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O rádio

Finjo que tudo está bem.

É só um momento de introspecção.

Talvez seja a meia-idade do homem,

Que se aproxima dos quarenta.

 

Meu coração bate triste,

Porque sinto sua falta ao entardecer.

Por mais que eu ligue a televisão

E fique trocando os canais.

 

Não era para ser assim.

Era inevitável sua partida,

Enquanto que fizemos de tudo para retarda-la.

No final, a doença venceu a carne,

Enquanto que sua viagem não necessitou da bagagem.

 

Os meses transcorrem numa velocidade louca.

Durante o dia, o trabalho é tanto que esqueço.

Mas, vem a noite com sua música.

A saudade inflama do fundo do peito.

Choro feito criança,

Porque você não vem me visitar.

 

Por favor, me tire do fundo do poço,

Uma vez que não sou a fortaleza que aparento.

Sou feliz e não posso ser ingrato.

Mas preciso aprender a conviver com a tristeza,

E tolerar a falsidade alheia.

 

Ligarei meu rádio.

Contemplando o aquecimento das suas válvulas.

Na estática da modulação,

Aguardarei uma mensagem alienígena,

na esperança de que consiga completar a comunicação,

decodificando a linguagem.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior