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Rio Bonito, 04 de novembro de 2005.

Dizem que sou louco,

Porque só sei pensar.

 

Dizem que sou bobo,

Que não sei amar.

 

Dizem que sou profano,

Que não sei orar.

 

Dizem que sou um tolo,

Que não sei dançar.

 

De tudo isso, o que me deixa mais infeliz…

É saber que não danço tango.

 

Sobre o resto de mim,

A maioria não tem a menor ideia do que diz.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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A Invasão

Rio Bonito, 12 de novembro de 2005.

Em qualquer conflito,

Deve-se conhecer o inimigo,

Bem como, seus recursos e território.

Deve-se saber de sua água e comida…

De sua tecnologia e meios de comunicação.

De seu poder de ação e reação.

 

Em qualquer conflito,

Deve-se saber as forças e fraquezas…

Sua capacidade de invasão e de aceitação…

Sua manutenção e o movimento das tropas;

Pois, somente, assim,

Haverá a garantia da vitória.

 

Entretanto, como se fazer diante duma invasão consensual?

Pois assim é o relacionamento: – Uma invasão.

Ora o indivíduo ganha, ora o indivíduo perde território.

Ora ele é obrigado a partir e ceder terreno a terceiros.

Ora ele tem que retornar e reconquistar aquilo que é seu por direito;

Justificando a arte da guerra em nome do amor.

 

Pesquisei seu território e sua cartografia.

Conheço seus recursos naturais e suas fraquezas.

Poderia simplesmente invadir e decapitar toda a nação invasora;

Mas, não haveria dignidade isso…

Logo, posicionarei minhas tropas nas nascentes dos rios e dos seus afluentes.

Tomarei as lavouras e diminuirei suas fronteiras.

Só para testar a reação.

 

De fato, quero saber se você ainda sente alguma coisa por mim;

Se ainda deseja alguma séria na vida e com responsabilidade.

Quero saber como o relevo e o clima se comportarão diante do meu exército.

Então, se a campanha for promissora,

Começarei minha invasão do norte para o sul;

No intuito de que o inimigo saia sem máculas ou com rancores mínimos…

Para que lhe sobrem somente os pés e o chão;

Porque o bom general deve permitir que o inimigo fuja e conviva com a desonra.

 

Mas, se o relevo e o clima me recusarem…

Deixarei minhas peças preparadas e armadas nas fronteiras para o momento certo.

Afinal, em tudo nessa vida, existem momentos calculados.

Todavia, se o país e sua nação primitiva me ignorarem,

Partirei para outros países que me proporcionem retornos melhores…

E assim, marcharei de vila em vila…

De província em província…

Em busca do lugar certo para edificar a sede do novo governo.

 

Outrossim, quando se invade terras ricas e profundas,

Torna-se difícil invadir outras…

Quando se apaixona por alguém, pode-se estar dominando o planisfério,

Mas não haverá sentido político no governo;

Porque faltarão a razão e a emoção…

Faltarão a pena e a cultura…

Faltarão o corpo e o coração…

 

E assim, começam as ditaduras,

As monarquias e as demais formas de Estado e Governo.

Homens matam outros pelo poder.

Sentimentos sobressaem outros pelo vazio.

Logo, o bom aprende a esconder o mal…

Enquanto o mal aprende a esconder o bem dentro de si.

Não conseguem ver o equilíbrio,

Senão, não haveria a invasão, mas a comunhão.

 

Após cinco anos de campanha pelo mundo,

Estou retornando com um terço de meu regimento.

A cavalaria tem sede e saudade.

Os mortos preenchem o livro das honras beneméritas.

O tempo e o frio corroeram nossas almas.

As espadas estão enferrujadas de suor e sangue.

Mas, a pilhagem foi rica e grande.

 

Como tudo em minha vida,

Estou preparado para mais uma batalha épica,

Desde de que o povo de meu antigo território me convoque,

Lutarei até cair o último soldado,

Enquanto estarei montado em meu cavalo no front.

Porque os generais devem morrer assim:

Com a honra da batalha, mesmo diante da derrota.

 

Só gostaria que soubesse, minha terra querida,

Caso o staff conclua que o relevo é  perigoso…

E que a bandeira de socorro não seja hasteada,

Aguardarei a convocação duma terra qualquer,

Que justifique a luta em sua partida;

Pois de que adianta levar a liberdade e o equilíbrio…

Ao país, cujo povo ainda deseja ser escravo?

Logo, nação assim merece continuar sitiada por mercenários.

 

 

O irônico de todo o nosso processo militar,

É que fomos invadidos,

Enquanto que perdemos nossa integridade…

Eu faria qualquer coisa para voltar e ficar ao seu lado.

Só não passaria por cima de ninguém para isso;

Uma vez que já sofri de tal maldade;

Não desejando retribuí-la a ninguém.

Entretanto, não posso ignorar que no momento da invasão,

Também fui invadido e que todo estratagema foi alterado.

 

Quando sai em campanha,

Deixei a porta aberta propositalmente…

Calculei e recalculei cada hora, dia e ano, para o retorno.

Esperei a terra natal amadurecer diante das outras invasões.

Esperei encontrar um gigante adormecido,

Que me receberia com o afeto da partida;

Ou que me destruiria com um simples levantar de dedos.

 

Esperei o silêncio e a ignorância que recebi de outros povos.

Aguardei a traição e o motim, motivados pela cobiça.

Criei a esperança da compreensão tecnológica e filosófica,

Baseada no acesso global das universidades…

E assim, como o criador de orquídeas,

Admirei e reguei meus olhares à distância,

Esperando o momento exato do florescer do lilás ou da violeta.

 

Mesmo que dissesse que te amo,

Sei que não faria a menor diferença;

Pois, não recebi uma carta sua durante todos esses anos.

Simplesmente brincamos de invasores e usurpadores de estrangeiros.

Logo, quando um general apaixonado por sua terra…

Não tem mais o direito legítimo de retornar,

Só lhe resta se abraçar a primeira centelha de canhão,

E embarcar na primeira fragata para outro continente;

Pois quanto maior for à distância,

Menor será o sofrimento,

Embora a saudade seja um estado de espírito.

 

Quem sabe,

Se o general não dedique à aliança,

Que deveria ser sua,

À primeira moura de olhos amendoados que aparecer!

E assim, surgiria uma nova civilização,

Baseada na manutenção dos mercenários.

Seria promovido ao título de Príncipe,

Possuiria um harém e nunca mais pronunciaria a frase: – Eu te amo;

Pois a mesma ficaria contigo na lembrança.

Digo isso; porque, em um rio, só existem as coisas que ficam…

E as coisas que passam.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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A afinidade descrita

Rio Bonito, 04 de novembro de 2005.

Só há emoção onde existe o pensamento.

No que você está pensando agora?

Não precisa me dizer.

Somente pense, sinta e reflita.

 

Sabe… Hoje, eu só gostaria que alguém precisasse de mim,

Assim como a noite necessita do dia…

Gostaria de estar em minha alcatéia…

E fazê-la somente dela meu par.

 

Ser o mel para adoçar os lábios carentes e sisudos.

Ser a chuva para tocar-te a pele sem constrangimento.

Ser a oração e sair de dentro de ti…

Pois assim estaria no auge da contemplação.

 

Só gostaria de saber se alguém necessita de mais alguma coisa nesse mundo agora, do que eu de você?

E assim, te idealizo em vocábulos nunca ditos, porém digitados…

Toquei sua alma, sem jamais tê-la tocado o corpo…

Compartilhei de suas ideias sem ter, sequer, contigo conversado verbalmente…

De fato, me vi em ti; quando procurava a mim mesmo.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Espíritos

Rio Bonito, 04 de outubro de 2015.

Não bastava a chuva.

Não sei por qual motivo,

mas fiquei a ti esperar.

 

Talvez por vergonha,

Eu quis ficar sozinho,

para sentar e chorar.

 

E chorei como criança,

porque não estavas aqui comigo.

Mas, vou me recuperar.

 

Desde que o senhor se foi,

eu não espero mais visitas,

Enquanto a maioria está ocupada.

 

O meu trabalho está bem.

Sou chamado pelo meu nome,

e até esqueço que tenho matrícula.

 

A Rússia bombardeou a Síria.

Milhares de pessoas migraram para Europa.

Enquanto que, por aqui, escrevo artigos.

 

A Sophia amadureceu rápido.

Enquanto que eu fiquei mais gordo.

E assim, nos adaptamos ao tempo.

 

Sei que você não pode conversar comigo.

Mas, nada me impedirá de escrever para um amigo,

ou para aquele que foi, um dia, meu pai.

 

Não importa o que digam.

Não importa o que interpretem.

No final, somos todos espíritos.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

 

 

 

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CORRUPÇÃO

Enquanto a maior parte da massa

Faz questão de ficar adormecida,

A minoria quer ser mais realista

Que seu próprio rei.

 

Eles montam esquemas de levagem,

Passam o dinheiro por bancos e empresas.

Por mais que pareça sensacionalista,

O errado é contabilizado na lei.

 

Da noite para o dia,

O pobre fica bilionário.

A maior ironia é que tudo acontece sem o suor do trabalho.

Até aqui, foi o que processei.

 

O sistema vicia o político.

O político quer ficar dependente do sistema.

Eles se amam, num relacionamento crítico,

Porque tudo pode ser descoberto e virar um dilema.

 

Eles não entram na política com boa intenção.

Simplesmente, interpretam um personagem,

Para ficarem habilitados no orçamento.

Essa foi a mensagem da república desde sua proclamação.

 

Começaram com os militares e suas espadas.

Depois, passaram pelo coronelismo do café com leite.

O Estado novo veio para colocar juízo na gurizada.

Brasília foi construída muito além do papel e do estilete.

Os militares não gostaram e tomaram o governo no tapa.

 

Com a abertura democrática,

Ficou latente que a nação brasileira é uma criança,

Que abriu mão do patriotismo, em nome da ganância.

E, no meio de tanto drama e ignorância,

O sistema abraçou a todos com o pecado da omissão.

 

A corrupção é arma do sistema.

Ou seria o sistema a máquina da corrupção?

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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O PARADOXO

Rio Bonito, 31 de outubro de 2005.

O vazio só tem sentido com o excesso de espaço.

O todo só existe com a determinação de limites.

Mas, o homem pode ser o todo e ao mesmo instante vazio…

Isso dependerá do tamanho de sua alma…

Ou do desprendimento de seu espírito.

Dependerá da maneira que vê o mundo e a si próprio.

 

Dessa forma, existem pessoas que se contentam com latas de sardinhas.

Outras que se satisfazem muito mais com caixinhas de fósforos.

Já temos àquelas que possuem latifúndios…

E são insaciáveis diante da necessidade tosca de preencher o vazio.

Para elas, o todo nunca será o bastante,

Até que se consuma a vida insanamente.

 

O paradoxo é a contradição que mantém o equilíbrio.

E assim, os seres humanos continuarão suas histórias,

Dando socos em ponta de faca,

Deitando em cama de pregos,

Ou comendo caquinhos de vidro.

Diante da falta do conhecimento de nós mesmos,

Nos tornamos criaturas teimosas e egoístas…

Um espaço infinito, limitado pela falta de imaginação.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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Os Bardos

Quero deixar de ser o cavaleiro que o sou.

Quero muito aprender a tocar banjo ou flauta

Quem sabe violino ou tambor!

Assim, transformaria o desastre em arte…

Exaltaria a coragem dos vivos durante o combate

E evocaria a lembrança dos mortos e de seus feitos.

 

Pelas tavernas, me embebedaria com os anões…

Enquanto aumentaria as estórias, os aplausos e as moedas.

Tocaria no intuito de iludir e fantasiar a todos…

Desde os humanos até os elfos…

Escutaria comentários aqui e ali…

Formando uma escolástica de informações.

 

Dormiria e acordaria nas tavernas.

A estrada seria meu destino.

Conheceria todos os lugares e culturas.

Conheceria o real e o imaginário…

O lúdico e o impossível.

Nos momentos de saudade dos amigos,

Visitaria seus respectivos túmulos;

Enquanto que trovas, ali, nasceriam.

 

Meu banjo choraria de alegria e de tristeza.

Minha alma seria como um andarilho…

De festa em festa…

De bosque em bosque…

De praça em praça…

De taverna em taverna.

Em situações sublimes e raríssimas,

Tocaria a alma dos apaixonados no matrimônio puro.

 

Todo bardo é assim:

Sem teto próprio;

Sem grilhões afetivos;

Muito sorriso e brilho nos olhos…

Para essa categoria, não há tempo ruim;

Mesmo quando seu lado é derrotado.

Pois a música e a arte não têm lado ou religião…

São ofícios errantes que todos necessitam.

Logo, o mundo está para o bardo,

Assim como, a pena está para o poeta.

 

 

 

Todavia, após muito refletir…

Conclui que bardo não quero mais ser;

Pois os guerreiros têm trovas e cortejos fúnebres.

Seus nomes são lembrados e honrados na genealogia.

Suas espadas se transformam em cruzes…

Ou são herdadas aos seus filhos.

Não gosto da idéia de visitar túmulos…

Ou de tocar durante o recolhimento dos corpos.

Se for para tocar alguma coisa,

Que seja, somente,  no átrio de minha casa.

 

Fatalmente, nunca presenciei qualquer enterro de bardo.

Se algum já aconteceu diante de meus olhos,

Passou-me totalmente despercebido!

Talvez, essa seja a sina do bardo:

– Viveu tanto a alegria e a música em vida,

Que sua morte se torna silenciosa por necessidade.

Talvez, a natureza artística exija isso de seu praticante,

Ou realmente a classe seja totalmente desunida.

Talvez, sejam todas as suposições…

O fato é que também nunca vi um banjo dormir…

Talvez, o bardo consiga a dádiva de ter filhos,

Mesmo, jamais tendo procriado de fato…

Esse é o grande mistério da arte,

Que a guerra jamais conseguirá compreender.

 

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

Solidão a dois

Alguém

Quando decidi escrever sob essa folha,

Ainda não fazia idéia de meu destino…

Até então, eu buscava escolhas…

Quando, de supetão, esbarrei em teu sorriso…

E me perdi no negro de seus cabelos;

Pois, sem gesto ou palavras,

Hipnotizaste-me como jamais acontecera…

Seria um sonho?

Seria a idealização duma miragem?

Não importas…  Afinal gostei…

Não sinto gosto doce assim já há muito tempo.

Isso, se algum dia já o senti…

Pois de ti não tive nada…

E já me faço por satisfeito em conhecê-la.

 

Mas que satisfação tola seria essa?

Ficar te admirando as escondidas…

Construí-la e guarda-la em sentimento…

No cofre imensurável de meu coração.

Seria tolice minha acreditar…

Que um simples mortal poderia guardar…

Àquilo que a cada instante aumenta e inflama;

Pois meu coração explodirá em lava…

E ejaculará sua ternura pelo infinito.

Pois, agora sei, de fato,

O motivo que surgem os vulcões.

Eles surgem do amor…  Amor que queima…

Amor, esse, que arde a alma,

E que alivia o corpo.

É o amor em total introspecção.

 

Maremotos arrasam meus litorais em lágrimas.

Chuvas torrenciais indicam enchentes…

Agora vejo que meu povoado de emoções passa fome.

Enquanto que a carcaça, os destroços apedrejam.

E quem reconstruirá meus caminhos?

Quem traçará a linha imaginária do Equador

Para redefinir o equinócio?

Quem verá novamente a aurora boreal?

Quem?

O estrago foi incalculável…

Não tenho mais contorno ou litoral…

Sou o resquício daquilo que um dia foi um arquipélago.

Não satisfeito, o divino me enviou um tornado de inspiração.

Consigo, veio uma tempestade poética…

Que, com suas letras, enfeitava o céu no finito.

E as letras pareciam e brilhavam como estrelas.

Elas formavam seu nome…

Enquanto que caiam e iluminavam o horizonte.

Dos destroços, só se via a luz…

A luz de seu nome e do seu riso…

A luz daquilo que é somente seu.

E numa alegoria crítica,

Já me fazia transportado por um cometa.

Assim foi a viagem contigo…

Uma reconstrução de lendas e mitos.

 

Levantei um templo em nome do amor…

O mesmo, em ruínas, caiu.

Elaborei a mais bela estátua a Afrodite…

Ao barro, a deusa voltou.

Escrevi uma enciclopédia de poesias…

As folhas se transformaram em pó.

Escrevi seu nome numa pedra…

A pedra se tornou ouro,

Enquanto que todo o sertão, ao redor,

Ganhou uma beleza jamais vista.

Pois assim foi a gênesis do paraíso.

 

Talvez, tal revolução literária tenha começado…

Antes do plano divino de meu nascimento.

Talvez, tudo já estivesse escrito nas estrelas…

Ou nas letras singulares de nossos nomes.

Talvez, eu tenha me apaixonado na sala de aula…

Ou em um comício político municipal de Rio Bonito.

Talvez, eu só quisesse o motivo para me aproximar…

Ou quem sabe, tenha sido tudo um acidente!

Quem saberá nessa vida?

Decerto, não vejo mais o mundo como antes…

Como não mais sou o mesmo antes de conhecê-la.

 

Pela primeira vez,

Tive vontade de ter um porta-retratos…

E, nele, expor uma fotografia sua.

Pela primeira vez,

Tive medo de conversar ao telefone contigo.

Pela primeira vez,

Senti muito frio e não queria ficar sozinho.

Sonhei em pé e deitado,

Aguardando um telefonema seu…

Esperei um milagre que ainda não veio.

Escrevi seu nome várias vezes na folha de papel.

Senti-me adolescente, como jamais havia sido antes.

Pela primeira vez,

Tive vontade de esquecer todo o passado…

E recomeçar do zero, o presente.

Tive vontade de aprender a engatinhar, andar,

Falar, pedir, e até ficar de castigo!

Gostaria de voltar à escola e estudar tudo novamente…

Aprender o apreendido.

Adoraria sentir o prazer…

E a falta de prática do primeiro beijo;

Bem como, a simplicidade das palavras indecentes!

Mas, tudo isso é passado…

Uma parte se perdeu em escolhas…

Outra parte desapareceu da memória.

 

De fato,

Eu adoraria conhecer seus pais,

Segurar sua mão na rua,

Namorar no sofá da sua casa,

Além de tomar o bom café da futura sogra.

Andaria, a pé, da minha casa até a sua…

E não me queixaria.

Daria, sempre que possível,

Uma passadinha na sua casa após a faculdade.

Mataria algumas aulas só pelo prazer de estar contigo.

Assistiria os ursinhos carinhosos e a luluzinha…

Passaria a ter um motivo maior na minha vida, você.

 

Talvez assim, eu me preocupe mais comigo…

Emagreça uns dez quilos,

Faça alguma luta marcial novamente,

Vá ao médico periodicamente para prevenção,

E recuse as demandas eleitorais do futuro.

Talvez, eu deixe de fazer tantos inimigos…

E aceite o mundo como o é.

Porque eu acho que chegou o fim da minha busca…

E a hora de começar um outro capítulo da minha vida,

O qual gostaria muito que ele tivesse seu nome…

Se Deus quiser, a futura mãe dos meus filhos.

 

Aliás, você tem compromisso para sábado à noite?

Porque o que vale é a tentativa…

 

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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Genialidade

Rio Bonito, 25 de março de 2005.

  

Sinto saudades das flores,

Dos cortejos e da valsa.

 

Sinto saudades dos presentes,

Das caixas surpresas recheadas de chocolate.

 

Sinto saudades da etiqueta…

E daquele lindo vestido longo que contornava o corpo feminino.

 

Choro só de pensar na meia-taça…

E na sensualidade do lingerie.

 

Sonho com passeios a cavalo…

E longas caçadas no bosque.

 

Desejo qualquer dia desses…

Viver tudo isso com alguém.

Todavia, as mulheres desse século…

Não são românticas ou criativas.

 

Gostaria de beber um bom vinho,

Acompanhado duma carne saudável.

 

De preferência, colocaria um par de velas acesas…

Sobre o altar da refeição carnal.

 

Preencheria o vazio do quarto com o incenso…

E o aroma das pétalas de rosas.

 

Leria um clássico literário,

Enquanto deleitava-me sob o afago de seus dedos.

 

Velaria seu sono para guarda-la em segredo.

Beijaria seus lábios como se fosse a primeira e a última vez.

 

Faria qualquer coisa para viver tudo isso…

Só não abriria mão de minha criatividade;

Pois, sem ela, minha existência não teria significado…

Eu seria mais um figurante na novela da vida.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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Nação Estranha

Eu tenho visto corpos estranhos,

Gente estranha com ideias estranhas.

Eles querem o bem do país,

Mas só pensam no melhor para si.

 

Eles perderam as eleições,

E decidiram ganhar no grito.

Construíram emendas,

Que provocaram as demissões,

Transformaram o Brasil num circo.

 

Carros blindados andam pela madrugada.

Somos manipulados na era da informação.

Constroem notícias de fachada,

Para gerar o ódio em uma nação.

 

Não existe política, sem corrupção. Proibiram o lobismo!

Os partidos foram construídos para purificação.

Logo, manter o cargo é muito caro, exigindo sacrifícios.

Mas o político não gosta do trabalho, usando os termos aditivos.

 

A eleição se faz com democracia.

Mas a democracia está no cadeado.

O sistema se blindou com as delações premiadas,

Dificultado o trabalho do Estado.

 

Essa nação é muito imatura.

Constrói candidaturas, para manter a ditadura.

Enquanto a informação nacional te aliena,

A imprensa internacional te orienta.

 

E essa é uma nação soberana,

Que transformou os nobres em estadistas.

Consentindo aberrações desumanas,

Que também são narcisistas.

 

Não importa se a economia está delicada,

Ou se o trabalho de uma vida irá à falência.

O Estado tem que aumentar a arrecadação,

Visando manter toda essa desorganização.

 

Somos tribos,

Que se organizam em feudos.

Depois, construíram a constituição,

Para transformarem tudo isso em unidade da federação.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior