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A Múmia do Faraó

Retiraram suas vísceras.

O cérebro foi dissolvido em doses homeopáticas.

Havia total integridade nas têmporas,

Salvo o buraco da sucção hemorrágica.

Como uma obra de arte,

A carne foi convertida em cerâmica.

O corpo foi dissecado por milímetros

E enrolado por várias ataduras,

Compondo um casulo humanoide,

Que aguardava o nascimento da nova criatura,

Recebendo os cuidados de um ovoide.

A múmia era o início da conexão,

Cuja jornada não podia contar com a sorte,

Porque Anúbis cobraria o seu quinhão,

Enquanto que não havia plenitude para os pobres.

Uma vez servo e escravo na vida,

A mesma condição se perpetuaria na morte,

Porque o barco precisava navegar pelo infinito,

Enquanto que alguém teria que remar

E carregar os tesouros do Faraó,

Reproduzindo àquilo que é egípcio

E todos os abusos que ocorreram no leito do Nilo.

Logo, observe atentamente ao seu redor.

Trabalhe para atender os caprichos do Estado

E acumule para obter a concessão dos deuses.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior : .

Rio Bonito, 07 de agosto de 2018.

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A Encruzilhada

Rio Bonito, 20 de novembro de 2005.

Eu tenho vagado por muito tempo por essa terra. Transcorri estradas, calçadas, avenidas, elevados, morros, favelas, trilhas, montanhas, rios e florestas. Já enfrentei a fome, a sede, o calor, o frio e a morte. Fui mais abandonado do que abandonei nas relações sociais, desde amizades antigas até os namoros e paqueras. Tem momentos em que tenho a sensação de que cruzei o mar vermelho! – E assim, me pego vagando como moribundo pelo mundo que se transforma no contínuo.

Nesse exato momento da minha vida, eu estou numa encruzilhada, pela qual posso insistir em retornar, como também, posso seguir adiante, ou pela esquerda, ou pela direita. Caberá única e exclusivamente da minha vontade e de tudo aquilo que o Eterno está planejando para minha jornada.

Se fosse possível separar os seres que me compõem o todo, como o pensador, o físico, o filósofo, o poeta e o guerreiro, eu colocaria cada um de frente para o outro e lhes perguntaria: – O que faremos?  Sem dúvida alguma, o guerreiro esperaria a decisão do pensador, do físico e do filósofo para elaborar a estratégia de ataque se fosse necessária.  O pensador, o físico e o filósofo decidiriam, temporariamente, se sentar abaixo duma árvore e ver no que poderia acontecer.  O poeta correria para sua casa, pediria licença aos seus pais, te beijaria a boca,  acumulado com o abraço da saudade de anos, pedindo-te em casamento.

Agora, estou aqui nesta encruzilhada especulando sobre minha vida e suas possibilidades. De fato, estou até com um pouco de medo hoje, pois perder-me-i, se não fosse o poeta e o guerreiro.  Mas cedo ou tarde, poderá aparecer um rabo de saia que poderá me desviar os olhos de ti e me levar embora de meu destino.  Talvez, os próprios embaixadores do bem ou do mal se façam presentes, só para testar minha fé naquilo que penso e sinto por ti. Talvez, os caminhos se fechem total ou parcialmente.  Talvez, se abram novos caminhos.  Entretanto, a única certeza que tenho, é que a lógica determina o dever e o amor próprio de ir adiante e não para trás. Enquanto que, pela primeira vez na minha vida, meu coração quer ficar e apostar tudo. – Talvez essa seja a sina do amante: Arriscar tudo sem querer qualquer coisa em troca. Simplesmente, se alimentar do sonho, chegando a ponto de só se querer dormir.

E é assim que terminam nossas vidas: Num conjunto de encruzilhadas que definem o tamanho da nossa fé, o fim da nossa busca e a ausência de dúvidas.

Uma coisa é certa: Não mais dormirei para idealizar a ilusão, bem como, não permitirei que outros vivam os meus sonhos, à minha sombra.

E espero que na próxima encruzilhada da minha vida, eu não esteja sozinho e que dividam comigo o peso da escolha e as alegrias duma vida bem vivida, por maiores que sejam as dificuldades.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior