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Quando as minorias falam mais alto que a sociedade

Eu nasci em 1976. Estávamos na ditadura militar. O mundo vivia a bipolaridade da Guerra Fria. A Alemanha estava dividida pelo Muro de Berlim. Muita gente acreditava que comunista comia criancinha. Havia a hegemonia heterossexual e a família era o centro da vida social. Naquela época, as minorias não eram percebidas, porque a imprensa lutava contra a censura, enquanto que não existia a internet e as redes sociais. Na atualidade, tudo mudou. Mesmo assim, acho que perdemos uma parte da nossa essência no meio do caminho, porque as minorias ganharam voz e se tornaram maiores que a própria sociedade. E foi nessa lógica insana, que criaram o bolsa família e as políticas públicas que colocam os opostos no conflito direto, para que o Estado tenha sentido e os cidadãos fiquem confusos na comunicação social. Enquanto isso, os políticos ficam cada vez mais ricos, sem derramar uma única gota de suor.

Volto a dizer que não acredito na solução dos nossos problemas com novos nomes ingressando na vida política, pois o verdadeiro caminho está no dia-a-dia, na nossa postura dentro do trabalho, na escola, na religião e, principalmente, dentro de casa, com nossa família. Político gosta de dinheiro, caso contrário, ele seria líder comunitário e trabalharia na caridade.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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GÊNERO E SEXUALIDADE

A mídia e os grupos sociais têm batido, constantemente, nas questões ligadas aos conflitos referentes ao gênero e a sexualidade, reduzindo o tema à opinião pessoal dos indivíduos, desconsiderando a parte mais importante de todo o contexto, que é justamente a essência.

ABAAAeop4AE-2Nós precisamos entender que o gênero está ligado ao masculino e ao feminino, com fatores limítrofes a fisiologia e o sistema endócrino, tendo a testosterona e a progesterona como influências objetivas sobre cada indivíduo. Por mais que algumas correntes insistam em afirmar a existência do terceiro gênero, cujo o termo correto seria terceiro sexo, sua aplicabilidade não estaria correta aos olhos da biologia isoladamente. Entretanto, se penetrarmos no universo da psicologia e do comportamento humano, há a possibilidade do terceiro excluído, mantendo-se os limites supramencionados quanto à fisiologia. Logo, precisamos compreender que a questão do assunto sai da esfera do gênero masculino e feminino, entrando no aparelho psíquico, nos modelos da sexualidade e da influência ambiental, se for o caso.

Assim, sem querer causar polêmica, a questão é bem simples de se compreender: – A sociedade está míope quando o assunto é sexualidade, fazendo questão de limitar o assunto ao gênero, quando a consciência do indivíduo pode não ter qualquer ligação com o corpo, quando o indivíduo conclui que pensa, se vê e se comporta como feminino, mas nasceu num corpo masculino, ou vice-versa.

Na questão legal, os indivíduos que passam pelos conflitos da sexualidade e do gênero passam por provocações e sofrem preconceitos continuamente no mundo contemporâneo. Logo, é justa a atuação de um Estado que garanta a segurança e a igualdade dos direitos, exaltando, acima de todos, o direito à cidadania e a liberdade de expressão. Tais mecanismos são necessários numa sociedade desajustada, visando o equilíbrio e o exercício pleno da justiça social.

Enquanto as religiões tradicionais ignoram a existência do fato ou faz a campanha pelo modelo da família tradicional, composta de pai, mãe e filhos, o Estado legitima, tardiamente, a união homoafetiva, visando garantir o direito à sucessão e a transferência legal dos bens. Entretanto, por causa da questão fisiológica ou do gênero, uma família constituída no novo modelo de sexualidade não poderá ter filhos no processo natural. Todavia, nada impede a adoção como o modelo da transferência do amor, do afeto, da estabilidade econômica, do sobrenome e dos bens, direitos e propriedades.

Nesse momento histórico, estou vendo uma sociedade se armando ideologicamente de todos os lados, visando a defesa de seus próprios valores e regras, quando a sociedade deveria ser a mesma que tolera temas e assuntos que são muito mais perigosos e nocivos a coletividade, tais como a corrupção, a violência em termos gerais, e a escravidão. Discutir tais temas significa tratar a ética e da moralidade, com sinceridade e serenidade.

Nasci no gênero masculino, com uma consciência masculina e machista. Sou o resultado perfeito da típica sociedade do meado da década de 1970. Nunca tive dúvida da minha sexualidade, enquanto que me casei e constitui o modelo convencional da família, que é tão elevada pelas religiões tradicionais. Essa foi a minha escolha, que foi respeitada por todos na época. A questão é bem simples: – Por que a sociedade não respeita o novo modelo de família e a diversidade da sexualidade?  O tema não é novo e possui registros em diversas culturas nos seus respectivos registros históricos.

Por fim, vejo que a maioria das pessoas cometem o erro de confundir gênero com sexualidade. Também vejo muitos falarem em respeito e amor ao próximo, mas, a prática se faz muito distante da palavra falada e escrita. É necessário se dar o respeito para ser respeitado. É necessária a sabedoria para que a tolerância permita uma sociedade livre e sem exageros para todos os lados.

Eu aprendi com meu pai que não existe nada melhor, nesse mundo, do que uma boa conversa, onde todos saiam vencedores, porque todos aprenderam.  Dessa forma, precisamos repensar a humanidade, bem como deixarmos de impor nossa ditadura sobre a vida privada do próximo. Ter opinião é uma coisa. Impor é outra totalmente diferente.

Precisamos acabar com a cultura da supervalorização do pecado, visando valorizar as virtudes e as boas atitudes, pois, assim, deixaremos de focalizar as ideologias, e enxergaremos as pessoas.

 

Nadelson Costa Nogueira Junior