Réveillon de Copacabana nunca foi para o povo, mas para os turistas

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Há algo sobre a queima dos fogos na praia de Copacabana que a maioria dos cariocas e fluminenses ignoram, tendo em vista que o investimento é público, por parte do Município, e privado, por parte da hotelaria, enquanto a passagem de ano gera milhões ao setor do turismo. Por fim, Copacabana não se importará com sua ausência fundamentada na política ou na falência do Estado do Rio de Janeiro, uma vez que a festa é para os turistas hospedados nos hotéis de cinco estrelas e aqueles que assistirão o evento na visão privilegiada nos cruzeiros, bebendo vinhos caros e jogando nos cassinos, pagando em dólares ou euros.
Àqueles que já participaram do evento da passagem de ano, nos hotéis localizados na Avenida Atlântica, compreenderão imediatamente o contraste social do réveillon carioca, com a multidão se apertando pela praia, enquanto as festas são realizadas, com glamour e sofisticação, nas coberturas e nas áreas do acesso restrito dos hotéis e dos condomínios de luxo. Simplesmente, a indústria do turismo movimenta milhões nesse período, gerando lucro aos hotéis, locatários dos apartamentos aos estrangeiros e aos promotores renomados.
A multidão na praia é parte do ornamento para transmitir a mensagem de que a festa é popular e que integra a tradição e o folclore brasileiro. Os turismólogos pegam a imagem e vendem para o restante do mundo, garantido os pacotes de viagem na temporada, as reservas nos hotéis e o consumo do modo de vida “carioca”, que fica entre os padrões de Buenos Aires e da Cidade do México.
Por fim, milhares de empregos e negócios são mantidos em função do réveillon de Copacabana, do Carnaval de rua e na Apoteose, incluindo os eventos realizados ao longo do ano, envolvendo a variedade dos nichos no mercado de trabalho e da hotelaria. Logo, se o fluxo de caixa dos hotéis e do comércio estiver em superávit, todos ganham, incluindo o governo e a sociedade, através dos impostos obrigatórios. Todavia, se as contas ficarem no déficit, todos perderão, incluindo o governo e a sociedade, uma vez que o recolhimento dos impostos será menor, enquanto a primeira solução do mercado é demitir pessoas para compensar os gastos e os investimentos. Então, eu desejo que esse réveillon seja próspero para todos, e que o desemprego diminua em 2017, incluindo a taxa dos juros. E que só suba o otimismo dos brasileiros e a confiança do investidor estrangeiro no nosso país.

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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