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Precisamos conversar sobre o foro privilegiado e a imunidade parlamentar na política brasileira

Tento não entrar na competição ideológica da opinião pública em relação à direita ou esquerda, porque, na minha opinião pessoal, nunca existiu a esquerda no poder, tendo em vista o número dos acordos de gaveta e a energia imposta pela sociedade para que um determinado grupo possa assumir o comando da nação. Assim, a partir do momento que o partido pagou o pedágio financeiro, ético e moral, a ideologia morre para dar lugar ao pragmatismo do mercado, com seus fluxos de ações na Bolsa de Valores, aplicando as taxas de juros que liquidam o país aos estrangeiros.

A coalizão no Congresso Nacional está diretamente relacionada aos partidos e ao número dos Ministérios, que são distribuídos no circuito do poder, levando o acesso ao dinheiro público junto consigo. Essa mesma dinâmica se repete nos Estados e nos Municípios, enquanto que, provavelmente, o prefeito, o governador e o presidente da república que ignorarem a mecânica do sistema público, não terminarão o mandato ou não conseguirão se reeleger.

A doença da política brasileira está nas Assembleias Legislativas, no Congresso Nacional e nas Câmaras Municipais, uma vez que os vereadores, deputados e senadores não se dão por satisfeitos com o número excessivo dos cargos comissionados disponibilizados aos seus respectivos gabinetes, querendo mais e cada vez mais, se entranhando na máquina pública, fazendo o cabide de emprego e o apadrinhamento, burlando as licitações e a própria Lei. Na teoria, era para eles nos representarem, mas, na prática, eles só representam seus próprios interesses, construindo o patrimônio inimaginável as custas do suor do trabalhador brasileiro.

Não adianta fazer protesto ou tentar iniciar qualquer revolução, enquanto os políticos gozarem do foro privilegiado e da “imunidade parlamentar”. O Político precisa se responsabilizar por seus atos e omissões, quando investido da função pública.

Por fim, o político se adapta ao ambiente, para depois moldá-lo. E assim, o sistema escraviza as empresas, os empresários e a sociedade, não dando opções, transformando-lhes em vítimas. Logo, esse deveria ser o momento para o Congresso Nacional acabar com o foro privilegiado e a imunidade parlamentar, transformando o político num cidadão comum aos olhos da lei. Dessa forma, as empresas teriam a quem recorrer nas situações da propina e da corrupção, porque o Presidente da República é quem assina os atos do Poder Executivo, mas são os membros do Poder Legislativo que mandam nas pastas e nas verbas.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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A ideologia do PT comprometeu a estabilidade do REAL e o crescimento da economia

O Brasil idealizou o MERCOSUL, construindo as bases econômicas, políticas e diplomáticas entre as nações. Lembro-me que o LULA, durante sua gestão, tinha idealizado instalar o complexo petroquímico em Cuiabá, para atender os países vizinhos de um lado, além de intensificar o desenvolvimento da reigão centro-oeste, norte e nordeste do outro, construindo uma rede ferroviária e portuária, cuja logística valorizaria o Rio Amazonas e o litoral brasileiro no Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte. O objetivo final era constituir uma rede logística do transporte de cargas e dos derivados de petróleo entre a Venezuela, Bolívia, Colômbia e Argentina, estendendo sua potencialização ao Peru, Equador e Chile.

Mas, os olhos ideológicos daquela gestão desejavam ir além, objetivando a fusão entre a Petrobrás e a PDVSA, para que nascesse o terceiro maior gigante produtor de petróleo e com a tecnologia da prospecção do petróleo em águas profundas. Agora, os leitores compreenderão os motivos que levaram ao apoio do LULA ao governo ditatorial de Hugo Chavez, disfarçado de democracia. Também entenderão os motivos que levaram a presidente Dilma Rousseff a ignorar as denúncias de torturas, homicídios, quebra dos direitos políticos e civis dos cidadãos venezuelanos.

Só que o PMDB, que era o partido de centro, enquanto que não existia qualquer hipótese de se administrar o país, sem o apoio deste partido, que detém a maioria das cadeiras e consegue articular as coalizões internas no Congresso Nacional, decidiu apoiar a instalação do complexo petroquímico, desde que fosse no sudeste, no Estado do Rio de Janeiro, em área neutra à condição das estratégias nacional e regional. Assim, surgiu o COMPERJ e sua instalação em Itaboraí, quando deveria ser na área entre Macaé e Campos dos Goytacazes, onde está a maior parte da logística da prospecção do petróleo. No final, o PMDB e o PT optaram por uma região sem sentido, para não aumentar a força política de Anthony Garotinho, que tem pretensão em ser o presidente da república.

A mudança nos planos com relação ao Complexo Petroquímico, alterava considerável parte do plano continental idealizado pelos governos andinos e o governo brasileiro. Mas, o Brasil ainda tinha e tem uma grande vantagem, que é sua extensão continental e a moeda mais estável da américa do sul.

Ao longo dos últimos 20 anos, o Brasil tem carregado, literalmente, a Argentina, Bolívia, Uruguai, Paraguai e Venezuela nas costas, criando um universo de regras alfandegárias, que facilitavam a vida das economias vizinhas e sobrecarregavam a economia interna brasileira. Todavia, havia uma lógica, que não foi aplicada até a presente data: – A ideia era transformar o REAL numa moeda internacional alternativa ao dólar, para circular em todo continente. O problema é que as bolhas imobiliárias e econômicas explodiram de um lado, enquanto que o MERCOSUL ficou discutindo quem poderia ou não participar do clube do whisky. Em suma, se analisarmos o governo Dilma Rousseff com a profundidade necessária, veremos que a mesma não deu continuidade às estratégias iniciais pelo seu mentor, LULA, como, muito menos, priorizou as necessidades econômicas internas e externas, transformando o Brasil num país que empresta dinheiro às nações regidas por governos ditatoriais na África e na América do Sul, enquanto que buracos foram criados no fluxo de caixa do tesouro nacional.

Em suma, a amizade e a identidade ideológica da atual presidência da república promoveu a aproximação do governo brasileiro aos governos de esquerda, quando a nação é tradicionalmente de direita. A amizade com a Venezuela está custando caro para os brasileiros, além de ter afetado toda a logística nacional e internacional. Por outro lado, a vitória de Macri na Argentina, bem como suas ações não ortodoxas, deixaram o Palácio do Planalto com as calças na mão, tendo em vista que a Argentina decidiu se afastar da política cambial, direcionando sua energia para a economia e a política interna. Em contrapartida, Macri sinalizou ao governo israelense que quer aproximação e participar da comunidade tecnológica, bem como afastar-se de qualquer estrutura que tenha vínculo com a esquerda.

Por fim, se o Governo Brasileiro não sentar no divã, para repensar suas estratégias, a Argentina demonstra que poderá assumir a liderança econômica no continente sul americano, transformando o Brasil num ator coadjuvante, enquanto que a internacionalização do Real seria a alternativa para compensar os fluxos da balança comercial, mesmo com os riscos do mercado.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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A Encruzilhada

Rio Bonito, 20 de novembro de 2005.

Eu tenho vagado por muito tempo por essa terra. Transcorri estradas, calçadas, avenidas, elevados, morros, favelas, trilhas, montanhas, rios e florestas. Já enfrentei a fome, a sede, o calor, o frio e a morte. Fui mais abandonado do que abandonei nas relações sociais, desde amizades antigas até os namoros e paqueras. Tem momentos em que tenho a sensação de que cruzei o mar vermelho! – E assim, me pego vagando como moribundo pelo mundo que se transforma no contínuo.

Nesse exato momento da minha vida, eu estou numa encruzilhada, pela qual posso insistir em retornar, como também, posso seguir adiante, ou pela esquerda, ou pela direita. Caberá única e exclusivamente da minha vontade e de tudo aquilo que o Eterno está planejando para minha jornada.

Se fosse possível separar os seres que me compõem o todo, como o pensador, o físico, o filósofo, o poeta e o guerreiro, eu colocaria cada um de frente para o outro e lhes perguntaria: – O que faremos?  Sem dúvida alguma, o guerreiro esperaria a decisão do pensador, do físico e do filósofo para elaborar a estratégia de ataque se fosse necessária.  O pensador, o físico e o filósofo decidiriam, temporariamente, se sentar abaixo duma árvore e ver no que poderia acontecer.  O poeta correria para sua casa, pediria licença aos seus pais, te beijaria a boca,  acumulado com o abraço da saudade de anos, pedindo-te em casamento.

Agora, estou aqui nesta encruzilhada especulando sobre minha vida e suas possibilidades. De fato, estou até com um pouco de medo hoje, pois perder-me-i, se não fosse o poeta e o guerreiro.  Mas cedo ou tarde, poderá aparecer um rabo de saia que poderá me desviar os olhos de ti e me levar embora de meu destino.  Talvez, os próprios embaixadores do bem ou do mal se façam presentes, só para testar minha fé naquilo que penso e sinto por ti. Talvez, os caminhos se fechem total ou parcialmente.  Talvez, se abram novos caminhos.  Entretanto, a única certeza que tenho, é que a lógica determina o dever e o amor próprio de ir adiante e não para trás. Enquanto que, pela primeira vez na minha vida, meu coração quer ficar e apostar tudo. – Talvez essa seja a sina do amante: Arriscar tudo sem querer qualquer coisa em troca. Simplesmente, se alimentar do sonho, chegando a ponto de só se querer dormir.

E é assim que terminam nossas vidas: Num conjunto de encruzilhadas que definem o tamanho da nossa fé, o fim da nossa busca e a ausência de dúvidas.

Uma coisa é certa: Não mais dormirei para idealizar a ilusão, bem como, não permitirei que outros vivam os meus sonhos, à minha sombra.

E espero que na próxima encruzilhada da minha vida, eu não esteja sozinho e que dividam comigo o peso da escolha e as alegrias duma vida bem vivida, por maiores que sejam as dificuldades.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior