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Sobre a Operação Lei Seca e o Whatsapp

No dia 02/09/2017, fui dar uma volta em Rio Bonito à noite e me pararam pela primeira vez na Operação da Lei Seca. Achei muito interessante. A policial me parou, pediu os documentos e solicitou para acompanhá-la. Achei muito legal o aparato tecnológico e o bafômetro. Um colega me perguntou se eu estava preocupado: – Eu disse que não, porque pago meus impostos em dia e não bebo álcool. O bafômetro continuou zerado, me entregaram os documentos, enquanto que fiz o retorno e voltei para casa, com a sensação estranha do dever cumprido.

Na mesma noite, começaram os envios das mensagens pelo whatsapp e facebook, avisando que a Lei Seca estava em frente ao Super Market. Eu paguei a conta, entrei no carro e fui até lá para testar o serviço, que merece nota 10. Só faltou o cachaceiro de plantão, que deve ter mudado o percurso por causa da mensagem, até que ele provoque um acidente grave e machuque alguém que você ame. Pense nisso, antes de avisar sobre a fiscalização de qualquer coisa.

O DETRAN informou que existem mais de 60.000 pessoas que perderam o direito de dirigir e que não devolveram suas habilitações às autoridades competentes. Estranho, porque eu tenho a ligeira impressão que a maior parte dessa galera dirige em Rio Bonito.

Por fim, vejo uma sociedade hipócrita, cínica e demagoga, que exige mudança dentro de si e na política corrupta, mas que se recusa seguir seu discurso, começando pela desobediência às leis no trânsito e pelo envio das mensagens para proteger e blindar àqueles que estão alcoolizados ou sem a habilitação para dirigir, mas que mesmo assim insistem contrariar a lei, até baterem num poste em alta velocidade ou provocarem um acidente, envolvendo um inocente, porque, a partir do momento que eles beberam ou decidiram dirigir sem habilitação, se colocaram na condição de infratores, idealizando o suicídio ou o homicídio de outrem, que poderá ser alguém estranho, amigo, parente ou vizinho.

 

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Votei no Mandiocão e na Solange, e não me ofendi com o Marcos Abrahão

Inaugurei minha cidadania com o meu primeiro voto, em 1994, quando votei no Fernando Henrique Cardoso para presidente. Para prefeito, votei em Aires Abdalla em 2000, em Mandiocão em 2004 e 2008, enquanto que, em 2012, minha intenção de voto público foi a Solange Pereira de Almeida. Para 2016, ainda estou analisando o ambiente político e o feedback dos candidatos, tanto para prefeito, quanto para vereador.

No exercício da sinceridade, o candidato Marcos Abrahão perdeu o filtro quando fez o comentário de que “quem se mistura com porco, farelo come”. O que me assustou não foi o fato do candidato ter dito a frase supramencionada no contexto do seu discurso na semana retrasada, mas ter visto muita gente se doendo em função do comentário, cuja radiação foi propagada pelos grupos políticos, mantendo-se até hoje, propositalmente. Aliás, várias pessoas já me pararam na rua e me disseram que não votariam no candidato por causa do comentário. Ai, eu provoco ainda mais o questionamento pessoal, e pergunto se esse simples comentário tornaria o candidato menor que suas propostas de governo, enquanto que as pessoas me respondem que não, repensando a programação que elas foram induzidas.

Sinceramente, colocando o sensacionalismo de lado, os dizeres do candidato não me ofenderam em qualquer segundo, enquanto que nunca pensei na hipótese de me avaliar como suíno ou qualquer outra coisa parecida, considerando o fato de que fui eleitor do Mandiocão e da Solange Pereira de Almeida no passado.  E vou explicar de forma muito rápida e simples o meu raciocínio: – Votei nos dois candidatos. Participei da campanha política da Solange em 2012. Mas, não quebrei as condutas daquilo que acredito que é certo dentro da ética. Também, não exerci função comissionada em nenhum dos dois governos. Todavia, trabalhei como contratado no Município de Rio Bonito em 1998, por 11 meses, quando pedi demissão e fiquei trabalhando em casa, dando aulas particulares de administração de empresa, história, sociologia e filosofia, aguardando o concurso do Tribunal de Justiça me convocar, o que aconteceu em setembro de 1999. Fiz questão de me libertar do sistema na primeira oportunidade que tive, cuja única opção era através dos estudos e da investidura nos concursos públicos, porque não nasci em família rica.

Realmente, eu esperava que as pessoas que exerceram ou ainda exercem funções comissionadas nos últimos 24 anos, incluindo os diretores das escolas, fossem se ofender automaticamente, tendo em vista que, nestes casos, não tem como negar o vínculo ao sistema. Não falarei dos contratados, porque as pessoas precisam sobreviver, principalmente, numa cidade que se esqueceu da capacitação da juventude e da geração de renda, cujos governos jogaram a responsabilidade em cima dos comerciantes e dos industriais, que estão sobrecarregados com os impostos, encargos trabalhistas e tributos.

A opinião pública precisa parar de se levar na emoção, e pensar com a razão. Os políticos estão se doendo com o comentário do Marcos Abrahão, porque, da forma dele, ele colocou o dedo na ferida. Agora, não vejo sentido algum no cidadão de bem, que nunca foi vereador ou exerceu função comissionada dentro dos governos nos últimos 24 anos,  sentir as dores de um sistema incompetente, que visa a manutenção dos cargos comissionados e dos exércitos políticos, deixando a saúde, a educação, a segurança, a cultura e a maioria das pastas abandonadas, cujas competições pelo poder se ramificam dentro no Hospital Regional Darcy Vargas e nos clubes esportivos.

Por fim, acho que a política riobonitense chegou ao fundo do poço, enquanto que os candidatos estão lutando no vale-tudo pelo voto, passando por cima da ética, deixando de apresentar as propostas e as soluções aos temas pertinentes para nossa cidade, falando em renovação, com as mesmas pessoas, que, na minha opinião, são responsáveis pelos problemas no último um quarto de século.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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A Dialética do Caracol

Pela manhã,

Quando olho-me no espelho,

Vejo os horrores que podem acontecer comigo,

Que vão desde os atentados à bomba até o simples suspiro.

Constato o quanto sou frágil e medíocre,

Porque os noticiários nos conectam ao medo,

E nos transformam em miquinhos de circo.

 

Pela tarde,

Entro nas neuroses estéticas

De uma sociedade que valoriza a aparência,

Mas, que ignorou as regras da conduta e da ética,

Medindo as taxas da glicose e a pressão arterial.

Meu corpo já não suporta mais o seu peso.

Mesmo assim, como um caracol,

Carrego o pêndulo do mundo, no otimismo.

 

Ao anoitecer,

No zap zap do controle remoto,

Realizo saltos quânticos pela Televisão.

Numa programação involuntária,

Me pego no noticiário e  paraliso minha mão,

Porque é mais fácil se encher de medo,

Do que buscar a liberdade através dos livros.

No final, constato que sou o culpado,

Uma vez que me fiz refém da minha preguiça,

Mantendo o papel ordinário da hipocrisia.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

Padre Dudu - Canção Nova.

Apenas chuvas fortes?

“O que está acontecendo com o planeta? A violência que está no coração do homem está produzindo a pior de todas as chuvas: A chuva da maldade e da indiferença, do lucro e da ganância, do abandono e do desamor! Crescemos com a falsa informação de que somos proprietários e dominadores da natureza! Esquecemos que um crime contra a natureza é um crime contra Deus e o próprio homem!
As soluções não podem apenas ser políticas ou técnicas. O mundo, diz a Encíclica sobre do Meio Ambiente do Papa Francisco, é mais que um problema a resolver; é um mistério gozoso que contemplamos na alegria e no louvor. Deus é menos louvado e reconhecido quando a natureza é destruída, manipulada e desestruturada.
A poluição voluntária e desmedida, os resíduos domésticos e comerciais não cuidados, a cultura do descarte que afeta tanto seres humanos excluídos da sociedade estão colocando em risco o futuro da humanidade. O aumento do aquecimento global, a escassez da água, o processo de desertificação…A sociedade globalizada é chamada a ter uma nova consciência de mudança de estilo, de comportamento de vida!
Em tantos casos verifica-se uma indiferença diante das tragédias. São os mais pobres os que mais sofrem! Tantos problemas mascarados ou negligenciados pelo poder público? Quanta irresponsabilidade também do cidadão. Em nossa cidade virou cena comum vermos sofás e colchões nas calçadas e nos terrenos baldios. Agrava o fato de não termos nem mesmo um lugar de despejo para tais objetos. Não temos aterro sanitário apropriado. Ainda em 2016, irmãos não possuem saneamento básico! Garrafas pets? Parece um festival! A degradação social gera a degradação ambiental. A crise ambiental é crise antropológica! Salvaremos o criado se o homem for convertido! O Papa fala hoje de “conversão ecológica”.
Falando aos prefeitos de muitas partes do mundo, ele dizia: “Não se pode separar o homem de todo o resto, pois existe uma relação que incide de maneira recíproca: o meio ambiente sobre a pessoa e a pessoa sobre o meio ambiente”.
Nossos municípios estão gemendo com o início daquilo que pode ser um anúncio de uma catástrofe ambiental. O grito dos mais pobres ainda não se faz ouvir? Nossos prefeitos, vereadores e secretários? Estão em seus gabinetes e salas? Preferem seu ar condicionado e sua zona de conforto ou estão no meio do nosso povo? Pisam o chão de nossa gente ou tomam café com eles apenas nos anos eleitorais? Vocês visitam os moradores mais necessitados antes, durante e depois das chuvas? Delegam funções e mandam em vosso lugar ou tocam na carne o sofrimento dos irmãos? Alguém de nós sabe o que é amanhecer sem nada? Já perdemos nossos bens materiais? Nossos parentes morreram eletrocutados por negligência? A privatização de nossas estradas está acima da dignidade da vida? Água, roupa e colchão não darão solução plena!
Essa luta é de todos: Poder público, sociedade civil, igrejas cristãs, homens e mulheres de boa vontade. Cuidar agora. Criar uma nova cultura agora. Administrar com responsabilidade, zelo, ternura e eficácia. Não poluir meu ambiente. Pensar nas próximas gerações. Viver a ecologia cotidiana diante do meio ambiente e do próximo. Viver o Evangelho! Quantos ‘pastores’ incapazes de estarem com seu povo também nessas horas, São lobos que querem a lã e o leite. Seremos julgados!
Deus nos salve da hipocrisia, crie em nós um espírito forte e corajoso. Livre-nos das piores chuvas. Traga-nos chuvas de bem, de solidariedade, de responsabilidade pessoal e política, de amor, de comunhão, inciativas de perdão e paz, criatividade generosa e dignificante. Cessem as mortes prematuras e não queridas por Deus! Seja avivada e esperança inquebrantável e a fé operosa! Governos, Famílias, Igrejas, Instituições, Homens e Mulheres sensatos, despertemo-nos e levantemo-nos; trabalhemos, antes que sejamos carregados pelo dilúvio definitivo como no tempo de Noé!”

Padre Dudu

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A noite que Che Guevara abalou o Brasil, sem balas e sem platéia

ernesto-che-guevara-62bDesde o final da segunda guerra mundial, o Brasil vivia uma crise em sua identidade política e partidária. O cenário político contava com a presença do PTB, que tinha como avatar Getúlio Vargas, o PSD e a  UDN (UNIÃO DEMOCRÁTICA NACIOAL),  fundada em 07 de abril de 1945.

A UDN era considerada como o partido da classe média, cujos projetos e propostas se concentravam nos interesses dos latifundiários e dos industriais, que se relacionavam continuamente com o mercado estrangeiro, contrapondo e criticando as políticas públicas, as práticas sociais materializadas pelo Estado Novo e o intervencionismo estatal na economia. Seguindo a linha neoliberalista, a sigla cativou considerável parte da classe média brasileira, trabalhando diretamente no combate à corrupção e ao comunismo, no mundo bipolarizado pela Guerra Fria, apoiando, inclusive a candidatura do Jânio Quadros à Presidência da República em 1960.

Jânio Quadros, também conhecido pela vassoura, diante do discurso fincado no combate à corrupção estatal, teve uma carreira rápida e brilhante, começando como vereador e chegando à Presidência da República Federativa do Brasil em exatos 15 anos, permanecendo no cargo de 31/01/1961 a 25 de agosto de 1961, quando renunciou por força da pressão política nacional e internacional, tendo em vista que o presidente tinha condecorado, em 19/08/1961, Ernesto Che Guevara, com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.

A ironia do contexto é que a UDN tinha ajudado a construir um presidente, que não se importava em reconhecer e apoiar o socialismo e o comunismo publicamente. Tirando a questão da Doutrina Monroe, com o seu lema “América para os americanos”, não havia condição política e apoio popular para que o Jânio Quadros se perpetuasse no cargo. Entretanto, havia outro ponto interessante na história, tendo em vista que o cargo de Vice-Presidente era também eletivo e de forma autônoma e direta no sistema democrático daquela época. Todavia, o Vice-Presidente da República era João Goulart, do PTB. E, mais uma vez, a UDN cometeu o fiasco em apoiar um político legitimado pelo voto, conspirando dentro da máquina política para que o mesmo fosse deposto. Assim, começaria a novela política da Ditadura Militar no Brasil, em 31/03/1964. Por ironia do destino, os partidos políticos foram dissolvidos, incluindo a UDN, sendo estabelecido o bipartidarismo, com os seguintes partidos políticos: MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e a ARENA (Aliança Renovadora Nacional). A maioria dos membros da UDN migrou para a ARENA, que se ramificou em diversas siglas com a abertura democrática, perpetuando suas ideias e princípios até a atualidade.

Por fim, não me assustaria com um novo fiasco histórico e político, incluindo a tentativa de construírem o mecanismo, que  permitirá a terceirização nos serviços públicos e privados, incluindo a transição para o fim dos direitos trabalhistas do cidadão, porque, no final, o interesse dos grupos econômicos estará acima dos interesses da nação, enquanto que a democracia sempre estará ameaçada pelo medo do estranho e do desconhecido, mesmo que ele venha fantasiado pelo fantasma do socialismo, do comunismo e do populismo.

Na noite do dia 19/08/1961, Ernesto Che Guevara abalou o Brasil e o mundo, denunciando um sistema hipócrita, que falava uma coisa e que praticava o contrário. Essa hipocrisia está dentro de muitos, tendo em vista que foi transmitida por osmose e pelo DNA, passando de uma geração para outra.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior