Aos sábios, ecléticos,
Moribundos da vida…
Que façam de si mesmos escritores,
Logo, aqui, eu mesmo escrevo:

Caminho por entre as flores,
Recantos do meu bem-dizer…
As saudades me abalam,
Perco-me entre as dores…
E amores da vida.

Sublime é o teu encanto
Em sua forma decadente…
Desejo-te impróprio,
Em querer-te bem.

Diante de ti,
Desarmo-me e entrego em lágrimas…
Talvez sejam lágrimas de descontentamento.
Todavia, as lágrimas são lágrimas.

De pétala a pétala…
Bem-me-quer…
Malmequer…
É assim que quebro a beleza do recinto;
Pois o adormecido acorda,
Enquanto o botão de rosa se cala.

De lua em lua,
Conto as estrelas.
E, em minhas contas,
Não passo das primeiras;
Pegando-me a recomeçar sempre.

O bueiro ejacula o odor da escória,
Enquanto o caminho por entre as vielas.
No fundo, ando dentro de minha memória falida.
A cada cômodo, ainda penso em ti,
Como a maldição da estátua…
Que se manifesta diante de seu criador.

De chuva em chuva,
Eu tento contar os pingos;
Atormentando minha culpa.
Embora não seja culpado,
Mesmo sentindo-me arrependido.

Da chuva, embora talvez não possa,
Eu me fiz em poça…
O mais absurdo, é que não estás chovendo…
Pois são minhas lágrimas que escorrem com o vento.

De estrela em estrela,
Caminho por universos distintos…
Formo uma constelação alucinante…
E caio no infinito de minha cela.
Mais uma vez, estou só…
Mas nunca sozinho!!!

De letra em letra,
Construo radicais, prefixos, sufixos, palavras!!!
Escrevo e descrevo-te.
Perco a noção das normas…
Minhas mãos tremem…
Pois, teu nome não escrevo mais.

De noite em noite,
Olho-me para o teto…
Penso e repenso…
Perco-me em respeito;
Pois só me vejo em juízo.

Numa esfera de preceitos,
Encontro-te somente…
Calo-me por entre os lábios…
Contraio, em falsete, os dedos,
Como o antropófago que saboreia…
Na plenitude da alma,
Sua dinastia.

De pétala em pétala,
Perco-me na conta,
Esqueço-me os sonhos…
Pois não sou mais eu…
Sou ninguém… Porque estou perdido!!!

Decerto, se tivesse de tampouco fosse,
Antes de mais nada, teria alguém…
Certamente, lhe mandaria flores…
Algumas palavras…
Ou um simples parabéns.

Entretanto, tenho-me mais nada;
Pois sou puro vazio…
Estou anônimo no passado…
Fincado no presente…
E inerte para o futuro.
Afogo-me no fundo do poço;
Sendo mais um cadáver submerso.

Como antropófago, encontro-me em dieta;
Pois não penso e nem como.
Fico-me, aqui, parado como uma estátua;
Praticando a arte da autofagia;
Consumindo-me aos poucos…
Faço-te esse agrado;
Porque ainda te amo…
Mesmo que seja de forma descontente!!!

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