Mandiocão vs Solange.

Tanto Mandiocão quanto a Solange se demonstraram péssimos gestores no poder

A Solange Pereira de Almeida é veterinária, com forte vínculo com a zona rural dentro do seu universo eleitoral. A prefeita sempre priorizou a saúde em seus três mandatos, utilizando a máquina pública como veículo de combate ao desemprego no município, desde que o comissionado ou contratado fizesse parte do seu exército eleitoral, como soldado e eleitor devoto.

O José Luiz Alves Antunes é empresário, no ramo agropecuário, também com forte vínculo com a zona rural dentro do seu universo eleitoral, e com forte penetração no centro urbano nos três mandatos. O ex-prefeito priorizou o esporte, as festas, o lazer, a urbanização e as obras, com o foco nos ginásios poliesportivos e nas praças no seu último mandato. Como a Solange, o político utilizou da máquina pública como o veículo de combate ao desemprego no município, condicionando o contratado ou o comissionado como moeda eleitoral.

Até o meado da década de 90, Rio Bonito era uma cidade predominantemente agropecuária, conhecida por sua produção de banana, laranja, maracujá, limão, tangerina e leite. A principal indústria do município era da produção da mariola, que atendia o país inteiro. Simplesmente, em função do preço do frete, do combustível, e a forte concorrência no plantio, Rio Bonito se desligou da sua natureza econômica, salvo os barões pecuaristas, que transformaram seus plantios em pastos, vislumbrando a criação do gado. Assim, somente dois modelos sobreviveram no interior, o pequeno produtor, com sua base familiar de subsistência, e o latifundiário, comprando cada vez mais terras, transformando em pastos, alterando, inclusive, o meio ambiente, cujo impacto foi diretamente nos leitos dos rios e na manutenção do manancial hídrico do nosso município e região.

Era para Rio Bonito produzir e vender orgânicos,  retornar à cultura do leite, fora do modelo cooperativo de outros tempos, bem como ter seu próprio frigorífico, além de gerar novas operações de plantio ou criações sustentáveis, vislumbrando recuperar sua verdadeira natureza econômica. Mas, os gestores públicos que passaram pela cidade até agora, só viram a agricultura e a pecuária como uma maldição histórica, priorizando a construção de uma burocracia nos serviços, que não consegue manter a geração de emprego e renda no município. Deveria ser justamente o contrário, tendo em vista que ambos os gestores eram íntimos da roça, do interior, das plantações e das criações.

Se compararmos o Mandiocão com a Solange, sem dúvida alguma, a Solange ficará anos luz do grupo do José Luiz Alves Antunes, tratando-se da gestão e o cuidado da cidade. Todavia, se deixarmos de comparar os dois patinhos feios, concluiremos que Rio Bonito não ver gestão pública, com políticas públicas, desde a década de 1980. Nos últimos 24 anos, no sai um e entra o outro, a cidade regrediu na sua economia e no crescimento populacional, porque não se preocuparam com o futuro, a juventude, a geração de emprego e renda. Eles jogaram tudo e todos no ostracismo, que mantém o latifundiário rico e o povo cada vez mais pobre, tendo que mendigar trabalho aos políticos ao longo dos mandatos.

Precisamos repensar Rio Bonito, não para nossa geração que já está perdida. Mas, para a próxima que está vindo com nossos filhos e netos. Precisamos ser menos hipócritas, egoístas e fanáticos, para garantir algo melhor para as futuras gerações, lembrando que a maioria dos nossos jovens não poderá bancar o colégio particular em Niterói ou ir para o Hospital Particular mais próximo da cidade, porque a elite e os gestores públicos construíram o cenário do caos na cidade, enquanto fingem que nada tem a ver com as consequências da sua omissão ou dos seus atos.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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