… Ora eu era luz.

E só senti isso; porque era Sábado.

 

Talvez eu tenha ido onde o ancião não mais alcança.

Talvez a aliança deva se confirmar como uma composição.

 

Em Segunda Crônicas, capítulo quinto ao oitavo,

Salomão inaugurou o Templo de D’us…

A trombeta tocou e anulou os levitas;

Porque era Sábado.

 

E assim, cala-me a alma…

Como uma flor que perde pétala por pétala.

Mas, a força da flor sempre esteve ali;

Porque existe o Sábado.

 

Logo, consigo compreender o Criador e a criação.

Entretanto, não sou mais criatura, mas parte do divino.

 

Quem vive de projeção é número.

Quem vive de rancor, se torna um mal a si próprio;

Enquanto que quem se esconde,

Não terá conhecido mais nada além do seu esconderijo.

 

Em minha partida, tem aquele gostinho salgado na boca.

Parece que meus lábios estão ressecados.

Estou segurando a pontinha da primeira lágrima

Para demonstrar que nada disso importa.

 

Mas, lágrima não se segura o bastante.

Ela desce e escorre na fronte.

 

Não se escolhe quando se chora;

Mas pode-se decidir quanto tempo isso transbordará.

 

E quanto maior for o amargo no peito,

Maior será a intensidade da lágrima.

Até que os passos diminuem o ritmo,

E as pernas estremecem em covardia.

 

O poeta tentará não olhar para trás.

Contará que a amada lhe grite: – Espere.

Todavia, mesmo que assim não o faça,

Ele, na esperança de ouvir o pedido, parará.

 

Desencantada se fará sua alma.

Menor ficará sua chama.

 

Abandonado, assim, se fará o poeta;

Enquanto que, em sua porta, se verá a fila das gazelas.

 

Durante o tempo determinado,

Manterei minha Casa e minhas orações.

Exaltarei, no silêncio, minha súplica.

Guardarei toda minha força vital no sorriso.

 

Só não quebrarei a Lei de Moisés,

Porque conheço o tamanho da Mão do Senhor…

E o tamanho dos dedos do mundo.

E foi assim que, como homem, sempre pensei…

 

E para a amada, só posso deixar a compreensão do tempo;

Além de desejá-la que o Sábado esteja muito além do descanso.

 

Que o dia seja o dia…

Enquanto que noite seja somente à noite.

Que as estrelas continuem em suas respectivas posições.

Que o planeta Terra continue sua epilepsia.

 

Que o sim seja somente sim.

Que o não seja somente o não.

Que haja o respeito e a obediência.

Que haja o sentido no ser e na comunhão.

 

Que a Tathiana Ferraz compreenda o tempo certo das coisas;

Enquanto que a guardarei, como se fosse o Sábado.

 

Shabat Shalom!

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior