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A Hora da Partida

O momento da partida sempre é difícil para quem fica e para quem parte, porque, por mais que a sociedade se sustente no individualismo como a unidade mínima, sempre ficarão os fragmentos das impressões e das experiências de uma pessoa para outra.

Somos viajantes do tempo e das emoções, transferindo a bagagem continuamente com o próximo. Ora temos a sobrecarga do peso, ora não temos peso algum. E assim, vamos compensando uns com outros e vice-versa, numa solidariedade que se prende ao afeto e à afinidade, porque, no final, aquilo que parece ser o sacrífico ou um castigo, pode ser a oportunidade do ajuste e da aproximação.

Ninguém disse que a partida seria fácil, mas temos que ir, sem data, local e hora anunciados pelo além. Logo, é importante praticar a justiça, o respeito, o arrependimento e o perdão, devendo lembrar que a vida precisa ser sincera e plena, porque o corpo possui prazo de validade e, ao contrário do espírito, sua essência é mortal.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior : .

Rio Bonito, 14 de julho de 2018.

 

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Copacabana

copa4Quando piso em suas areias,

Não sinto vontade de voltar.

Fico encantado pelo canto de suas sereias

E pelo néctar da espuma do mar.

 

Por tal motivo,

Limito-me ao passeio no calçadão,

Admirando seus artesãos criativos,

Reprimindo meu corpo da tentação!

 

Suporto a distância da sua cosmologia,

Como a ignorância dos seus visitantes.

Eles não conseguem sentir sua poesia,

Além da gastronomia e das bundas redundantes.

 

Por outro lado,

Mesmo diante de sua decadência,

Eu guardei o melhor de ti comigo,

Iludindo-me com sua miragem em Rio Bonito.

 

Escrevo, choro e suspiro…

Porque, quando toco suas águas,

Lembro que te amo,

Enquanto que vem, na garanta, aquele desconforto.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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Quando a poeira toma seu corpo e sua alma

Nós estamos tão ocupados com nossos compromissos profissionais e pessoais, enquanto acordados, que automatizamos as falas e os diálogos com o próximo. Simplesmente, seguimos uma programação, baseada em metas de eficiência e rotinas, que, na maioria das vezes, não fazemos qualquer ideia que as praticamos. É quase que inconsciente. Dessa forma, a humanidade está abdicando da dança do acasalamento, das preliminares e da sedução, partindo para o sexo pelo sexo.

Quando a faxina não é realizada com dedicação por parte da doméstica, ou quando a dona de casa deixa de fazer o trabalho de analisar os mínimos detalhes, a poeira vai se acumulando por debaixo do tapete, por cima da mobília, até impregnar a roupa. Depois, vem o mofo, caso haja muita umidade no lugar. Somente os alérgicos prestarão a atenção devida e necessária para tais detalhes, porque sua sobrevivência dependerá disso, incluindo as noites do sono consumado com tranquilidade, sem remédios, nebulização e o inchaço provocado pelos corticoides.

Precisamos aprender a tirar a poeira acumulada pela rotina com os alérgicos. Precisamos conversar mais, escutar mais e participar ativamente da nossa própria vida, ora como coadjuvantes da vida daqueles que compartilham sua existência conosco, ora como protagonistas nas inversões dos valores.

Uma coisa é certa: – Tem muita poeira nesse mundo. Ela se acumula nas coisas em movimento. Ela esconde àquelas que estão paralisadas no mesmo lugar já há bastante tempo. Logo, vamos fazer uma faxina na rotina, prestando a atenção nos detalhes e nas pessoas, antes que a poeira te possua, como a mobília da sua casa, impregnando sua alma como um corpo sólido.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior