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A Cidadania como problema II

“O ensaio parte de algumas premissas ainda em construção, mas que por serem tão atuais, provocam a abordagem.
A cidadania como problema; o Brasil como possibilidade; a organização social como instrumento de realização e entrega do bem comum.
Para tratar do tema vamos estabelecer um diálogo breve, mas muito respeitoso, com a filosofia em São Tomás de Aquino.
Justifica-se tal invocação pelo seu conceito de bem comum que atravessa os tempos e permanece vivo.
Eis um trecho do seu legado:
“Se, portanto, natureza do homem como animal social e político quer que ele viva em companhia de um grande número dos seus semelhantes, é necessário que haja entre os homens um princípio pelo qual fosse possível governar multidão (. ..) com efeito, esta dispersar-se-ia em diversas direcções se não se encontrasse alguém que cuidasse de tudo que diz respeito ao seu bem, assim como corpo do homem, ou de qualquer animal, se desagregaria se não houvesse nesse corpo uma certa força directora comum, que visasse bem comum de todos os seus membros.»
 
A violência política não tem filosofia alguma, me parece que é o que nos ensina o texto acima.
A proposta de uma organização que se baseia num consenso básico, constituído por pontos onde todos concordamos, relembra os nossos conceitos e instintos mais básicos, dentre eles o da conservação da espécie, sua perpetuação e também a proteção dos princípios que, experimentados, são escolhidos como os nossos reitores.
Redundaríamos na observação que já fazemos de forma reiterada, no sentido de que a solução dos nossos problemas e a satisfação dos anseios coletivos foram devolvidos a comunidade, ao cidadão, com o advento da democracia; com o restabelecimentos dos mandamentos republicanos e com a promulgação da Constituição da República de 1988. Ou seja, a realização do “bem comum” não demanda a benevolência ou a circunstancia do administrador público, seja em que esfera for.
Qualquer tipo de entendimento contrário seria a declaração nossa de renúncia ao que foi conquistado com o sangue de uns, a honra de outros e o nosso futuro comum.
Serve-se essa reflexão, quero crer, ao estabelecimento de novos paradigmas, mas com base nas instituições já consolidadas e que podem nos encaminhar ao nirvana da revolução engendrada pela busca do bem comum.”

Prof. Msc. César Gomes de Sá

Advogado

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