Jargão

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O jargão corresponde à linguagem duma categoria ou estrutura social, que possuem vocábulos e conceitos próprios, cujos membros se relacionam no mais alto nível de comunicação. E assim, se faz com os praticantes da medicina, da engenharia, da veterinária, e principalmente do mundo das ciências jurídicas; criando compêndios literários de doutrinas, termos técnicos bilíngues e totalmente incompreensíveis ao cidadão que está utilizando o serviço prestado. Isso acontece, porque o jargão foi feito para proteger a categoria na idade média e se estendeu, em nossa sociedade, até a atualidade; dificultando, inclusive, a relação científica entre especialistas de categorias distintas! Imagine como deve ficar a pobre cabeçorra duma pessoa que, sequer, possui o vocabulário acadêmico? Mas, o fato é que o jargão, na prática, fora criado para tal objetivo e somente isso, pois as categorias existem há séculos ou milênios, enquanto o conhecimento científico e sua metodologia são crianças perante a maturidade prática dos ofícios.

Todavia, como na natureza humana quase tudo se copia, o jargão saiu dos ofícios, das profissões e do mundo acadêmico-literário, para invadir o asfalto; criando a gíria, a diminuição dos períodos e das frases, a desobediência gramatical e, principalmente, as palavras de baixo calão ou palavrões, cuja beleza é perfeita, uma vez que é nesse instante que vimos a massa criando sua própria linguagem ou seu próprio jargão, desde o morro até as praias, desde as elites até os mendigos. Logo, tratarei o vocábulo “filha da puta” com o mesmo respeito técnico da palavra “desoxirribonucleico”; porque a gíria de hoje se tornará à norma culta do amanhã.

Nadelson Costa Nogueira Junior

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