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O único caminho para o HRDV é a gestão compartilhada com os municípios da Região

É difícil debater a atual condição financeira do Hospital Regional Darcy Vargas, tendo em vista o excesso das variáveis intervenientes ao longo do processo, bem como a cultura local, que valoriza a política da boa vizinhança, levando suas paixões políticas para dentro das associações, instituições e clubes.

Ao ler a resenha do jornalista Flávio Azevedo sobre a assembleia que foi realizada no dia 28/08/2016, fui obrigado a concordar com suas palavras, em gênero, número e grau.

Como gestor, me pergunto o que poderia ter dado errado, bem como se seria possível ajustar os atendimentos médicos à demanda regional, tendo em vista que a instituição atende pacientes de São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito e Silva Jardim, uma vez que o SUS (Sistema Único de Saúde) tem a obrigação de anteder a todos, que procurarem os serviços públicos, em função das garantias constitucionais. Todavia, uma vez que a tabela não é reajustada há mais de uma década, a demanda local não consegue assegurar a manutenção, uma vez que o número dos atendimentos são maiores que a cobertura dada pelo governo. Assim, a diretoria do HRDV, com sua equipe médica e logística, luta continuamente com o passivo e o ativo, para equilibrar as contas, que não fecham. Ai, vem aquela pergunta ética: – Seria justo e correto deixar de atender o paciente do SUS e que não tem plano de saúde privada, quando a meta fosse alcançada? – O quadro financeiro do Hospital não é uma singularidade, mas um padrão que está acontecendo com os hospitais particulares e filantrópicos em todo país, cujo maior patrão é o governo, que paga através do convênio com o SUS. Por exemplo, no nosso caso, somente 18% dos atendimentos são referentes às coberturas dos planos de saúde, enquanto que a instituição está acumulando empréstimos, com considerável parte dos seus ativos comprometidos com a folha de pagamento.

Mas, existe uma contradição no HRDV, tendo em vista que o maior cliente é o governo, através do SUS, embora seja uma instituição filantrópica e privada. Todavia, o simples fato do SUS realizar a cobertura dos 82% dos serviços, já seria a condicionante natural para a auditoria externa e continua por parte do próprio governo, objetivando o controle da qualidade e das informações, o que é natural e normal nas Organizações de Grande Porte no mercado brasileiro e internacional. O problema é que o poder público e a gestão do hospital não estão conseguindo encontrar o denominador comum na solução deste problema, que cria a gravidade ideológica interna entre os associados, que é materializada na disputa entre os grupos políticos. No final, quem perde é o cidadão e o contribuinte, que precisam se deslocar para Niterói, quando o tempo e a patologia permitem. Caso contrário, vão ao óbito e são decodificados em estatísticas.

O caminho para o HRDV é a gestão compartilhada, que poderia se estruturar na previsão orçamentária dos municípios da região, na manutenção parcial dos serviços. Caso contrário, o destino da instituição será o mesmo da maioria dos hospitais filantrópicos brasileiros, que foi a falência. Todavia, tal modelo exigiria a mudança do regimento interno na instituição, além da proposta do mecanismo executivo por parte dos entes municipais.

Por fim, acredito que está faltando alguém que possa fazer a conexão entre a instituição e o governo, de forma imparcial, vislumbrando a materialização do modelo da gestão compartilhada e transparente, através dos atuais sistemas de informação. Todavia, o Governo Federal está querendo privatizar a gestão dos seus presídios, creches e hospitais. Logo, o bom senso indica que o caminho é justamente manter o modelo filantrópico pré-existente, ou aguardar um milagre que dê o superavit no fluxo de caixa e no índice de liquidez da instituição.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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