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Minha homenagem ao médico Paulo Cordeiro…

É difícil tecer qualquer comentário em relação aos fragmentos percebidos de uma personalidade, cuja intimidade nunca me foi compartilhada pelos anseios do destino. Mas, a pedido da minha esposa, escreverei, na tentativa de juntar os fragmentos dos relatos e das experiências das pessoas que tiveram a honra de conhecê-lo em vida e que sempre compartilharam dos seus bons fluídos com o mundo.

Como o super-homem estudando e aprendendo o conhecimento do universo no seu Palácio da Solidão, ele se isolou com sua família numa chácara, mas nunca abandonou seu jaleco de médico ou o exercício da caridade, quando solicitado, tanto aos amigos quanto aos estranhos.

Muito além do médico notório, sempre foi evidente a figura humana, paterna e amorosa, que abraçou sua esposa, seus dois filhos e netos, num amor incondicional, que era estendido aos seus amigos, baseado nessa mesma lealdade e confiança. E assim, ele se tornava o conselheiro, o amigo e o pai de todos, auxiliando na renovação cotidiana daqueles mais próximos.

Com a mesma serenidade e dedicação que o Paulo Cordeiro trouxe ao mundo em vida, tenho a certeza que assim o fará após a travessia ao plano espiritual, porque a morte é a passagem da consciência e da própria existência para outro nível da realidade, que está diretamente ligado ao nosso, como a doutrina de dois mundos. Logo, não tenho dúvida de que ele continuará vestindo seu jaleco branco, exercendo a medicina na caridade, auxiliando seus pares e o nosso Hospital Regional Darcy Vargas.

No final dessa jornada, meu caro leitor, mesmo com os olhos secos ou cheios de lágrimas, não teremos como negar de que foi construída uma corrente do bem, que se propagará por gerações entre seus familiares, amigos e pacientes, porque a luz se propaga e mostra novos caminhos àqueles que estão preparados e anseiam por um mundo melhor. Um milagre foi feito nessa vida, enquanto que somos o resultado e as testemunhas, mesmo que tenha sido no anonimato.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Um minuto de serenidade para escrever aquilo que ninguém quer ler

Rio Bonito, 04 de Novembro de 2015.

Não sou político e não pretendo sê-lo. Minhas pretensões se limitam as responsabilidades do pai, do filho, do marido, do trabalhador e do cidadão.

Não basta ir às ruas e pedir a mudança do comportamento ao ladrão. Isso seria o mesmo que pedir seu suicídio. Há uma aristocracia, que se diz brasileira, mas que gosta do luxo e da grandeza das metrópoles estrangeiras. Essa mesma aristocracia não gosta do trabalho, mas idolatra o dinheiro. Logo, em nome da tradição e dos costumes, acordos são  lacrados na propina, na troca dos favores, no peculato, no abuso do poder, na ameaça e no medo.

A democracia brasileira não foi construída para a sociedade, mas para quem tem propriedade. A Constituição, que emana e inspira toda a nação, foi forjada num congresso, que mencionou os direitos do povo e da coletividade com generalidades, tais como a saúde, a educação e a seguridade social, enquanto que os assuntos dos interesses da aristocracia foram tecidos lentamente, de forma imperceptível, dentro da máquina do Estado e dos princípios que tanto rogamos e lutamos para garanti-los: – Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Na realidade, somos iguais desde que as cartas sejam lançadas à mesa, enquanto que o bolso tenha condições de manter a cada rodada. Assim que o bolso se esvazia, o cidadão perde sua igualdade nos direitos e o acolhimento na fraternidade. A liberdade já estava perdida, quando ele se permitiu sentar à mesa com os veteranos.

Hoje, não tenho dúvida que as cláusulas pétreas não são garantias das democracias e da república, mas dos proprietários das terras e dos dominadores do poder econômico. E assim, criaram os Estados Federativos para atenderem as necessidades dos senhores de cada região, como as capitanias hereditárias no período colonialista. Junto com os Estados Federativos, surgiram os cargos, os poderes interdependentes e a especialização dos acordos entre as famílias e seus apadrinhados. Essa gravidade corruptível aumenta e se torna insuportável, quando chegam aos municípios. É como que se Brasília fosse a crosta terrestre, enquanto que os Estados Federativos e os Municípios se transformassem, literalmente, na profundidade, medida pela ausência do conhecimento e da luz, tornando-se uma escuridão, que ofusca as instituições políticas do restante da sociedade. Simplesmente, eles estão ali do nosso lado, mas não conseguem se comunicar. Aliás, não querem comunicação alguma. Quanto maior for a alienação será melhor, tanto para o analfabeto quanto para o doutor.

Esse contrato social e aristocrático, que foi firmado há séculos na Europa, possui uma força degenerativa da alma e do espírito humano. Seus praticantes são como zumbis, que vagueiam pela terra, famintos da luz e do dinheiro alheio. De vinte em vinte anos, os zumbis perdem a capacidade de locomoção, transferindo o fronte da carnificina para as gerações mais jovens.

Não há pureza individual que consiga vencer o sistema cristalizado na cultura política nacional. Simplesmente, tentarão revoluções no futuro, que estarão presas aos princípios da democracia e da República, e que, consequentemente, ficarão limitadas pelas cláusulas pétreas, com sua garantia de soberania aos Estados Federativos, porque a constituinte, que era para ter sido a representação de um povo e de uma nação, acabou fazendo o teatro diante do mundo, mantendo as coisas nos seu devido lugar, como já foi estabelecido no ciclo do determinismo e do elitismo.

A fórmula é tão exata e perfeita no controle social, que alimentam os cidadãos com a esperança da mudança, objetivando a renovação no voto. Mas, por regra, os novatos são doutrinados pelos veteranos e pelos aristocratas que comandam o sistema, gerando a cultura do eco e da repetição do sonho da construção dos heróis, que são consumidos pela força gravitacional da anomalia astronômica da corrupção.

O governo e a sociedade precisam cuidar do social e dos necessitados. Entretanto, por exemplo do Bolsa Família, era para o cidadão receber a ajuda de custo para manter seus filhos na escola, não somente para se alimentarem com merenda escolar, quando a tem, mas para receberem a educação, objetivando o retorno à sociedade.  O problema é que a bolsa família não erradicou a fome do Brasil, conforme a propaganda na ONU, mas escravizou uma geração, que não terá perspectiva de emprego, seguridade social ou qualquer outra garantia constitucional real. Isso acontece, porque o Estado é soberano, mas já decidiu fazer o mínimo por sua sociedade, que tem a obrigação de mimá-lo e mantê-lo com os impostos, taxas e tributos.

Os idealistas, se forem eleitos, ficarão isolados em seus gabinetes, com os projetos engavetados em algum departamento governamental.  E assim, ratifico que não haverá mudança pelo individual, mas pelo coletivo. Hoje, acredito mais no anonimato da caridade do que na oratória de um político ou do seu partido.

O resultado disso será o óbvio: – Desemprego, guerra civil, seguida da intervenção militar, que terminará na mão de um ditador, que terá que fazer a abertura à democracia, para que o capital possa se transformar em riquezas, fazendo grandes concentrações de renda e um contraste na desigualdade social, perceptível pelo observador pelos extremos. O problema é sério e dialético. O pior é o político só tinha que fazer a coisa certa: – trabalhar, escutando as necessidades do seu povo. Mas, o povo brasileiro é adolescente. Ele está repleto de dúvidas e receios, enquanto que somente o tempo poderá dar a oportunidade demonstrarmos o lado mais nobre da humanidade.

Eu amo o meu país. Tenho orgulho de ser brasileiro. Todavia, isso não me dá mais o direito de ser infantil e ingênuo, ou de acreditar que as coisas melhorarão para as futuras gerações, quando as fórmulas e as estratégias demonstram manter as coisas no seu devido lugar. É isso que sinto nesse minuto de lucidez racional. Mas, quando olho para minha filha, vejo o brilho radiante nos seus olhos. Eles me dizem que estou errado e que não posso desistir. Então, eu deixo a lucidez de lado, abraçando a esperança nas futuras gerações, porque a minha já está perdida, em função da idolatria à vaidade e ao dinheiro.

Por fim, se cada pai e mãe investirem seus conhecimentos em seus filhos, com ética e moralidade, valorizando o próximo e as experiências, eu acredito  na possibilidade da mudança, não para o hoje, mas para o amanhã. Assim, retifico tudo que escrevi até aqui, baseado na lucidez racional, porque foram necessários quarenta anos do êxodo no deserto para chegarmos até aqui.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior