homem-bebado

Não me leve agora

Não me leve agora,

Porque tenho futilidades a fazer.

 

Quero dar alpiste aos pássaros

E trazer vários pombos à praça.

 

Quero encher a cara de cachaça,

Ficar com o pé inchado.

 

Não me leve agora,

Porque tenho inutilidades a fazer.

 

Quero fumar até o último trago

E poluir meus brônquios pulmonares.

 

Quero impregnar meu corpo com o tabaco

Para que as pessoas façam cara feia ao me verem.

 

Não me leve agora,

Porque  tenho muito a dizer.

 

Quero difamar a vida alheia,

Fazendo fofocas e dilemas.

 

Quero gastar o vocabulário dos palavrões,

Até a voz desaparecer.

 

Não me leve agora,

Porque posso me superar.

 

Posso deixar de ser o inútil que sou,

E me converter.

 

Posso começar a trabalhar

Para minha família alimentar.

 

Não me leve agora,

Porque eu quero crescer.

 

Quero cultivar uma planta,

Sem a responsabilidade de trata-la.

 

Quero viver cada segundo,

Desde que nada faça qualquer sentido.

 

Não me leve agora,

Porque não estou sozinho nesse caminho.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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