NARDO

Sem a exigência do diploma, o jornalismo se torna livre e responsável

Quando falam sobre a história do jornalismo, eu imagino o homem mal vestido no velho oeste americano, num ambiente escuro e cheio de placas gráficas e tinta, com uma pequena mesa de madeira para escrever suas resenhas, no intuito de materializá-las no jornal. Esse mesmo jornalista tinha a função de cobrir os eventos, escrever as resenhas, fazer o trabalho gráfico, editar e distribuir o jornal pela cidade. Literalmente, era um trabalho de arte, que exigia amor ao conhecimento e à construção de uma nova profissão, num mundo cercado por criadores de gabo, prostituição, furto de animais, tribos indígenas, a guerra da sucessão, a escravidão e o confronto paradoxal entre progresso, cultura, cotidiano e privacidade.

A profissão do jornalismo foi ganhando forma e mercado com o advento da locomotiva e sua extensão pelos Estados Unidos da América, do norte ao sul e do oceano atlântico ao pacífico. No mesmo período, a sociedade americana foi apresentada à máquina fotográfica à base do magnésio, bem como ao telégrafo. E assim, os jornais das metrópoles começaram a fazer a cobertura da história de uma nação, onde o pré-requisito da profissão era ser alfabetizado, ter coragem para pegar a estrada e fazer o trabalho dentro do prazo determinado.jornalismo

Falar do jornalismo na cultura americana é retornar à guerra de sucessão e ao mundo dos filmes de faroeste.

No Brasil, um dos primeiros atos da ditadura foi exigir que o jornalista tivesse nível superior, para, assim, limitar os meios de comunicação à elite e a classe média. O máximo que um bom escritor produziria seria a arte gráfica da imprensa, salvo àqueles que tinham a sorte de encontrar um idealista diplomado, que emprestava seu diploma e espaço para que alguma coisa fosse dita à sociedade, aliás, método muito utilizado nas décadas de 1930 a 1945 e 1964 a 1985.

Há cinco anos, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que não há necessidade em ser ter a formação em jornalismo ou comunicação social para exercer a profissão de jornalista, tendo em vista que seria o mesmo que exigir da dona de casa, da merendeira, do cozinheiro, ou de várias outras profissões baseadas na experiência, a capacitação técnica ou universitária. Quanto à questão da responsabilidade sobre o conteúdo do texto, a questão de ter a formação em jornalismo ou não, não diminui os riscos quantos às ações indenizatórias e as contendas judiciais, que são travadas normalmente entre os canais da imprensa brasileira e as supostas vítimas. O mesmo fenômeno ocorre, inclusive, nos países do primeiro mundo.

Conforme o STF, em plenário:

“Para o relator, danos a terceiros não são inerentes à profissão de jornalista e não poderiam ser evitados com um diploma. Mendes acrescentou que as notícias inverídicas são grave desvio da conduta e problemas éticos que não encontram solução na formação em curso superior do profissional. Mendes lembrou que o decreto-lei 972 /69, que regulamenta a profissão, foi instituído no regime militar e tinha clara finalidade de afastar do jornalismo intelectuais contrários ao regime.

Sobre a situação dos atuais cursos superiores, o relator afirmou que a não obrigatoriedade do diploma não significa automaticamente o fechamento dos cursos. Segundo Mendes, a formação em jornalismo é importante para o preparo técnico dos profissionais e deve continuar nos moldes de cursos como o de culinária, moda ou costura, nos quais o diploma não é requisito básico para o exercício da profissão.

Mendes disse ainda que as próprias empresas de comunicação devem determinar os critérios de contratação. “Nada impede que elas peçam o diploma em curso superior de jornalismo”, ressaltou.

Seguindo voto do relator, o ministro Ricardo Lewandowski enfatizou o caráter de censura da regulamentação. Para ele, o diploma era um “resquício do regime de exceção”, que tinha a intenção de controlar as informações veiculadas pelos meios de comunicação, afastando das redações os políticos e intelectuais contrários ao regime militar.” (STF – Supremo Tribunal Federal – http://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/1365753/stf-decide-que-diploma-de-jornalismo-nao-e-obrigatorio-para-o-exercicio-da-profissao)

Por costume, os jornais brasileiros exigem que o jornalista tenha formação universitária, pois, assim, seus proprietários e dirigentes entendem que, seguindo tal padrão, o status e a imagem do veículo de comunicação não serão afetados diante da opinião pública. Todavia, se formos analisar a decisão com profundidade, o STF materializou uma decisão muito feliz, tendo em vista que a mesma permite que o pequeno escritor possa fazer jornalismo, produzir conteúdo e competir no mercado da comunicação com os grandes jornais e estúdios.

Logo, quando vejo o Flávio Azevedo registrando os eventos na região, exercendo a função do jornalista, não consigo deixar de fazer a relação histórica supramencionada na cultura americana, ou de retornar ao período da Era Vargas, com o Estado Novo, ou o Golpe Militar de 1964, onde os escritores e pensadores eram perseguidos, caçados, presos, torturados, assassinados ou exilados. Ainda tinham aqueles que eram libertos pelo sistema, mas a máquina do Estado caluniava em cima dos seus trabalhos, tornando aquilo que era escrito, um ente vivo e real, vinculado ao seu próprio criador. E assim, escritores e jornalistas dignos foram vítimas de mentiras, calúnias e difamações, porque a sociedade lia sua matérias e comentavam seus conteúdos pelas ruas.

Por fim, embora Rio Bonito pareça ter parado no tempo monarquista, atuando como uma espécie de ilha ou feudo, isolado do restante da República Federativa do Brasil, não há qualquer irregularidade no exercício da profissão quanto ao jornalista, Flávio Azevedo. O mesmo se estende ao seu jornal, que luta com as grandes mídias do Estado e a própria imprensa oficial local. Existe um momento que a cultura da resistência tem que surgir e marchar no sentido contrário da maioria, pelo simples fato de que existe a diversidade, que se baseia na liberdade de expressão e que é o inimigo natural de qualquer forma de ditadura ou poder, que tenha a pretensão de controlar seu povo.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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O E-CIDADES é a única salvação para Rio Bonito

O governo federal desenvolveu há alguns anos, o E-CIDADES, que é um software livre, para ser mais exato, público de gestão municipal. Esse software tem propostas inovadoras na área da gestão pública, na gestão dos resultados e do conhecimento da organização. E, no momento, ele demonstrou cumpri-las com a eficiência planejada, sem qualquer falsa modéstia por parte de sua equipe de engenharia e desenvolvimento de software.

O E-CIDADES é um software de gestão que pode controlar todas as contas públicas dos Municípios, realizar os registros e o armazenamento dos dados referentes ao Departamento de Gestão de Pessoas (Antigo Departamento Pessoal), construindo e armazenando o conteúdo do conhecimento histórico, logístico e contábil de toda a organização. Dessa forma, tanto o Estado, quanto a União e o próprio Ministério Público poderiam ter acesso às informações necessárias às auditorias e pesquisas de metas ou atualizações das verbas, a partir do momento da instalação do sistema de informação no Município. Em suma, além de organizar a casa municipal em todo o Brasil, o mesmo mecanismo permite o acompanhamento e a fiscalização das contas e dos atos públicos, através da transparência, tanto aos fiscais públicos quanto aos próprios cidadãos, que tem o direito de saber de onde a verba se originou, qual seu montante, para onde está indo e como está sendo gerida ao longo dos processos dos projetos, no equilíbrio estratégico entre custos e resultados.

Mas, o E-CIDADES faz muito mais do que o supramencionado, tendo em vista que ele se acopla a vários projetos e rotinas, que também são desenvolvidas pelo governo federal, podendo automatizar o atendimento ao publico em diversas modalidades, desde a consulta e o pagamento dos impostos, taxas e tributos, até ao agendamento de qualquer serviço de utilidade publica municipal, desde a consulta com o arquiteto das Secretarias de Obras ou Desenvolvimento Urbano até ao agendamento com o médico no posto de saúde do seu bairro. Simplesmente, o E-CIDADES permite que toda a cidade fique conectada na esfera pública municipal, dando celeridade e comodidade ao cidadão, além de aumentar a eficiência do município no cumprimento de suas funções.

Por exemplo, a Prefeitura Municipal de Maricá e a de Niterói migraram para o E-CIDADES e estão demonstrando excelência na forma da transparência e da prestação dos serviços à sociedade, que mantém o tesouro municipal e a engrenagem pública em constante movimento. Imaginem, o cidadão estar sentado no conforto da sua casa, podendo agendar a consulta médica, realizar a pesquisa e a análise orçamentária, bem como levantar todos os dados do sistema público, através da TRANSPARÊNCIA, incluindo o contracheque dos servidores, contratados e comissionados. Pois saibam que essa realidade já existe e está disponível pelo Ministério do Planejamento em conjunto com outras pastas, para tornar a gestão pública mais eficiente e compreensível ao brasileiro.download (1)

No caso do Município de Rio Bonito, o mesmo já paga, há anos, o contrato a uma empresa privada para fazer o controle e a expedição dos boletos de cobrança dos atos e dos impostos e tributos municipais, tendo seu link disponível dentro do site institucional. A última vez que eu tinha calculado o impacto e a economia da migração do atual sistema para o E-CIDADES em 2013, o Município gastaria o mesmo valor dos contratos atuais no primeiro ano e teria o custo zero, a partir do ano seguinte, limitando-se a necessidade de manter um analista de sistemas nos seus quadros, que poderia ser provido, inclusive com uma função comissionada SM, recebendo igual secretário do governo para gerir a arquitetura de todas as rotinas, tendo em visa que o salário dos servidores é muito baixo para o setor da análise dos sistemas. Todavia, a Prefeita fez questão de desmembrar a gestão da Secretaria Municipal de Planejamento, separando a cabeça do corpo estratégico e funcional da gestão pública municipal, tendo em vista que essas duas pastas devem andar juntas e continuamente. Com a separação, foi provocada a expectativa de que o E-CIDADES seria migrado para Rio Bonito. Todavia, como a maioria das propostas do governo, o E-CIDADES ficou paralisado e abandonado no passado, enquanto que Rio Bonito continua na idade média da tecnologia da informação, com computadores antigos e sucateados, tendo seu principal patrimônio, que é o domínio do seu CONHECIMENTO e o CAPITAL INTELECTUAL, nas mãos de terceiros.

Por fim, enquanto o Município de Rio Bonito trabalhar da forma que vem se mantendo nos últimos 20 anos, não sobrará muito além da sucata e das dívidas, que serão refinanciadas a cada mandato, se transformando numa bola de neve, que crescerá ao ponto do servidor público municipal correr o risco de ficar sem perspectiva no futuro ou a cidade paralisada e sem qualidade nos serviços prestados. Em suma, a prioridade do governo nesse momento histórico é incorporar a pasta da gestão à Secretaria Municipal de Planejamento, instalar o E-CIDADES, construir sua própria sala de Servidor Central, atualizar os computadores e periféricos dos departamentos, aplicando a base da informação para que a TRANSPARÊNCIA seja materializada de forma palpável e visível por todos os riobonitenses e brasileiros.{BD50BAA6-EAEE-6B6E-48DB-DDDEABEDB2DC}

Quando Brasília incentivou o projeto E-CIDADES, foi pela simples conclusão da origem da maioria dos problemas: – A União libera as verbas, mas as mesmas se perdem na jurisdição dos Estados Federativos e dos Municípios. No caso da União, seu calcanhar de Aquiles ficou centralizado nas autarquias e nos bancos públicos. Independentemente de quem venha ser o futuro prefeito da nossa cidade, a solução ética e gestora está no E-CIDADES e na tecnologia como ferramenta.

Não poderia deixar de terminar este artigo, atentando para o fato de que os computadores estão sucateados, mas os celulares do staff são versões novas e atualizadas, demonstrando, literalmente, o paradoxo existente entre a cultura da ostentação com dinheiro público e o descaso com a qualidade dos recursos materiais dos departamentos.

Precisamos repensar Rio Bonito.

Link E-CIDADES: http://softwarelivre.org/ecidade 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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VAGA DE EMPREGO.

O Rio Bonito Empregos retornou essa semana, após as adaptações das rotinas na programação e na arquitetura, trazendo novas vagas de emprego por parte dos recrutadores, bem como oferecendo a opção do cadastro gratuito do currículo do candidato em seu banco de currículos. A ideia é justamente montar um sistema de seleção e recrutamento profissional, sem a intervenção das indicações políticas. Por isso, eu convido aos usuários para visitarem a página www.rbempregos.com.br e conhecerem o nosso sistema.

A fórmula é simples: – Quanto mais currículos riobonitenses estiverem cadastrados no banco de currículos, maiores serão as chances de captarmos mais vagas de emprego dentro da própria cidade. Logo, tantos os empresários quantos os candidatos e recrutadores, participem.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

 

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O Sr. X, a história dentro de outras histórias

“O ser humano é algo especial. Especial pelo simples fato de ter a capacidade de armazenar emoções. Não só armazenar como também identificar situações e reviver as emoções.

E entre todos os seres especiais, encontramos os especiais nos especiais. Estes além de armazenar, identificar, reviver. Recriam e/ou criam, vivem emoções que não são delas, e sim para os outros.

Foi o meu caso ao criar a personagem “Sr.X”. Veio em forma de desafio, pois me foi pedido uma história para apresentar para as crianças. Naquele momento eu não tinha nada.

E o “Sr.X” nasce como um estalo, e das minhas lembranças me vieram as emoções de quando um dia fui criança.  Veio em forma de avalanche, quase um surto, uma catarse.

“Sr. X” se apresenta em minha mente como um ser intergaláctico, revirando as minhas memórias, e aguçando a sua curiosidade em saber mais e mais, conhecer esse nosso mundo.

Um mundo lindo, porém complexo e confuso. Encontrou nas minhas emoções armazenadas tantas crianças que convivi, e que já fui, acompanhada de uma enorme vontade de mudar o mundo.

Provocou a minha alma. Tive que criar uma personagem que tem em sua essência a curiosidade a espontaneidade de uma criança.

E logo se identificou e se encantou com elas, as crianças.

E juntos delas conhecer sentimentos e reviver emoções.  E ao lado das crianças sonhar com um mundo melhor.

“sonhar sozinho é apenas um sonho, sonhar acompanhado é realizar.”

“Sr. X” nasce com esse propósito, estimular realizações. Com um encanto especial ele toca as almas das crianças, e dos adultos que mantém viva a esperança de sonhos de quem ainda mantém nas suas lembranças, a criança que um dia foi.

E eu agradeço esse novo ser que se instalou em minhas histórias e que fará parte das minhas lembranças, seja bem vindo “Sr.X”.”

 

 Por Raimundo Ribeiro

 

 

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A culpa é do Semáforo, com seu olho que tudo vê

Eu aconselho cautela à sociedade e a imprensa em relação ao atual governo, para que a rainha não envie seus servos e os lancem à arena para lutar na lama no intuito de entreterem seus convidados, caso seus desejos e pedidos sejam contrariados. A força do asfalto está tão intensa dentro dos domínios do castelo, que as almas estão se petrificando. Todavia, não entrem em desespero, porque a Medusa não está em Rio Bonito, embora, conforme os magos, a origem de tal poder venha do oriente.

Para aqueles que acham que minhas palavras não fazem sentido, convido-lhes que parem por cinco minutos na esquina entre a Avenida Dr. Mattos e a Rua Major Bezerra Cavalcante, durante o horário comercial. Olhem e contemplem o grande olho do semáforo piscando no laranja e os motoristas rolando os dados para não participarem de um acidente de trânsito no centro da cidade, num setor com o tráfego complexo e próximo à rodoviária municipal.

Dizem que a culpa de tudo que está acontecendo em Rio Bonito nos últimos anos é do Semáfaro, que controla os gestores públicos do município, e que tudo vê. Ele está laranja, mas poderá ficar vermelho.

Nadelson Costa Nogueira Junior

 

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A escrita precisa ser imparcial para ser compreendida por todos.

Quando escrevo uma resenha, não penso em amigos ou inimigos. Focalizo o tema, sua necessidade na produção, analiso os fatos, faço a pesquisa de campo e construo minha visão objetiva sobre a realidade, com a materialização na realidade. Tento manter um padrão imparcial, questionador e com apresentação das soluções mais viáveis a cada caso elencado. Logo, discordo do título inimigo número 1, 2, 3 ou 4 do governo ou de qualquer outra organização. Se os gestores públicos materializarem algo coerente com a realidade e que não seja maquiagem, eu escreverei, tecendo elogios, se for o caso.  Nesse aspecto, atrevo a afirmar que o governo é o seu próprio inimigo número um, quando trabalha da forma imatura, insistindo na recusa ao crescimento participativo, transparente e fiel a realidade.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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Falando sobre a Gestão Pública e a transparência

Quando se fala em gestão, automaticamente, o leitor subentende a função de chefe, gestor, gerente e diretor. No caso da gestão pública, os cargos se estendem além dos diretores e presidentes das autarquias, envolvendo diretamente os secretários, Prefeitos, Governadores, Presidentes da República e Ministros.

A gestão pública e privada necessita de organização, ordem, hierarquia, execução, planejamento, controle e, também, gestão do conhecimento e das competências. Isso quer dizer que a empresa deve fazer back-up de todos os seus atos para as auditorias de praxe e àquelas que poderão acontecer de forma extraordinária.

No setor privado, a gestão tem a função de garantir o aumento dos lucros com o máximo de eficiência possível. Em linguagem comum, isso significa que um bom gestor planeja a organização para lucrar o máximo, gastando o mínimo. E assim, o gestor analisa o balanço comercial, o fluxo de caixa, o ativo e o passivo circulante, no intuito de manter o equilíbrio financeiro e de gerar energia para alavancar novos projetos, que deverão trazer mais lucro para os sócios e para a própria organização.

No setor público, a ideia deveria ser a mesma, todavia, conforme o raciocínio dos departamentos e setores do governo, se o orçamento for aprovado e liberado, enquanto que o mesmo fizer mais com menos, faltarão recursos e capital para os projetos nos anos seguintes. E é assim que começa o oceano de erros e decisões na Administração Pública, que segue a prática contrária ao setor privado. O problema já começa com a própria escolha dos gestores, que, na maioria das vezes, são escolhidos em função do quesito confiança do governante, cuja relação com o currículo, capacidade e competência não são considerados no processo, tendo em vista que a máquina foi construída para agregar assessores e consultores para preencherem os vazios estratégicos. E, mais uma vez, os problemas da gestão publica são intensificados, uma vez que é comum a escolha dos assessores e consultores, seguindo a mesma metodologia do governante, causando um vacúolo na central nervosa das pastas governamentais. No final, a salvação da máquina e a garantia do seu funcionamento ficam nas mãos dos servidores públicos, que possuem pouca autonomia ou quase nenhuma participação no processo decisório.

O primeiro passo do governo, tratando-se do Município de Rio Bonito, seria acabar com o formato da imprensa oficial existente, no qual se utiliza dos jornais impressos na região e de grande circulação em alguns procedimentos de licitação, tornando o processo virtual, através da criação do Diário Oficial Eletrônico, que economizaria o gasto médio mensal de R$50.000,00, podendo focalizar tamanha quantia em necessidades maiores para a sociedade. Por exemplo,  o Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro e o Município de Maricá já utilizam o imprensa eletrônica há anos, focalizando os princípios da eficiência, da economia e da celeridade.

O segundo passo seria o Município de Rio Bonito instalar seu próprio servidor de dados, migrando todo seu banco de dados para dentro do mesmo, constituindo uma rede complexa, que atenderia toda a coletividade, com a disponibilização dos serviços da consulta e do pagamento dos tributos, taxas e impostos, gerando o boleto on-line e facilitando a vida do cidadão. Embora, parte deste serviço já esteja disponível no site institucional, a maioria dos cidadãos não tem a menor ideia de que os programas são pagos por contrato, enquanto que a maioria das informações do Município não está sob o poder do governo, mas dos prestadores dos serviços contratados. Tal movimento, permitiria o controle de todas as contas públicas e serviços, além de diminuir a despesa com os contratos dos serviços, que poderiam ser executados facilmente pelos departamentos informatizados. A maior vitória com todo o processo de implantação do sistema de informação, na prefeitura, seria a transparência e o acesso à informação por parte do cidadão. A economia nos atos seria um resultado automático da transparência, pois o cidadão tem o direito de saber quanto vem, da onde vem e qual será o destino, enquanto que o ente governamental tem a obrigação de fazê-lo. Por exemplo, o Governo Federal tem o site da transparência e informa quase tudo, com as exceções do sigilos estratégicos dos atos da Presidência da República e do Senado Federal.

Existem coisas mínimas e que são necessários, em caráter imediato, para serem modificadas e replicadas na esfera municipal. Num período em que os governantes estão alegando falta de verbas em função da crise, a economia é um caminho necessário. A única pergunta que me faço é a seguinte: – Por que não fazem os cortes desnecessários e investem no capital intelectual do Município de Rio Bonito, que são os servidores públicos de carreira, bem como nos sistemas de informação?

Precisamos repensar Rio Bonito, incorporando a gestão à pasta do Planejamento, porque uma coisa não poderá ser aplicada sem a presença da outra.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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A gestão do conhecimento é o caminho humano e histórico

Existem quatro coisas que, quanto mais são compartilhadas, crescem: – O conhecimento, a ignorância, a pobreza e a fé. O que você anda compartilhando consigo e com o mundo? Essa é uma fórmula que se aplica aos indivíduos, grupos, organizações, sociedades, governos e nações.

Quando o conhecimento está associado à fé, ele se propaga com facilidade e se converte em práticas e exemplos. A ética nasce da junção entre o conhecimento e a fé compartilhados no tempo.

Quando o conhecimento se associa com a pobreza, ela desaparece gradativamente da sociedade. Nesse caso, estamos falando da pobreza econômica e também da espiritual.

Quando o conhecimento se associa à ignorância, ela diminui, dando espaço às virtudes da fé e da ciência.

O ignorante tem propriedades complicadas para se trabalhar no cotidiano, tais como o orgulho, a vaidade e a falsa ideia de que ele sabe de alguma coisa. Existem ignorantes de todas as formas e em todos os lugares. Para Sócrates, todo ser humano é ignorante. A existência humana se justifica pela luta em diminuir a ignorância ao ponto de tornar o conhecimento produtivo e transmissível ao próximo. Entretanto, o pior de todos os ignorantes é justamente aquele que se esconde por trás de um diploma e acredita que chegou à posição de se achar acima do bem e do mal. Esse último exemplo fez questão de não “aprender fazendo” ou pensando, além de basear sua existência na fé de que a ignorância e a pobreza podem salvar o mundo do resultado de suas próprias ações.

E, mais uma vez, eu convido aos meus caros leitores a repensarem a existência individual e social, bem como aquilo que estão compartilhando em seus lares, com seus filhos e entes queridos.

Por fim, emobra a ignorância seja uma marca da humanidade, é possível melhorarmos continuamente através do estudo, da prática do amor e da caridade intelectual e espiritual. Por isso, eu lhes faço o seguinte convite: – Vamos pensar para, depois, transformarmos o mundo, através do trabalho e da ética, independentemente de que o praticante tenha escolhido a ciência ou a religião como o caminho inicial, porque o final dessa jornada está na sociedade e na construção da própria história.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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Falando de Segurança Pública

Rio Bonito está dentro dos padrões estatísticos da tipologia hierárquica dos crimes, salvo, àqueles, que estão ligados diretamente aos casos da violência doméstica, focalizando a violência praticada contra a mulher, os idosos e as crianças. Nesse caso, estamos falando duma tipicidade de crime que acontece dentro de casa, no convívio da própria família. Como os juizados da violência doméstica ainda são relativamente novos,  é comum o desequilíbrio nos registros e nos indicadores de desenvolvimento humano, que tenderão diminuir com transcorrer do tempo e a aplicação da própria Lei.

A polícia militar do Município de Rio Bonito sempre foi muito ativa e presente na sociedade, incluindo o BPRV em Boa Esperança, que é um dos recordistas em prisões e apreensões de entorpecentes no nosso Estado. Para falar a verdade, eu considero o trabalho da polícia civil e militar um ato de heroísmo, tendo em vista as ausências de estruturas e investimentos, sem falar nos salários baixos. O número dos réus presos nas varas criminais já fala por si só, que temos uma polícia em plena atividade, mas, por motivos das leis físicas e da matéria, não poderá estar em todos os lugares e atender todos os chamados ao mesmo tempo.

Há tempos, eu estava indo ao Ministério Público, quando o órgão se encontrava localizado no centro da cidade, e me deparei com uma cena de participação social incrível: – Um ladrão tentou roubar uma loja na rua da conceição, usando uma pequena faca. Um cidadão, de estatura alta  e forte, saiu da sua zona de acomodação, interviu na tentativa de roubo, desarmou o criminoso e o mobilizou, até a vinda da polícia. Esse tipo de iniciativa não é coberta pela imprensa local, porque não vende. Mas, o fato é que os riobonitenses são conhecidos por sua capacidade de adaptação e respostas aos delitos. A fama surgiu, quando tentaram roubar um banco na cidade, se não me engano na década de 50 ou 60, enquanto que a sociedade se juntou com foices e enxadas, resolvendo o problema sumariamente. Essa fama ainda está em Rio Bonito. O cidadão que interveio na tentativa de roubo é o exemplo total desta solidariedade e energia local.

Comparando a estatística e as prisões na nossa cidade com outras localidades, o prazo de resposta está rápido e eficiente por parte da polícia. Todavia, a segurança pública poderia ficar mais ampla é ágil, se o Município de Rio Bonito, através da recém-criada secretaria de segurança pública fizesse sua parte, legalizando, investindo e equipando sua guarda municipal, bem como, estendendo o investimento no monitoramento remoto, que inibe as práticas criminais de um lado, além de materializar contexto probatório do outro. A verdade é que, se isolarmos a polícia civil e militar, que são instituições estratégicas e operacionais do Estado, a Secretaria de Segurança Pública se limita em fazer reuniões e mediar o encontro entre a sociedade e a força de polícia, com uma atividade mínima e inexistente, se utilizando dos órgãos do Estado para fazer a fama.

As polícias militar e civil, bem como a Operação Lei Seca, têm a minha aprovação, analisando todo o contexto social, o prazo de resposta, as prisões e a presença nos pontos estratégicos da nossa cidade. No entanto, a secretaria municipal de segurança pública precisa justificar o sentido da sua existência aos riobonitenses, porque muito pouco foi realizado ou planejado com relação à pasta, incluindo o descaso estratégico com o monitoramento remoto e o investimento na guarda municipal, que são instrumentos importantíssimos no combate e na prevenção na área da segurança pública, que também foram promessas realizadas no palanque durante as eleições municipais, em 2012.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

 

 

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Padre Eduardo, o profeta contemporâneo

”Sete remédios para Rio Bonito” primeiro remédio : Louvor e agradecimento – Chega de falarmos no que está ruim, no que não acontece. Rio Bonito é uma cidade privilegiada. Segundo remédio : O perdão – Nos coloquemos no lugar do outro, a culpa também é minha, é nossa. Só não temos uma cidade melhor porque precisamos ser pessoas melhores a cada dia. Terceiro remédio: Nova consciência- Os verdadeiros gestores somos nós. O que eu posso fazer? Acabemos com a síndrome de Pilatos! Não elogiemos,  mas também não critiquemos. Quarto remédio: Ter fé e esperanças vivas – Se temos fé não podemos ver tudo numa mesma ótica. Não é humano torcer para as coisas darem errado. Quinto remédio: A entrega a Jesus – O segredo de Rio Bonito está na casa do Pai, na igreja. Deus é o grande gestor. Cuide da nossa cidade Senhor porque ela é Tua. Sexto remédio: A entrega a Nossa Senhora – Como pensar numa casa sem a mãe? É a mãe que sabe onde a casa precisa ser arrumada. Sétimo remédio : O AMOR – Precisamos encontrar esse remédio nas nossas ruas, nas nossas casas , nas nossas escolas… Não importa se sou de Solange ou de Mandiocão, se sou Católico ou Evangélico… O amor não divide, o amor comunica. Amor isolado não é amor. ” Padre Dudu, em 07/05/15.

Ao ler o apelo do Padre Eduardo e ao ver a fotografia da “Caminhada pela Paz”, fui obrigado a fazer uma análise profunda. Assim sendo, farei o caminho inverso, começando pela interpretação fotográfica do registro do evento, quando

Padre Eduardo liderando a "Caminhada pela Paz" no dia 07/05/2015.

Padre Eduardo liderando a “Caminhada pela Paz” no dia 07/05/2015.

atravessava a esquina entre a Rua da Conceição e a Avenida Sete de Maio, onde o Padre liderava a caminhada, com os fiéis lhe seguindo, carregando a faixa com os dizeres de desejo puro de uma sociedade que anseia por justiça social, qualidade de vida e paz. Todavia, se formos analisar a fotografia com maior precisão e profundidade, notaremos que a caminhada está passando por um asfalto trincado, que parece a caatinga ressecada do sertão, ou poderíamos dizer o “sertão de pedra”.

O asfalto trincado pelo calor e o desgaste do tempo demonstra justamente que nós cidadãos precisamos cuidar mais da cidade, de suas obras, suas construções e de sua identidade cultural. O asfalto é o símbolo do progresso para a maioria dos governantes fluminenses, mas, eles são frágeis e trincam com o tempo. O mesmo fenômeno se repete com os edifícios públicos e privados de Rio Bonito. Simplesmente, as regras físicas da inércia e do atrito são infalíveis. Logo, precisamos compreender que as coisas foram construídas para serem consumidas pelo tempo ou pelo uso, enquanto que precisamos cuidá-las para que durem o máximo possível. Por tal motivo, fico fascinado quando observo a imponência das pirâmides do Egito ou da Biblioteca de Alexandria. Não são as estruturas por si que me cativam, mas a energia social que é depositada para garantir a perpetuação de tais monumentos, com seus respectivos conteúdos, registros e histórias.

Padre Eduardo está certo, quando demonstra uma Rio Bonito dividida em grupos políticos e demais tipos de variações, geralmente, baseadas nos interesses econômicos. Ele está atuando no tempo presente e em cima do asfalto trincado, que é o símbolo do progresso, fazendo aquilo que os profetas praticavam na antiguidade clássica judaica no deserto, entre a areia, o barro, a pedra, os poços d`água e os camelos: – A Organização social, baseada num propósito coletivo e espiritual.

A comunidade católica está assumindo a posição do diálogo e da aproximação entre os demais grupos e divisões na sociedade riobonitense. Esse passo era necessário e alguém tinha que fazê-lo em algum momento. Por isso, eu tenho que parabenizar o pároco, porque ele está levando a Igreja para a sociedade e permitindo que a sociedade toda se sente à mesa do diálogo para repensar sua organização e fazer cobranças legítimas aos governantes. Entretanto, o grande desafio do pároco e de todas as lideranças  será vencer a consciência e a rivalidade cultural dos grupos riobonitenses.

Ao longo da última década, tenho defendido a unidade e a maior aproximação dos grupos políticos na nossa cidade, focalizando o fortalecimento da sociedade. Caso tal aproximação venha acontecer, bem como seus resultados positivos, a mesma só será possível por causa da atuação do Padre Eduardo, porque a criminalidade e os desajustes sociais não são novidades, bem como a maioria dos problemas sociais.

Há um recado sendo dado nisso tudo: – A sociedade perdeu a fé na classe política. A sociedade perdeu a fé nas funções do Estado, devido à sensação do abandono, que é intensificada pela televisão e demais mídias. Com a sensação de insegurança e a ausência latente do Poder Executivo e Legislativo, em não escutar a sociedade nas reuniões sem sentido, no caso de Rio Bonito, a sociedade está assumindo o caminho para o diálogo e a tentativa da cura por si mesma. A questão política é somente uma: – O que poderemos fazer, se o Poder Executivo e o Legislativo estão de mãos dadas, dançando uma cantiga de criança e fazendo uma ciranda? – Torço para que o Padre Eduardo tenha êxito e consiga a unidade, bem como seus efeitos sociais. Torço que coágulo político seja retirado, enquanto que as sequelas sejam resolvidas. Espero que as reuniões sejam convertidas em ações imediatas e planejadas para o futuro, porque a onda da criminalidade passará, como outras vezes, mas os demais problemas se perpetuarão, se continuarmos isolados, indefesos e sozinhos, mesmo que seja na falsa ideia de que os grupos políticos nos protegem ou nos protegerão de alguma ameaça.

Por fim, o encontro ecumênico de todas religiões, visando a melhoria da sociedade, é salutar e necessário. E quando faço tal afirmação, estou incluindo os ateus no universo, porque somos todos seres humanos, livres e participativos. Precisamos valorizar o que temos em comum e deixarmos as singularidades de lado. A comunidade católica tem a energia, a força e a maturidade necessária para promover as propostas do movimento. Independentemente da minha fé judaica, sou solidário ao Padre Eduardo.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior