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SOBRENATURAL

Diante do caos constitucional,

Dos abusos cometidos contra a nação,

Gostaria de ter o poder sobrenatural,

Caminhar sobre as águas do mar

E voar para bem longe dessa conspiração,

Sem necessitar do visto e do carimbo

Ou tirar o passaporte do bolso.

O problema é que a saudade me mata,

Enquanto que ainda não saí de Rio Bonito.

Não quero carregar a culpa de ter partido,

Apagado a luz…

E fechado a porta,

Porque as crianças precisam ter esperança,

Mesmo que ainda não tenham nascido.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior : .

Rio Bonito, 02 de agosto de 2018.

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O Chato

Poderia fazer como qualquer outra pessoa normal, simplesmente, pegar o dicionário e transcrever o significado do vocábulo “chato”, ou ser mais preguiçoso, ainda, pesquisando na internet, selecionando o texto, apertando as teclas CTRL+C e CTRL+V. Entretanto, isso me incomodaria durante a madrugada, tendo em vista que não vim ao mundo para ficar apertando teclas de atalho, copiando as palavras e as ideias dos outros. E é justamente por tal motivo, que algumas pessoas me chamam de “chato”.

Todavia, minha autenticidade, na chatice, não vem em escrever aquilo que penso, mas de fazer questão de colocar cada palavra no conflito das ideias com o meu próximo. Não faço de propósito, mas pela necessidade de conversar e compreender o mundo. O problema é que as pessoas estão tão preocupadas em ter tantas certezas, que não se permitem o debate ou a conversa filosófica. Isso poderia quebrar as bases de vidro de seus pensamentos, gerando um universo infinito de incertezas. Ter incertezas, além de causar traumas, obriga o ser humano a se tornar pensante, quando a pratica do pensamento e do questionamento parece exigir mais do corpo e da mente do que os exercícios condicionados nas academias de ginástica.

Assim, optei em ser chato comigo mesmo, lendo de tudo um pouco, confrontando os textos, com seus temas centrais. Com o transcorrer do dia, chega a hora que o cérebro já está cheio e quer ouvir e falar besteirol. Mas, os chatos interagem muito pouco, enquanto que a maioria já vê sua chatice como uma ameaça à certeza alheia. Então, para sobreviver na vida social, eu comecei a estudar o comportamento dos indivíduos na vida coletiva, objetivando copiá-los. Depois de um longo tempo de repetições, consegui fazer parte de um grupo, de uma tribo, da comunidade e tudo mais. No final, eu sempre continuarei sendo um chato legal para muitos, enquanto que, na minha visão estrábica, sou um chato idiota, porque optei sobreviver num mundo sem essência.

Entretanto, chega o dia do inevitável: – O personagem do chato é mais forte e quebra a farsa de toda sua existência, como a semente que germina o lírio. Assim, numa conversa normal, sua substância vaza pelas palavras, enquanto que o patrício brasileiro se transforma num típico estrangeiro. O governo emite seu passaporte, sem pedido. Ele entra na sua casa, arrumando as malas e colocando as contas no débito automático. Quando se chega à conclusão do que está acontecendo, já é tarde, pois, você já está sentado no banco do avião, procurando a realização e a felicidade em outro país, acreditando que a escolha foi sua, quando foi tudo meticulosamente articulado, desde a maternidade, para que o cidadão fosse expulso, em silêncio, da sua nacionalidade.

Por fim, você se torna um chato viajante e aventureiro, quando queria ter uma boa conversa, desde o início de todo o contexto.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior