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Humanizar-se é preciso

Hoje, pela manhã, fui acordado por minha esposa, para ir urgente à casa dos meus pais, porque papai estava passando mal. Como a maioria, que acompanha meus textos, sabe que meu pai esta lutando contra o câncer nos últimos 03 anos, de uma forma mecânica e racional, os médicos e o próprio sistema de saúde preparam os parentes para o pior, utilizando o termo técnico “paciente terminal”. E assim, as famílias, envolvidas no problema, se automatizam para o pior.
Quando cheguei na casa dos meus pais, minha mãe estava em prantos e chorando. Os vizinhos atenderam ao auxílio solidariamente. Meu pai estava com os olhos arregalados e não se movimentava em cima da cama. E assim, a cultura do terminal gerou uma força gravitacional forte dentro da casa, naquele momento.

Seguindo os padrões, fui massageando o queixo, o pescoço com uma mão e fazendo o mesmo sob o peito. Na contagem dos batimentos cardíacos, vi que ele estava com 83 batimentos por minuto. O problema era a ausência de resposta e consciência. Enquanto o SAMU não chegava, fui intercalando com as massagens, umedecendo seus lábios e fazendo minhas orações, no silêncio.
Quando o SAMU chegou, a equipe prontamente cuidou de tudo e concluiu que pai estava com a glicose baixa, salvo a condução de sua doença. O soro foi administrado com a glicose e demais componentes. Ele retornou à consciência e foi transportado até a UPA, para dar continuidade ao procedimento da pesquisa e do tratamento, com os exames de sangue e a hidratação.
O termo “paciente terminal” provocou a síndrome do pânico na famíla e no próprio paciente. A utilização do termo junto ao SAMU já tinha provocado a pré – definição da fatalidade, quando não o era.
Tenho ciência que a solução não é algo simples. Mas, a resposta aos fatos e as circunstâncias demonstraram que precisamos desligar a função TERMINAL, cultivando o afeto e a vida, enquanto é possível. E assim, reaprendi que precisamos celebrar a vida, conversar sobre a morte e, principalmente, humanizar as relações com os pacientes com câncer. Isso deve começar com o oncologista e terminar com a família. Logo, terminarei com a seguinte afirmação, tantos para os ateus quanto os religiosos: – Humanizar-se é preciso.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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