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A Hora da Partida

O momento da partida sempre é difícil para quem fica e para quem parte, porque, por mais que a sociedade se sustente no individualismo como a unidade mínima, sempre ficarão os fragmentos das impressões e das experiências de uma pessoa para outra.

Somos viajantes do tempo e das emoções, transferindo a bagagem continuamente com o próximo. Ora temos a sobrecarga do peso, ora não temos peso algum. E assim, vamos compensando uns com outros e vice-versa, numa solidariedade que se prende ao afeto e à afinidade, porque, no final, aquilo que parece ser o sacrífico ou um castigo, pode ser a oportunidade do ajuste e da aproximação.

Ninguém disse que a partida seria fácil, mas temos que ir, sem data, local e hora anunciados pelo além. Logo, é importante praticar a justiça, o respeito, o arrependimento e o perdão, devendo lembrar que a vida precisa ser sincera e plena, porque o corpo possui prazo de validade e, ao contrário do espírito, sua essência é mortal.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior : .

Rio Bonito, 14 de julho de 2018.

 

Imortalidade.

Somos seres compostos de carbono, hidrogênio e oxigênio.

Dizem que a vida é o resultado do acaso da existência da matéria ou de um projeto divino, sem medição.

Simplesmente, a evolução adveio de uma única molécula de aminoácido, que através das condições ambientais do meio, foi se adaptando ao tempo e ao espaço, desmembrando-se em novas formas de vida. Entretanto, com o o ácido desoxirribonucleico (DNA) variando de uma forma de vida para outra. Logo, esse é o resumo da teoria evolucionista, defendida e aplicada até a atualidade pela sociedade científica.

Em contrapartida, os filósofos antigos e contemporâneos sempre comungaram da ideia de um DEMIURGO, uma força natural que está em toda criação, fazendo sua parte no processo criativo no ponto de equilíbrio natural entre a vida e morte conceitual, como as conhecemos.

Todavia, não pretendo me alongar sobre um assunto, cujo conteúdo se estenderia pela eternidade da negação dos envolvidos. Me limitarei à essência humana e sua consciência, que foi programada ao longo de gerações para sobreviver e resistir, na busca pela imortalidade.

O termo imortalidade é simplesmente “não morrer”. Salvo a literatura religiosa, o máximo que um ser humano poderia se aproximar da imortalidade, considerando os padrões físicos e químicos do mundo material, seria através da perpetuação da sua espécie, garantido a continuidade do rio sanguíneo de um lado, e transposição do DNA do outro. Assim, nesse processo de gerações, seriam transferidos, literalmente, conteúdos e programações, que ainda não compreendemos e alcançamos.

Seguindo essa mesma programação natural e inconsciente, o indivíduo já nasce consciente de que morrerá um dia. Todavia, o mesmo fará questão de seguir a programação inconsciente de toda uma espécie, em se considerar imortal, rendendo-se aos padrões da vaidade e do ego. Sem dúvida, se fosse esse conflito existencial entre o indivíduo e o coletivo, talvez, a humanidade não tivesse saído do seu estágio embrionário. Talvez, ela estivesse dentro de um tubo de ensaio, aguardando que seu criador cometesse uma tentativa de acerto ou erro, no intuito de corrigir algo, que não poderia mais ser detido no processo divino ou científico, uma a fusão nuclear ou o surgimento da própria vida.

No final, eu optei em acreditar que existem várias dimensões. Que a vida material é uma espécie de roupagem para uma existência energética e autônoma, chamada de espírito. Com todas as teorias, estando as mesmas em exercício ou em desuso, a que mais me identifico é a do DEMIURGO, pois gosto da ideia de ser parte de algo maior do que eu mesmo. Também gosto da ideia de ser parte de um grande projeto e de um tubo de ensaio chamado realidade. Gosto de acreditar de que sou mais espírito do que carne, que sou mais consciência do que ciência, que sou nada diante de tudo.

Minha imortalidade está em minha filha. Todavia, eu me atrevo a afirmar que nossa existência está além de seu plano, como se colocássemos vários espelhos, um em frente ao outro, gerando um infinito de projeções em si mesmos.

Nadelson Costa Nogueira Junior