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O COMPERJ e as vagas de emprego

O COMPERJ (Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro) se tornou um grande problema para o governo do Estado, o Município de Itaboraí e a própria PETROBRÁS, tendo em vista que desde o projeto rascunhado no papel, o empreendimento foi idealizado como o catalizador de 200.000 vagas de emprego diretas e indiretas, que transformariam a economia de Itaboraí e dos municípios, que fazem parte do CONLESTE, no paraíso do emprego, da capacitação tecnológica e da especulação imobiliária.

De fato, o empreendimento cumpriu parte do seu papel, gerando vagas de emprego e incentivando a construção civil, principalmente, em Itaboraí. Mas, em 2014, quando a PETROBRÁS ficou no olho do furacão da crise política e dos consórcios, com a operação lava jato, as demissões foram em massa, afetando diretamente a vida dos ex-funcionários e de suas respectivas famílias. Não demorou muito para que os efeitos da ausência do capital de giro por parte dos demitidos, bem como das obrigações tributárias junto ao governo, afetassem toda a economia regional, desde a venda no varejo até a venda e o aluguel dos imóveis. Literalmente, o céu estava desabando para a maioria.

Atualmente, o COMPERJ se limitou a 3500 profissionais, cujos 70% são oriundos de outros Estados. Embora a imprensa esteja anunciando, aos ventos, que serão contratados aproximadamente 5500 profissionais, a verdade é que só ocorrerão duas licitações esse ano, referentes à finalização da UPGN e Central de Utilidade, que demandarão, no máximo, 2500 vagas. Todavia, considerando o ambiente econômico e a burocracia estatal, as vagas só surgirão no final do ano, tendo em vista que 2016 tem eleição municipal, paralisando considerável parte dos procedimentos do governo e das autarquias.

O Movimento “COMPERJ, EU QUERO TRABALHAR” representa 55 mil seguidores, que querem e precisam trabalhar. O problema é que, mesmo antes da crise e das demissões, os consórcios atuantes no COMPERJ optaram em migrar a mão-de-obra de outros Estados, deixando de dar prioridade ao trabalhador do Município de Itaboraí. Em suma, embora o contrato da mão-de-obra local fosse um dos quesitos, os mesmos se limitaram aos apadrinhamentos políticos. Todavia, o governo municipal e os órgãos fiscalizadores ficaram inertes, enquanto que muitos empresários e empreendedores da região se dedicaram à construção dos imóveis, focalizando a ajuda de custo das empresas no contrato, que tinha o limite de até R$3.000,00. Assim, na ganância, a própria economia local terminou de sufocar o mercado de trabalho e consumidor, expulsando parte da juventude e dos cidadãos para as cidades com o padrão de vida mais barato e com o mercado de trabalho mais amplo.

Por fim, tirando essas duas licitações, que estão na fase da finalização, os próximos projetos serão mais coesos, rápidos e com pouco investimento na economia local, porque os chineses estão assumindo a maioria dos empreendimentos da PETROBRÁS, enquanto que seus engenheiros e técnicos são conhecidos por construírem usinas e prédios em dias, no sistema da linha de montagem. Racionalmente, os chineses trazem os projetos prontos do oriente, construindo as estruturas como peças de LEGO. Logo, é mais um motivo para que o mercado imobiliário da região não se anime, diminuindo o preço dos aluguéis e dos imóveis à venda, porque a festa do COMPERJ acabou. Quem ganhou dinheiro, ganhou. Quem não ganhou, não ganhará mais.

Aliás, o projeto do COMPERJ foi reduzido do terceiro maior empreendimento do planeta para a indexação do seu sistema à refinaria de Duque de Caxias – REDUC.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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