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Os Bardos

Quero deixar de ser o cavaleiro que o sou.

Quero muito aprender a tocar banjo ou flauta

Quem sabe violino ou tambor!

Assim, transformaria o desastre em arte…

Exaltaria a coragem dos vivos durante o combate

E evocaria a lembrança dos mortos e de seus feitos.

 

Pelas tavernas, me embebedaria com os anões…

Enquanto aumentaria as estórias, os aplausos e as moedas.

Tocaria no intuito de iludir e fantasiar a todos…

Desde os humanos até os elfos…

Escutaria comentários aqui e ali…

Formando uma escolástica de informações.

 

Dormiria e acordaria nas tavernas.

A estrada seria meu destino.

Conheceria todos os lugares e culturas.

Conheceria o real e o imaginário…

O lúdico e o impossível.

Nos momentos de saudade dos amigos,

Visitaria seus respectivos túmulos;

Enquanto que trovas, ali, nasceriam.

 

Meu banjo choraria de alegria e de tristeza.

Minha alma seria como um andarilho…

De festa em festa…

De bosque em bosque…

De praça em praça…

De taverna em taverna.

Em situações sublimes e raríssimas,

Tocaria a alma dos apaixonados no matrimônio puro.

 

Todo bardo é assim:

Sem teto próprio;

Sem grilhões afetivos;

Muito sorriso e brilho nos olhos…

Para essa categoria, não há tempo ruim;

Mesmo quando seu lado é derrotado.

Pois a música e a arte não têm lado ou religião…

São ofícios errantes que todos necessitam.

Logo, o mundo está para o bardo,

Assim como, a pena está para o poeta.

 

 

 

Todavia, após muito refletir…

Conclui que bardo não quero mais ser;

Pois os guerreiros têm trovas e cortejos fúnebres.

Seus nomes são lembrados e honrados na genealogia.

Suas espadas se transformam em cruzes…

Ou são herdadas aos seus filhos.

Não gosto da idéia de visitar túmulos…

Ou de tocar durante o recolhimento dos corpos.

Se for para tocar alguma coisa,

Que seja, somente,  no átrio de minha casa.

 

Fatalmente, nunca presenciei qualquer enterro de bardo.

Se algum já aconteceu diante de meus olhos,

Passou-me totalmente despercebido!

Talvez, essa seja a sina do bardo:

– Viveu tanto a alegria e a música em vida,

Que sua morte se torna silenciosa por necessidade.

Talvez, a natureza artística exija isso de seu praticante,

Ou realmente a classe seja totalmente desunida.

Talvez, sejam todas as suposições…

O fato é que também nunca vi um banjo dormir…

Talvez, o bardo consiga a dádiva de ter filhos,

Mesmo, jamais tendo procriado de fato…

Esse é o grande mistério da arte,

Que a guerra jamais conseguirá compreender.

 

 

Nadelson Costa Nogueira Junior

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