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A Promessa

Fui exilado do éden
Arrancaram-me o privilégio
De estar diante da face de D-us.

Os anjos me seguraram pelas mãos.
Carregaram-me como herege.
Não pude, sequer, dizer um Adeus!

Lembro-me do horizonte se fechando…
Pois o dia havia tornado-se noite.
Meus lábios tremiam de frio!
Não… Era o medo;
Pois estava aprisionado numa forma indigna.
Por quê? – Perguntei ao Anjo.
Então, o mesmo me mostrou a maçã mordida.

Meus olhos lacrimejaram;
Pois estava sendo acusado de um crime
Que não havia cometido.

O Anjo se foi…
Do Éden, só me restou a água…
A qual bebo e me sacio todos os dias.

Mas D-us foi bondoso comigo;
Afinal, também, havia me dado o fogo,
O domínio dos metais e da medicina.
Em sua visão infinita,
Ele me embebedou de sua inspiração…
E me fez poeta,
Com a pena e a escrita.

E D-us foi misericordioso,
Enviando sua profecia como uma forma de compensação.
E os Homens a aguardam!

Foi com a profecia messiânica,
Que aprendi o verdadeiro lugar das coisas.
Foi através dela que descobri a verdade:
– Não sou criminoso, nem idólatra.

Estou aqui,
Para ser testemunha das coisas que virão
Para relatar os atentados e intifadas da vida
Para levar a esperança àqueles que perderam a visão.

Não faço ou farei nada disso por mim,
Mas pelas futuras gerações;
Pois somente assim,
Conseguiremos saciar nossos desejos…
E deixar D-us cuidar de sua criação.

Todavia,
Até lá… Até tal momento,
Continuarei chorando;
Lembrando do momento em que estive no Éden
E das maravilhas que vi por lá.

No desespero de minha procura,
Te peço, em clamor, tempo limpo…
Para que possa ver a estrelas
E imaginar o sorriso divino.

Eu sou um anônimo,
Exilado na terra infértil de Chan,
Onde acontecem os abusos e os homicídios.
Onde ninguém quer ver ou escutar…
Onde tudo é válido e a maioria passa fome…
E todos se acham Senhores de seus próprios caminhos!!!

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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