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SOBRENATURAL

Diante do caos constitucional,

Dos abusos cometidos contra a nação,

Gostaria de ter o poder sobrenatural,

Caminhar sobre as águas do mar

E voar para bem longe dessa conspiração,

Sem necessitar do visto e do carimbo

Ou tirar o passaporte do bolso.

O problema é que a saudade me mata,

Enquanto que ainda não saí de Rio Bonito.

Não quero carregar a culpa de ter partido,

Apagado a luz…

E fechado a porta,

Porque as crianças precisam ter esperança,

Mesmo que ainda não tenham nascido.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior : .

Rio Bonito, 02 de agosto de 2018.

tortura

Uma Sessão de Tortura contínua para a Humanidade

Valorizamos a vida de forma demasiada, quando deveríamos valorizar a nobreza na existência por si só. O problema é que a humanidade só se depara com a realeza de tal contradição, quando a guerra está à sua porta, com uma arma mirando seu peito ou a faca tocando sutilmente seu pescoço.

Sob o vício inevitável da morte, até o pior dos seres consegue encontrar a falsa humildade para ludibriar o inquisidor. Mesmo que tenha que se rastejar e entregar todo seu círculo.

A garganta do delator fica seca, enquanto que seus olhos lacrimejam. Suas mãos tremem, enquanto os lábios suplicam pela vida. Quanto maior for o requinte na crueldade, maiores serão os gritos de agonia e súplicas do perdão, cujo merecimento se fez distante do seu testemunho moribundo.

A maioria pensará que estou falando dos vivos, mas não estou, tendo em vista que a morte nesse plano é um rito de passagem para uma dimensão mais densa, profunda e complexa da existência universal, pois existem pessoas que estão vivas, mas já agem como mortas, enquanto que legiões de mortos buscam a vida, para nutrirem suas almas desgastadas pela mentira, pelo ódio, pela dor e sofrimento alheio.

No discurso alegórico das campinas cheias de verde e flores, há uma realidade que os portadores da luz não dizem, alegando a segurança espiritual e o despreparo da maioria dos seres humanos: – Há uma guerra no mundo espiritual, que está muito além do narcisismo individualista ou da propriedade inalienável da sua alma, cuja trajetória é cinza e está muito acima ou abaixo dos conceitos do bem ou do mal ou do certo e errado.

Simplesmente, megalópoles e cidades foram construídas, tendo como ponto de partida a crosta terrestre e os cemitérios. Nelas, são reproduzidas as sensações, os anseios e os delírios da nossa realidade, como um rádio em sintonia com sua estação predileta. As pessoas continuam seus hábitos e se aprimoram, ora para o crescimento da coletividade ou para a diminuição da fé e da caridade. Todavia, a escravidão é uma prática comum diante da crise da energia. Assim, como acontece com os fundamentalistas no nosso mundo, grupos e exércitos são nutridos continuamente no mundo espiritual, objetivando a manutenção da rede psíquica entre os vivos e os mortos, porque nós somos os produtores da matéria-prima que sustenta o caos, através dos nossos sentimentos e do ectoplasma contaminado.

Há um momento, que temos que exercer a faculdade do juízo e decidir entre dar continuidade aos caos, na esperança de que o agente recupere sua luz e retorne à unicidade, ou aplicar a segunda morte, o que declinará na transmutação da consciência da vítima ao plano, cuja matéria não existe, vislumbrando que o milagre ou o total esquecimento da existência aconteçam. A questão é somente uma: – Qual seria o mínimo de humanidade exigido para continuarmos ou desistirmos de uma fonte de informação, cujo ruído e a dúvida se farão constantes, salvo a manifestação da intervenção divina e do milagre por si só? – Não importa. Porque o trabalho precisa ser mantido e propagado, em nome da segurança da maioria, enquanto que todos são vítimas do seu próprio conhecimento.

Por fim, cumpra seu papel legítimo na criação. Seja justo com todos e faça sua parte na manutenção da luz. Evite os atos e as pessoas que poderão colocá-lo numa sessão de tortura, porque o mal se degenera sozinho, até se consumir por inteiro. Logo, ele só continuará, se tiver sua ajuda.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

Night sky June 4, 2001

Assim como são as pessoas, São as estrelas

Hoje, eu compreendo o ciclo de vida das estrelas, embora ainda seja um mistério seu nascimento e morte, mesmo com tantas observações, anotações, análises e teses astronômicas. Simplesmente, elas nascem no meio do vácuo do espaço, onde nada havia. Primeiro, surgem os gases e alguns átomos conhecidos na Terra. Até que seu núcleo se materialize. O interessante é que durante todo o processo há a presença da luz, quando os astros possuem tal natureza.

Dependendo do tamanho da estrela e do movimento orbital do seu berço enigmático, não surge uma, mas várias estrelas e astros, compondo constelações e galáxias. E assim, o universo vai sendo construído no contínuo do espaço, do tempo, da gravidade, da profundidade, da matéria e da antimatéria. Numa compensação sinfônica e imperceptível aos olhos humanos de morte e vida. A estrela morre, quando sua luz se apaga, enquanto que seu núcleo, materializado ou gasoso, se desfaz.

Não sou astrônomo ou astrofísico, mas sempre vi as pessoas como estrelas e constelações. E, no cotidiano, testemunho o início e o fim das dinastias. Para ser mais exato, observo a morte das estrelas humanas, com seus espíritos consumistas, no silêncio do olhar. Na programação social do consumo, a humanidade priorizou o consumismo, e, quando se aproxima da morte, o viajante se consome por inteiro, ora, pela falta do preparo espiritual para jornada natural, ou pelo simples fato de que a programação social fará o Ser Humano se consumir, para compensar o próprio vazio.

Vejo as famílias como constelações, que estão se apagando e consumindo em conceitos sem sentidos e com significado algum. Deveríamos ser estrelas com calor e luz radiantes, mas seguimos a programação de transportarmos a nós mesmos.

Por fim, não me importa a jornada pessoal de cada um. Só gostaria de me limitar à visão do fim da matéria física, permanecendo a luz o calor do meu semelhante como inspiração pelo infinito. O problema é que estou vendo a luz se apagar antes mesmo da matéria física se consumir, enquanto que os portadores seguem adormecidos dentro de suas próprias consciências.

E assim, vou abraçar minha família, visando manter nossa galáxia erguida, tendo em vista que o caos possui um padrão e não pode ser controlado. Isso é nítido nas estrelas e se repete em nossos corpos frágeis, onde não conseguimos controlar nossos batimentos cardíacos e o fluxo sanguíneo, que mantém a máquina humana em funcionamento, até que o coração se desgaste e pare.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior